— Mas o que você quer que eu faça? — ela se levantou, completamente desorientada. — Meus pais vão me matar, quando descobrirem! Minha vida vai acabar, minha liberdade vai acabar, eu estou perdida, eu não vejo outra saída.
— Não exagera Any. — a loira rolou os olhos chamando-a para sentar outra vez. — O que o Josh disse pra você? Ele foi indelicado? Brigou com você? — a cacheada negou enquanto sentava. — O que ele te disse?
— Disse que assumiria o bebê, que daria tudo o que ele precisasse e queria voltar comigo.
— Não está fazendo mais do que a obrigação dele. — Sina disse.
Any assentiu.
— Eu não vou voltar com o Josh. — Any disse rapidamente.
— Não estou dizendo pra você voltar com ele! — Sina enfatizou. — Estou dizendo pra você aceitar a ajuda do cara, você não fez esse bebê sozinha, tem que deixá-lo fazer a parte dele.
— Não o quero perto de mim. — ela murmurou.
Sina pôs a mão no rosto e Any a encarou.
— Any, essa situação não é do tipo que tenha que querer, você tem que fazer, não o melhor pra você, mas o melhor para a criança.
— Eu já disse que não vai ter criança nenhuma, eu vou abortar! — disse baixinho.
— Vai abortar nada, eu conheço você com a palma da minha mão...
— Droga, cala a boca. — Any gemeu.
— Jamais conseguiria tirar a vida de ninguém, quanto mais de uma criança inocente. — Sina continuou.
Any a soltou o ar desistindo daquele absurdo de aborto, Sina tinha razão, ela jamais conseguiria abortar.
— Eu sabia hahá... — abrindo os braços.
Any sorriu de leve e a abraçou, Sina deu um beijinho nos cabelos dela.
— E agora perua? — Any suspirou. — Eu me fodi bonito, não é? — mordeu o lábio.
— Nem tanto... — Sina disse. — Só temos que dar tempo ao tempo, tenta esconder mais um pouquinho e quando você ver que não pode mais, você desabafa com os seus pais, se você quiser eu posso ficar do seu lado na hora.
— Acho que eu prefiro estar sozinha. — ela disse e Sina deu de ombro. — Meu pai vai ficar louco. — disse fechando os olhos com força, imaginando a reação de Silvio.
— Como qualquer pai não é Any? — a olhou. — Mas ele também não vai matar você... Você vai precisar ter um pouquinho de paciência, por que essa não é uma situação fácil de engolir.
— Você tem razão. — Any mordeu o lábio. — Vou ver até quando eu consigo esconder, quando eu não puder mais eu abro o jogo.
Sina concordou.
— E o que vai fazer agora?
— Bom, agora eu tenho que me virar não é? — rolou os olhos. — Tenho que arrumar um emprego o quanto antes, acho que isso vai me dar mais segurança quando for contar.
— E onde você quer trabalhar?
— Em qualquer lugar... — ela deu um sorrisinho xoxo. — Em qualquer lugar que me paguem bem, meu currículo não é essas coisas todas, mas dá para arrumar um bom emprego. — coçou a nuca.
— Essas empresas chiques que você está acostumada a trabalhar são um porre na hora de contratar, elas não contratam gestantes.
Any respirou fundo.
— Não precisa ser uma empresa chique, pode ser qualquer lugar, eu posso tentar esconder a barriga até quando não der mais.
— Any trabalhar grávida deve ser horrível. — ela disse penosa.
— Deve mesmo, eu estou sentindo tanto sono, dor nos s***s, me sentindo enjoada, mas eu preciso Sina. Não vou aceitar nada do Josh, eu vou cuidar do meu filho sozinha, não preciso dele pra nada.
— Any isso não é justo! — Sina disse, revoltada. — Ele é rico, tem que te ajudar em tudo o que você precisar. Enquanto a coelha está lá no bem bom, você se matando de trabalhar!
— Eu sei, eu é que não quero! Se dependesse do Josh, eu teria até uma empregada para massagear os meus pés inchados, mas eu não vou mais aceitar ser amante dele! Não vou! — ela disse passando a mão no rosto.
— Eu já disse que não precisa você voltar com ele, mas você tem direito ao menos a um bom cheque todo mês, pra te ajudar a comprar as coisas para o seu filho, ele é o pai caramba, se ele quer te ajudar aceita. Enquanto tem tanta mulher atrás dos homens para assumir os filhos, o seu quer assumir e você não quer, quem te entende Any Gabrielly?
— Ninguém me entende, sabe por quê? — Any indagou. — Por que ninguém sabe o que eu sinto, quando escuto o Josh falar da Sofya. Ela também diz que vai ter um filho dele, e se essa coelha do c*****o estiver mesmo grávida? Meu filho sempre vai ficar em segundo plano, sempre vai ter as sobras do outro e eu não aceito isso! O Josh que fique com a família dele pra lá, eu não o quero perto do meu filho e acabou!
— E por que você diz isso Any? — a encarou. — Para um pai os filhos são todos iguais... O amor é o mesmo. — Any a interrompeu.
— Ele soube que eu estava grávida e me pediu para voltar a ser a amante dele.
Sina suspirou e a olhou.
— Sofya e eu estamos na mesma, por que eu tenho que ser a outra? — ela ergueu a sobrancelha. — Ele não quer que a Sofya perca o bebê tão precioso, a Sofya não pode passar nervoso, não pode se aborrecer... E eu? E o meu bebê, não importa? Eu posso me f***r chorando por ele, sentindo saudades, querendo um pouquinho de carinho que seja e isso pra ele não importa nenhum pouco! — disse com os olhos mareados. — Você sabe que sempre vai ter diferença, meu filho sempre vai ser o bastardo. — caindo no choro. — Eu não o quero perto do meu bebê, não quero.
— Não amore... — Sina a abraçou outra vez. — Não chora, se você não quer eu entendo tá? Ele não vai se aproximar de você. — ela assentiu. — Você pode contar comigo para o que você precisar. Nós vamos cuidar disso sozinhas. Quando podemos começar a busca?
— Que busca? — secando as lágrimas a encarando, confusa.
— A busca por emprego. — Sina disse.
— Ah, eu não sei e... — encarou a Sina. — Nós?
— Sim nós... Eu vou trabalhar também. — disse a loira, entusiasmada.
— Você é louca Sina? — riu de leve. — Você não precisa trabalhar.
— Mas eu quero, as vezes não ter nada pra fazer pode ser entediante sabia? — ergueu a sobrancelha. — E também eu quero dar muitos presentes para o meu afilhado. — pôs a mão na barriga de Any.
— Ai Sina, não precisa fazer isso. Eu sei que você tem o dobro da minha preguiça. — rindo.
— Acabou! Fim de papo! — pôs o indicador nos lábios e sorriu em seguida. — Ahh, vamos ter um bebê! — disse batendo palminhas. — Me deixa sentir... — colocando a mão na barriga de Any. — Cara Any, como você não notou antes? — disse negando com a cabeça. — Está super redondinha.
— Não queria pensar na possibilidade, apesar de sempre estar com a pulga atrás da orelha eu queria pensar que era o estresse, minha fome aumentou e talvez tivesse engordado um pouco, mas me fodi do mesmo jeito...
— Olha isso... — disse levantando a blusa dela. — Está com quantos meses?
— Três. — mordeu o lábio, apertando de leve a barriga para ver se conseguia sentir algo.
— Só? — Sina arregalou os olhos.
— Só por quê? — Any indagou confusa.
— Pra mim era mais. — gargalhou.
— Está me chamando de gorda? — arregalou os olhos.
— Não sua otária, mas barriga de três meses deve ser menorzinha. — deu de ombros.
— Que nada... Espero que demore muito pra ficar grande.
— Já está grande. — Sina riu.
— Cala a boca Sina! — Any gemeu. — Meu pai não pode saber agora, eu preciso de tempo e você não está me ajudando em nada dizendo que já dá pra perceber.
— É só você usar roupas soltinhas. — Sina sussurrou. — Temos que marcar uma consulta pra ver como está o bebê.
— Verdade. — Any pôs o dedo no queixo. — Deve ser super caro... — mordeu o lábio e Sina assentiu. — Eu acho que ainda tenho um dinheirinho guardado.
— Me deixa pegar a lista telefônica pra gente ver. — Sina disse levantando e pegou a lista que estava na gaveta da mesa do computador. — Vamos lá. — começou a folhear e logo achou vários anúncios. — Olha essa daqui é boa, foi lá que a Diana fez o pré-natal dela.
— Isso deve ser o olho da cara Sina. — Any disse, roendo a unha.
— Vamos ligar para perguntar. — disse pegando o celular e discando os números.
As duas ligaram e perguntaram sobre as consultas de obstetra, eram caras demais e Any negou com a cabeça, Sina resolveu ligar pra outra clínica, essa ainda era pior que a anterior, a terceira e última teriam que contar com a sorte, era bem mais barata, mas em compensação só tinha vagas para dentro de quatro semanas.
— Tudo isso? — Any perguntou, assustada.
— Pois é... Disseram que só tem uma doutora pra atender e blá-blá-blá.
— Acho que vou fazer no posto.
— Claro que não, você sabe como é esse negocio de SUS, deve ser ainda pior. Além de ser um verdadeiro descaso com a população. — Sina negou com a cabeça.
— Sina, não vai ser sempre que eu vou ter como pagar esse tipo de consulta. — Any murmurou.
— Eu vou ajudar você! — Sina disse, tapando a boca do telefone. — Cala a boca, deixa eu terminar de marcar.
— É fazer o que não é? — suspirou vencida. — Vamos marcar.
Sina assentiu e resolveu marcar.
¨¨¨¨
Enquanto isso na empresa. Joshua tentava ligar para Any, até que alguém atende.
— Alô! Any?
— Não, é a Sabina. — ouviu a voz da morena e passou a mão no rosto frustrado.
— Sabina, onde está a Any? — disse com afobação e pressa. — Eu preciso muito falar com ela.
— Minha irmã não está em casa. — disse comendo uma uva. — Está na casa da Sina desde cedo. Quer deixar recado?
— Não. — ele sussurrou. Por que Any não podia sair com a merda do celular? — Só diga a ela que depois eu ligo.
— Certo Josh. — desligou e voltou a fazer o que estava fazendo antes de atender o celular de Any, já que o aparelho não estava deixando ela se concentrar.
—Droga! — ele desligou o celular irritado.
— Coelhinho! — ouviu o grito estridente de Sofya e rolou os olhos.
Não era possível, aquilo só podia ser castigo. Forçou um sorriso ao vê-la entrando na sala.
— Meu amor!
— Oi meu bem. — ainda com o sorriso super forçado. — O que está fazendo aqui?
— Vim te buscar pra irmos até a casa dos meus pais! — bateu palminhas colocando Rupert na cadeira.
Ele se apavorou.
— Eu não posso, estou cheio de trabalho. — se voltando para o notebook. — Quem sabe outro dia.
— Não, eu perguntei para a Cecília e ela disse que sua agenda hoje estava tranquila! — disse o encarando com um bico.
Droga! Tinha que se lembrar de matar Cecília a próxima vez que a visse.
— E então? — ela perguntou. — Vamos logo amor!
— Sofya, é sério... — ela o interrompeu.
— Vamos logooo! — deu um gritinho agudo e estridente que fez os ouvidos de Joshua doerem. — Senão eu vou ficar muito nervosa. — ela concluiu.
— Tudo bem Sofya. — disse engolindo o seco. — Mas eu só vou ficar um pouquinho, certo?
— Não, você vai ficar o tanto que eu quiser ficar! — ela disse séria. — Será que pelo menos na frente dos meus pais você poderia fingir que se importa com a sua esposa grávida?
— Eu me importo com você Sofya. — ele disse cansado, acariciando as têmporas.
Não estava com nenhum humor para discutir, estava preocupado com Any, preocupado com o filho que ela tinha no ventre, estava nervoso e o que ele menos precisava era de Sofya lhe enchendo o saco!
— Pois não parece! — ela disse irritada. — Você só quer saber de comer essa v***a da Any Gabrielly! Eu quero atenção, quero carinho, odeio quando você me trata como merda! — gritou.
— Fala baixo! — ele grunhiu. — Nós vamos à droga da casa dos seus pais, está feliz?! Agora para de fazer ceninha!
— A CASA DOS MEUS PAIS NÃO É DROGA! — berrou.
— Sofya... — respirou fundo. — Eu não quero brigar com você, nós vamos visitar seus pais o tempo que você quiser. Tudo bem assim?
Sofya sorriu com satisfação.
— Claro Baby Blue. — disse pegando Rupert no colo outra vez. — Agora vamos, que mamãe quer tratar sobre a festa de aniversário.
— Festa de aniversário? Aniversário de quem?
— Como de quem Joshua? — ela o encarou. — Rupert está fazendo um ano no mês que vem! — apontou o cachorrinho.
— Espera aí, vão fazer uma festa de aniversário para o cachorro? — atônito.
— Não chama o nosso filho de cachorro! — disse com a voz fina.
Ele assentiu.
— Desculpe. — respirou fundo. — Vamos?
Ela assentiu e os dois saíram, ele estava preparado para mais um dia de tortura na casa dos sogros.
¨¨¨¨
Os dias foram passando e as coisas continuavam iguais, Any sempre brigava com Joshua pelo telefone, e já que estava cansada resolveu trocar o chip do celular pra ver se tinha um pouco de paz, e dera certo.
Em compensação ele sempre ia até sua casa encher o saco, mas ela fingia que ele não existia e ficava por isso mesmo.