No Papel, Minha

431 Palavras
(Kol Lobo & Kayte Lemos) O lugar era simples. Discreto. Seguro. Nada de igreja. Nada de convidados curiosos. Apenas o essencial para que o papel tivesse valor — e o nome dele passasse a protegê-la. Kayte entrou em silêncio. O vestido branco era bonito, delicado, caía perfeitamente em seu corpo. Não era exagerado, não era inocente demais. Era ela. Os cabelos soltos em ondas suaves, a maquiagem leve, quase natural. Nas mãos, um pequeno buquê que parecia mais simbólico do que romântico. Ela não sorria. Kol a observou por um segundo a mais do que devia. Terno escuro, postura firme, olhar fechado. Ele parecia exatamente o que era: um homem perigoso selando um acordo ainda mais perigoso. — Tá pronta? — perguntou ele, baixo. — Não — ela respondeu. — Mas vamos acabar logo com isso. Ele assentiu. O juiz falou rápido. Nomes. Documentos. Assinaturas. Quando Kayte pegou a caneta, sua mão tremeu por um segundo. Não de medo dele. Mas do que aquele nome significava. Ela respirou fundo… e assinou. Kol assinou logo depois. Não houve beijo. Não houve aplauso. Só o som seco do carimbo batendo no papel. — Declaro-os legalmente casados. Silêncio. Quando saíram, o mundo já parecia diferente. Do lado de fora, Orelha e n***o aguardavam. Os dois ficaram sérios ao vê-la. — Respeito — disse n***o, com a cabeça levemente inclinada. Orelha sorriu. — Agora tá explicado por que ninguém encosta. Kol segurou o braço dela com firmeza — não como posse, mas como aviso ao mundo. — Atenção — disse ele, em voz alta o suficiente para todos ali ouvirem. — Essa é a Kayte Lemos… minha esposa. Kayte sentiu o impacto daquelas palavras atravessar o corpo inteiro. — Mulher de Kol Lobo. O peso daquele nome caiu sobre ela como uma armadura. Alguns homens abaixaram a cabeça. Outros desviaram o olhar. Todos entenderam. No carro, o silêncio voltou. — Não muda nada — Kayte disse, firme. — Isso aqui é só papel. Kol olhou para frente, ligando o motor. — No papel — respondeu. — Pro mundo, muda tudo. Ela cruzou os braços. — Eu não pertenço a você. Kol acelerou. — Eu sei. Ele fez uma pausa, a voz mais baixa. — Mas agora ninguém ousa tentar te comprar. Kayte fechou os olhos por um segundo. O acordo estava feito. O nome estava assinado. A proteção estava garantida. O que nenhum dos dois queria admitir… Era que, a partir daquele momento, dividir o mesmo sobrenome seria a parte mais fácil. O difícil seria esconder o que começava a nascer por trás do ódio.
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