(Kol Lobo & Kayte Lemos)
O lugar era simples. Discreto. Seguro.
Nada de igreja. Nada de convidados curiosos. Apenas o essencial para que o papel tivesse valor — e o nome dele passasse a protegê-la.
Kayte entrou em silêncio.
O vestido branco era bonito, delicado, caía perfeitamente em seu corpo. Não era exagerado, não era inocente demais. Era ela. Os cabelos soltos em ondas suaves, a maquiagem leve, quase natural. Nas mãos, um pequeno buquê que parecia mais simbólico do que romântico.
Ela não sorria.
Kol a observou por um segundo a mais do que devia.
Terno escuro, postura firme, olhar fechado. Ele parecia exatamente o que era: um homem perigoso selando um acordo ainda mais perigoso.
— Tá pronta? — perguntou ele, baixo.
— Não — ela respondeu. — Mas vamos acabar logo com isso.
Ele assentiu.
O juiz falou rápido. Nomes. Documentos. Assinaturas.
Quando Kayte pegou a caneta, sua mão tremeu por um segundo. Não de medo dele. Mas do que aquele nome significava.
Ela respirou fundo…
e assinou.
Kol assinou logo depois.
Não houve beijo.
Não houve aplauso.
Só o som seco do carimbo batendo no papel.
— Declaro-os legalmente casados.
Silêncio.
Quando saíram, o mundo já parecia diferente.
Do lado de fora, Orelha e n***o aguardavam. Os dois ficaram sérios ao vê-la.
— Respeito — disse n***o, com a cabeça levemente inclinada.
Orelha sorriu.
— Agora tá explicado por que ninguém encosta.
Kol segurou o braço dela com firmeza — não como posse, mas como aviso ao mundo.
— Atenção — disse ele, em voz alta o suficiente para todos ali ouvirem. — Essa é a Kayte Lemos… minha esposa.
Kayte sentiu o impacto daquelas palavras atravessar o corpo inteiro.
— Mulher de Kol Lobo.
O peso daquele nome caiu sobre ela como uma armadura.
Alguns homens abaixaram a cabeça.
Outros desviaram o olhar.
Todos entenderam.
No carro, o silêncio voltou.
— Não muda nada — Kayte disse, firme. — Isso aqui é só papel.
Kol olhou para frente, ligando o motor.
— No papel — respondeu. — Pro mundo, muda tudo.
Ela cruzou os braços.
— Eu não pertenço a você.
Kol acelerou.
— Eu sei.
Ele fez uma pausa, a voz mais baixa.
— Mas agora ninguém ousa tentar te comprar.
Kayte fechou os olhos por um segundo.
O acordo estava feito.
O nome estava assinado.
A proteção estava garantida.
O que nenhum dos dois queria admitir…
Era que, a partir daquele momento, dividir o mesmo sobrenome seria a parte mais fácil.
O difícil seria esconder o que começava a nascer por trás do ódio.