Dinheiro Não Compra Liberdade

524 Palavras
Kol voltou dois dias depois. Sem aviso. Sem pedido. Kayte estava sentada na pequena mesa da cozinha, tentando organizar contas que não fechavam, quando ouviu a batida seca na porta. Já sabia quem era antes mesmo de abrir. Ele estava ali, do mesmo jeito de sempre: postura relaxada demais para alguém que carregava tanto poder. Na mão, um envelope grosso. — Toma — disse ele, estendendo o braço. Kayte nem tocou. — Não. Eu não quero seu dinheiro sujo. Kol arqueou uma sobrancelha e riu baixo. — Sujo não — respondeu. — Eu não sou tão r**m assim, tá? Ela soltou uma risada curta, sem humor. — Sei. Você só faz o que tem que fazer. Enfim… é seu dinheiro. Eu não quero. Kol avançou um passo e colocou o envelope sobre a mesa. — Você não tem opção. Toma. Kayte cruzou os braços, o olhar afiado. — Eu quero saber uma coisa — disse, firme. — Desde quando você achou que podia mandar na minha vida? Que eu saiba, nunca te dei a******a pra isso. Kol inclinou a cabeça, divertido. — Aí, garotinha… — Eu não sou garotinha, tá? — ela cortou, irritada. O sorriso dele cresceu. — É sim. E tá fazendo coisa errada. Kayte sentiu o sangue ferver. — A coisa errada aqui é você mandar em mim! — disparou. — Me proibir de trabalhar e ainda querer me dar dinheiro. Vai pedir pra eu ser sua mulher também, é? Kol riu de verdade dessa vez, o som grave ecoando no cômodo pequeno. — Tá se sentindo muito, não acha? Ela deu um passo à frente, sem baixar os olhos. — Eu não me sinto. Eu sei quem eu sou. Virou de costas, indo em direção à porta do quarto. Kol respirou fundo, a paciência no limite. — Ei — chamou. — O dinheiro. — Não quero. Kayte entrou e fechou a porta com força. O silêncio que ficou foi pesado. Kol ficou parado por alguns segundos, encarando o envelope esquecido sobre a mesa. Passou a mão pelo rosto, soltou uma risada curta e saiu. Do lado de fora, Orelha e n***o tinham visto tudo. Os dois caíram na gargalhada assim que Kol se aproximou. — Você tá fudido, cara — disse Orelha, enxugando os olhos. — Essa aí é tinhosa. Negão assentiu, ainda rindo. — Vai ser difícil. Kol entrou no carro, o sorriso lento voltando ao rosto — mas agora havia algo diferente nele. — Difícil é pouco — murmurou. — Mas eu gosto de coisa que dá trabalho. Orelha balançou a cabeça. — Você percebeu, né? Kol ligou o carro. — O quê? — Que ela não vai aceitar dinheiro… — Orelha sorriu. — Mas vai acabar te enfrentando até o fim. Kol acelerou, os olhos escuros focados na rua. — Então a gente vai até o fim. Porque Kayte não se vendia. Não se dobrava. Não se calava. E exatamente por isso, Kol sabia: Ela seria a única mulher capaz de destruí-lo… ou de fazê-lo pedir algo que nunca pediu a ninguém. No próximo passo, não seria dinheiro. Seria um acordo. E ela ia odiar cada palavra.
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