O som insistente da chuva batendo contra as janelas era o único ruído que preenchia o quarto. O relógio marcava quase três da manhã quando Darian abriu os olhos pela primeira vez em dias. O corpo doía, o ar parecia pesado demais para ser respirado, e o gosto metálico da lembrança do atentado ainda queimava em sua garganta. Tentou se mover, mas o peito protestou com uma pontada aguda. Um gemido rouco escapou antes que pudesse contê-lo. O curativo sobre o lado esquerdo do abdômen estava firme — sinal de que alguém o havia tratado com precisão. — Finalmente acordado. — A voz grave ecoou próxima à porta. Giulio Marchesi entrou devagar, apoiando-se em uma bengala. O terno escuro contrastava com os cabelos grisalhos impecáveis, e o olhar — aquele olhar frio e calculado — pousou sobre o filho

