O porão da mansão Marchesi cheirava a ferro e solidão. O ar ali era pesado, saturado pelo frio úmido das paredes de pedra e pelo som ritmado das gotas que pingavam do teto. Luca estava sentado no chão, as costas apoiadas contra a parede, os pulsos marcados pelo atrito das algemas. O corpo doía, mas o que mais o incomodava não eram as feridas — era o silêncio. Havia aprendido a conviver com a dor. Ela era uma velha conhecida, uma sombra constante desde os tempos em que ainda acreditava que podia sair limpo do tipo de vida que escolhera. Mas aquele silêncio… aquele silêncio o corroía mais do que qualquer soco dos homens de Darian Marchesi. O ranger da porta o tirou dos pensamentos. A luz do corredor penetrou o cômodo escuro, recortando uma silhueta delicada. Era ela. Ava. Luca não disse

