A madrugada se arrastava sobre a cidade como uma manta cinzenta, pesada e úmida. O som dos pneus sobre o asfalto molhado quebrava o silêncio entre Darian e Isla. Dentro do carro, o ar parecia denso — não apenas pela neblina que se infiltrava pelas frestas das janelas, mas pelo peso das palavras não ditas. Desde que Giulio desaparecera, nada parecia se encaixar. Nem mesmo o olhar de Darian, antes tão firme, parecia o mesmo. Ele dirigia em silêncio, o maxilar travado, as mãos firmes no volante, como se cada curva fosse uma batalha para manter o controle. Isla observava o reflexo dele pelo vidro. A tensão estava estampada em cada linha do seu rosto. — Você ainda não me disse para onde estamos indo — ela quebrou o silêncio, a voz baixa, mas firme. — Para o porto — respondeu ele sem desviar

