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Rubi do Presidente - Bellavie MC

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intro-logo
Sinopse

Rubi Vasconcellos estava cansada de sobreviver.

Cansada do cheiro de fritura impregnado na pele depois de turnos duplos.

Cansada das contas atrasadas.

Cansada de amar pessoas que só sabiam destruir ela.

Mas nada se compara ao momento em que chega em casa e encontra o namorado na própria cama com sua melhor amiga.

Então ela vai embora.

Sem destino.

Sem despedidas.

Sem olhar para trás.

A primeira passagem de ônibus a leva para Bellavie, uma cidade costeira esquecida pelo mundo, dominada por motos, violência e homens perigosos. Tudo que Rubi queria era uma cerveja gelada, uma noite de paz e distância suficiente do passado para conseguir respirar outra vez.

Mas no segundo em que entra no Hell Harbor, o bar do temido Reapers Wolves MC, ela chama atenção do pior homem possível.

Raven Kane é brutal, tatuado, letal e completamente intocável. Presidente dos Reapers Wolves, ele governa Bellavie com punhos de ferro, uma Harley n***a e um olhar capaz de fazer homens armados abaixarem a cabeça.

Raven não acredita em amor.

Não acredita em fraqueza.

E nunca precisou de ninguém.

Até Rubi responder suas provocações sem demonstrar medo.

Até ela desafiar suas ordens.

Até ele perceber que nenhum outro homem poderia olhar para ela sem despertar algo monstruoso dentro dele.

Agora Bellavie virou uma prisão.

E Raven deixou claro para toda a cidade:

Ela pertence ao clube.

Pertence a ele.

Enquanto Rubi tenta resistir à atração perigosa entre os dois, segredos sombrios, guerras entre motoqueiros, corridas ilegais e violência crescente ameaçam destruir Bellavie. Mas nada é mais perigoso do que o homem obcecado decidido a protegê-la a qualquer custo.

Mesmo que precise matar por isso.

Em uma cidade governada por motores, sangue e lealdade, o amor deles nasce da forma mais perigosa possível: como uma obsessão impossível de controlar.

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Indo embora
Rubi narrando. Chego em casa soltando o ar que eu prendi pelos quatro lances de escada, esse prédio fede a cigarro, eu realmente não gosto do cheiro. Mas sendo bem sincera eu não posso reclamar, meu próprio cheiro de fritura é perceptível de longe, mas depois de dois turnos de doze horas, que me rendeu vinte e quatro horas em pé trabalhando na lanchonete de beira de estrada do Carl, não podia ser diferente. Meu primeiro turno foi de garçonete, mas quando seu namorado está desempregado você faz de tudo pelos duzentos que faltam do aluguel, e aqui estou eu, com meu pagamento, horas extras, gorjetas e esse último turno, todo meu dinheiro, que para o tanto que tenho que pagar os 3.800 vão embora rapidinho. Tiro o casaco da rua jogando na mesa e já reviro os olhos, Brad não limpou a cozinha, o chão… pelo contrário agora têm copos na mesa, embalagens de salgadinho, começo a pegar o lixo do chão mas então eu vejo, uma embalagem de camisinha? Mas, o quê? Me levanto rapidamente indo até o quarto, mas o som do chuveiro ligado me atrai mais a atenção, empurro a porta destrancada e vejo simplesmente, o meu namorado de dois anos, transando com alguém, ela está debruçada contra a parede gemendo. Eu engulo o grito e xingamentos que estou prestes a dar, mas então saio devagar, indo até a cozinha com todo o meu sangue fervendo. Pego os produtos de limpeza jogando por toda a casa, no sofá, na cama que eles dormiram, óleo de cozinha também, tudo que eu acredito que pegue fogo rápido. Encontro a caixa de fósforos rapidamente, mas quando estou prestes a acender eu penso em mim, eu já estou ferrada mesmo, sem namorado, com um chifre agora no meio da testa, mas… Eu tenho meu último pagamento, corro ao quarto e pouco me fodo para o barulho que faço, alcanço a mala em cima do guarda-roupa e a grande mochila preta que usava para acampar. Coloco tudo o que posso de roupas e sapatos, um par de toalhas, um lençol, meus produtos, arrumo o que posso. E quando falta apenas o que me pertence no banheiro eu abro a porta em um chute, a mulher grita horrorizada e escuto os xingamentos de quem ontem de noite dizia me amar e pedia perdão por não conseguir um emprego, me agradecendo pelos seis meses que eu tomava conta de tudo sozinha. — Rubi, eu posso explicar. — ele se apressa em dizer mas ignoro juntando meus produtos de cabelo, de rosto… — Não parem por mim, estou de saída. — digo com ódio e rancor na voz, mas ainda apressada, meu foco é sair daqui. Finalizo minhas malas e quando coloco a mochila nas costas uma mão me segura, o ódio me consome. — Me deixa explicar Rubi. — Explicar? Explicar o quê exatamente? A quanto tempo faz isso? Explicar que sou uma otária que trabalha igual uma corna, que de fato sou não é mesmo? Para sustentar você e esse apartamento de merda, eu vou embora, boa sorte para sobreviver sem mim. — Foi um erro, eu não amo ela. — ele tenta segurar meu rosto para que eu o olhe, mas já não respondo mais por mim. Viro minha mão solta em sua cara, com o susto do tapa ele me solta e ai eu o esbofeteio, diversos tapas em seu rosto até que ele começa a se esquivar para trás e bata contra a parede. — PARA RUBI — eu vejo a mulher enrolada de toalha dentro do banheiro, assustada, eu olho com desgosto para esse homem, e cuspo no chão perto dele. — Eu tenho nojo de você, mas espero que seja feliz. — pego minha mala e olho uma última vez para a garota. — Boa sorte querida, terá que trabalhar bastante para cuidar desse rapaz, mas se eu fosse você, se vestiria e correria daqui o mais rápido possível. Carrego minhas coisas, pego minha bolsa do trabalho e quando tudo está para fora de casa, eu acendo o fósforo jogando no carpete, não fico para ver a chama se espalhar, sei que rapidamente vão apagar. Mas por um bom tempo terá minha marca no chão, a mancha escura e preta de queimado. [...] Chego na rodoviária tarde da noite, me dirijo ao único balcão aberto e a atendente tira os fones para me atender, já cansada, eu sei querida, não imagina o dia que eu mesma tive. — Boa noite. — ela me deseja ainda e sorrio fraco, admirada, eu realmente estou tendo uma noite e tanto. — Boa noite, uma passagem para o próximo que sai por favor. — quando digo isso ela abre o maior sorriso que pode e bate palminhas animada. — Eu sempre ouvi isso em filmes, moça, desculpa mas eu sonhava com o dia que alguém ia me dizer essa frase dramática. — eu continuo a olhando, entendo o que ela diz mas realmente estou cansada. — Eh, desculpa, qualquer mesmo? Aceno com a cabeça e ela procura na tela do seu computador. — O próximo é para Bellavie e sai em dez minutos. — Pode ser, qualquer lugar, será no dinheiro. — digo e ela me passa o valor enquanto tiro as notas contadas da bolsa. — Muito obrigada. — agradeço com o ticket em mãos e ela que sorri, parece ainda comemorar minha urgência em sair dessa cidade. Me retiro indo até a frente do ônibus que já embarca e entrego minha mala para o bagageiro, logo sendo verificada e subindo. Lembro agora que ainda uso o uniforme da lanchonete, ainda cheiro a fritura, agora a suor e estresse, espero que ninguém fique do meu lado sinceramente, será muito vergonhoso. E eu não quero levar nada disso para essa nova cidade, não sei de onde me veio essa vontade, mas, nada mais me prende aqui. Não tenho família, meus amigos são os mesmos que o de Brad, e nenhum tão necessário assim, eu sempre fui sozinha, aprendi a ser, até mesmo namorando eu ainda estava sozinha praticamente. Encontro meu assento e fico imensamente aliviada ao perceber que ninguém está no do lado, me ajeito na janela continuo com a mochila e a bolsa no colo, eu tenho que arrumar tudo isso. Meu Deus, eu tenho que arrumar tanta coisa na minha vida [...] Acordo com a luz do ônibus sendo acesa, levanto-me e vejo que há apenas mais dez pessoas aqui presentes. — Chegamos, obrigada pelas quatro horas de viagem pessoal, são uma e meia da manhã, e Bellavie está dormindo. Ele diz e eu me levanto junto com todos, agarro minhas coisas e ao retirar minha mala percebo que estou ferrada. Imaginei que eu chegaria em algum lugar no início do dia, não pela madrugada, sem querer pegar indicações aqui, ou mexer no celular eu ando até o posto de gasolina que vejo do outro lado, a loja de conveniência está aberta e com o letreiro piscando. Assim que entro e o sino da porta toca, o homem atrás do balcão me encara, um homem grande, tatuado, careca e com jaqueta de couro. — Tem ducha aqui? — pergunto sabendo que muitos caminhoneiros param em postos para tomar banho. — Cinco minutos de água, esse preço. — ele aponta para uma placa perto dele e confirmo com a cabeça, mas antes de ir até ele comprar, pego uma escova de dentes, uma pasta e um sabonete, os de cabelo eu trouxe, e terei de fazer milagres. Ainda olhando eu encontro a parte de tintas de cabelos, e pensando bem… Eu estou em uma cidade nova, quero recomeçar minha vida, mereço ficar diferente. Pego uma tinta ruiva e sorrio sozinha, nunca fiz nada assim, sempre mantive o cabelo castanho claro natural, agora bagunçado depois de dormir, sujo pós longas horas de trabalho. Vou tomar banho nesse posto, mudar o cabelo, me arrumar e ser outra pessoa, a Rubi que antes existiu não será mais feita de trouxa. Coloco tudo no caixa e ele embala para mim, peço duas fichas de banho e saio apressada até onde ele indicou. O banheiro tranca por dentro em três lugares e isso me passa uma segurança rápida, coloco as minhas coisas no canto e abro a embalagem de tinta começando a ler. Já não tem mais volta.

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