Lívia A noite havia descido com um silêncio opressor sobre o Morro, como se cada casa, cada beco, se fechasse em segredos antigos. Enquanto Micael e Rafael debatiam estratégias de poder em suas vozes ásperas, senti uma inquietude me corroer por dentro: precisava agir por conta própria. Se “F.” deixara pistas na antiga casa de jogos, eu — e somente eu — as encontraria. Vesti-me em segredo: roupa escura, botas de couro macio e luvas sem dedos. Pendurei um coldre leve na cintura, guardei uma lanterna de LED no bolso e um canivete tático no forro interno do casaco. Quando as vozes dos irmãos se apagaram no corredor, saí deslizando pela porta lateral, cada passo calculado como se eu própria fosse espiã. O ar noturno era úmido, o cheiro de mofo e graxa misturado à fumaça distante de fogueiras

