Capítulo 50

1340 Palavras

Rafael Caminhei pelas vielas tortuosas do Morro como quem percorre uma velha cicatriz: cada pedra é uma memória, cada curva abre feridas. O frio da madrugada não diminuía o calor das lanternas a gás que eu empunhava, guiando-me até o ponto onde “F.” deixara outro bilhete serpentino: um selo em vermelho-sangue, estampado em cada esquina, insinuando um ritual clandestino prestes a começar. O bilhete anterior lera assim: “Ofereço estas cartas às almas que nunca tiveram voz. Venha às ruínas onde as crianças sussurram na penumbra. — F.” A combinação de culto e vingança me intrigava e aterrorizava. Eu, Rafael, policial de farda e irmão de Micael, sentia-me deslocado entre duas lealdades: à lei que jurara cumprir e à família que jurara proteger. Agora, cada passo podia aproximar-me de um segr

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