Micael As luzes das câmeras de segurança dançavam em múltiplos painéis na sala de operações. Ao meu lado, Lívia segurava a mão trêmula em que coloquei toda a firmeza de um senhor de guerra. O sargento Araújo juntava os dedos, pronto para apertar o botão que nos levaria ao depósito de armas — o ponto mais protegido da mansão. Eu observava a tela central, onde, em uma gravação recente, um vulto encapuzado transitava pelos corredores de serviço, aproximando-se do cofre de munições. A lente infravermelha captou o rosto: queixo quadrado, cicatriz fina sobre a sobrancelha direita, olhos de aço que me eram dolorosamente familiares. Levei a mão ao coldre e respirei fundo, sentindo o peso da traição rasgar meu peito. “F.” não era um estranho. Era meu irmão mais velho, Rafael — policial fardado, m

