Capítulo 48

1368 Palavras

Lívia O salão de jogos do Morro permanecia silencioso, um relicário de memórias apagadas, suas mesas ladeadas por cadeiras enfiadas e luzes mortiças emoldurando as paredes cobertas de painéis de madeira antiga. Caixas vazias de fichas e cartas espalhavam-se pelo piso escuro, como rastros de um passado agitado. Entramos sem fazer barulho: aquela era a câmara privada de Micael, onde disputas de poder passaram de cartas a corpos, de blefes a gemidos abafados. Ele fechou a porta com um click que me soou como sentença.  — Fique onde está — ordenou, voz grave. Senti meu corpo se enrijecer com a constatação. O tom de sua voz, grave e calculado, ecoava em meus ouvidos, indicando que cada movimento, cada palavra proferida, já havia sido meticulosamente planejado. Não havia espaço para negociaçã

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