Rafael A madrugada tinha cheiro de pó de arquivo e metal frio. Desci sozinho ao subsolo da mansão, onde a umidade trincava a pintura e a memória do Morro ficava empilhada em caixas numeradas. O painel biométrico da sala de acervos estava bloqueado ao meu acesso — previsão óbvia do meu irmão. Usei a lâmina fina no parafuso escondido, removi a tampa de inspeção e cruzei dois fios até a trava chiar como um réptil ferido. A porta cedeu. Dentro, o silêncio pesou. Gaveteiros de aço, pastas pretas e um cofre de canto. No topo de uma estante encontrei o que procurava: “Livro Razão – Parcerias”. Abri na metade: datas, cifras, iniciais de políticos e donos de depósitos. Pela primeira vez, vi o nome de Livia escrito não como mulher, mas como ativo: “Livia acompanha – garantir confiança”. Em outra p

