Livia O cheiro de fumaça ainda ardia na garganta quando acordei na antiga biblioteca, deitada entre livros tombados e cortinas chamuscadas. A névoa do gás se dissipava devagar, e o silêncio só era quebrado pelo estalo da madeira aquecida. Alguém abrira as janelas; o vento frio trouxe o Morro para dentro, com seus ruídos de madrugadas tensas. — Fica onde está — a voz de Micael cortou o ar, baixa e firme. Levantei o rosto. Ele estava de pé entre mim e a porta, arma baixa, terno escuro coberto de poeira. Rafael surgiu do outro lado, rosto retesado, um pen drive entre os dedos. Dois mundos a um passo de se chocarem de novo — e eu no centro, obrigada a escutar. — Não vou fugir — respondi, sentando devagar. — Chega de me carregarem como prova ou troféu. Rafael respirou fundo, como quem se p

