Capítulo 65

1165 Palavras

Lívia Despertei antes do sol romper o horizonte, com o corpo pesado e a mente febril. A névoa matinal invadia o quarto pelos vitrais altos, pintando as paredes de um cinza translúcido. Por instantes, fiquei imóvel, ouvindo apenas o sussurro distante do vento no Morro e o eco surdo das próprias perguntas que me corroíam. Rafael… As últimas palavras dele ainda ardíam na minha memória. Fora um comentário quase casual, mas tão carregado de veneno que me sentira entorpecida: “Ele não vale nada, Lívia. Já viu quantas mulheres trouxe para esse quarto? A última delas, Fernanda, não resistiu.” Eu recusara a feição de horror que me invadia — mas por dentro, algo se partira. Levantando-me, vesti o robe de seda, a textura macia um consolo tênue ao turbilhão interno. Procurei as cartas queimadas que

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