Rafael A madrugada era um animal enjaulado, uivando entre as vielas, soprando brisa fria pelas janelas semiabertas do Morro. Os rádios chiavam, o eco das ordens se misturava ao retinir distante de armas sendo engatilhadas. Eu caminhava rápido, o corpo tenso sob o colete, guiando meu pequeno pelotão até o beco que todos chamavam de “Fornalha”. Era ali que os boatos diziam estar escondido o novo ponto de venda de armas do “F.”. Meu sangue pulsava com uma energia antiga: hoje não era irmão, nem admirador de ninguém — era soldado. Dei o sinal para os homens se posicionarem: um grupo pelo esgoto, onde a escuridão e o cheiro fétido serviam de camuflagem, rastejando como sombras silenciosas; outro pelo telhado improvisado das casas, movendo-se com a agilidade de gatos, equilibrando-se sobre as

