Micael Tranquei a mansão como se fechasse um punho. Portões travados, ferrolhos cruzados, rotas de serviço com cadeados duplos e lacres de resina. O morro respirava do lado de fora — sirenes ao longe, um funk recortado pela ladeira, motos latejando como veias — mas aqui dentro era pulmão preso. Eu queria assim: o ar sob minha regra. — Ala norte, selada. — Sombra avisou pelo rádio, voz baixa, técnica. — Ala leste, quase. — Rafael acrescentou. — Falta o duto K-12. Esse maldito nunca fecha por inteiro. A Sala de Cinzas virou meu coração. O piso escuro recebia as lâmpadas de calor que levantavam o pó como neblina controlada. Ventoinhas em brisa mínima, sensores de vibração debaixo das dobradiças, câmeras baixas mordendo o rodapé. Reprogramei o algoritmo de detecção: primeiro o silêncio, de

