Capítulo 79

1721 Palavras

Livia O cofre não é só uma porta pesada e paredes reforçadas. É um som. Um silêncio que pesa no tímpano como um casco de navio, abafando o mundo até que o próprio sangue vire maré. Micael me deixou aqui com o micro no ouvido, a palavra de segurança guardada entre a língua e o dente, e o treino de respiração do pacto batendo no peito: entra em quatro, segura em dois, solta em seis. Repete. Repete até o coração obedecer. Lá fora, o morro roncava em ruídos picados — um funk distante quebrando a madrugada, moto subindo ladeira, um cachorro que insiste em latir para a sombra. Aqui dentro, o ar tem cheiro de metal limpo e sabão; o chão, frio; a luz, baixa o suficiente para que o reflexo da tela do monitor pareça um talismã. — No eixo? — a voz de Micael escorre no meu ouvido, baixa, estável.

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