Micael O zumbido do drone ainda rondava meus ouvidos quando decidi virar o jogo. Em vez de derrubá-lo, regravei sua rota, com o mesmo piscar de LEDs e a mesma altitude. Deixei nele um presente: um ping de telemetria adulterado, apontando para o antigo mercado municipal, ruína de ferro e azulejo onde o Morro guardou por décadas cheiro de peixe, gritos de leilão e segredos de família. Se “F.” queria palco, eu escolheria o cenário. — Sem ostentação — alertei no rádio. — Dois atiradores na claraboia, Araújo na doca, Monteiro no corredor da peixaria. Rotas de evacuação pelos túneis da câmara fria. “Luz” segue palavra de segurança. E ninguém se afasta de “Lua” sem minha ordem. Livia ajustou o colete como quem veste uma decisão. O olhar dela tinha um brilho que me punha de pé: firmeza, não bra

