Micael O morro não dormia. De cima, os becos pareciam veias pulsando luzes fracas, como se a favela respirasse por conta própria. Mas havia algo podre correndo dentro dessas veias, e eu estava decidido a arrancar com as próprias mãos. As mensagens que chegaram a Livia não podiam ser obra do acaso. Um segredo só nosso tinha sido cuspido no vapor do espelho. Isso significava duas coisas: alguém muito próximo abriu a boca, e “F.” estava mais perto do que eu imaginava. — Foi dentro do time de Diniz. — murmurou Sombra, trazendo o relatório seco. — Um dos soldados anda saindo do padrão. Conversas atravessadas, passos errados. Meu maxilar se travou. Traição era o único pecado que eu não perdoava. — Nome. — exigi. Sombra hesitou. — Chamam de Cacau. Moleque novo, entrou pelo atalho do Diniz.

