Capítulo 17

1459 Palavras
Rebeca se virou rápido. Era Noah. Ela falou, afastando-se séria: — Hoje com certeza não. Ele respondeu indo atrás, com um sorriso lascivo: — Dá uma voltinha, deixa eu te ver melhor. Nem acredito que você veio até aqui. Está muito linda! Rebeca balançou a cabeça que não, encostou olhando para a pista de dança, ignorando-o. Ele perguntou se ela queria uma bebida, mostrou uma mesa cheia e disse que ela podia ficar à vontade para se servir. Aisha se aproximou, abraçando-a, e falou com deboche: — Ela não toma essas porcarias, deixa minha amiga em paz. Você sabe das regras! Ele falou, incomodado: — Regras, Aisha? Você nem tem amiga de verdade e eu já estava interessado nela antes de você inventar de ser amiguinha. Ela ficou brava e falou séria: — Como se você fosse muito diferente de mim, né? Todos aqui gostam do seu dinheiro, não de você. E ela não faz o seu tipo! Ele respondeu, irônico, que o tipo dele era mulher bonita e ela não tinha o direito de decidir as coisas assim, pela Rebeca ou por ele. Foi um pouco grosso, perguntando por que ela tinha ido até lá então, se a protegida era intocável. Rebeca falou que não estava interessada e que não tinha ido lá para vê-lo. Eles estavam discutindo no meio da festa, e ela, sem entender. Aisha mandou ele ir se f***r, saiu da área VIP puxando Rebeca pela mão. Ficou muito brava, parou no bar e pediu um litro de bebida. O rapaz falou, querendo negar: — Um litro? Tem certeza? Ela respondeu, irônica: — Não, quero dois. É pra hoje ou pra amanhã, Levi? Anda logo! Ele respondeu, com medo, que precisava de autorização. Enquanto ela se revoltava com ele, dizendo que estava cansada daquela merda, Noah se aproximou, deu sinal para o cara do bar entregar o litro a ela e foi puxando-a pelo braço, dizendo de forma mais calma: — Eiii, você não precisa ir, vamos ficar de boa. Aisha, por favor, não começa! Com você tudo é sempre assim, difícil. — Onde vão dormir hoje? Podem ficar comigo. Ela ficou quieta, ignorando Noah. Pegou o litro, olhou para ele e falou, cínica: — Comigo tudo é sempre muitooo difícil. Não é da sua conta. Ela sorriu e soltou o litro no chão, quebrou perto dos dois. Ela pegou Rebeca pela mão e saíram as pressas. Ele só ficou parado olhando com raiva. Saíram da balada, quando entraram no carro, Aisha falou: — É sempre assim. Acho que ele já nem liga mais, só espera o pior de mim. Desculpa por isso, eu sou problema e ele tem razão, é melhor que a gente fique longe. — Eu não sou boa companhia, pra ninguém. Rebeca perguntou, confusa, se eles tinham algo. Ela respondeu rindo: — Não, menina, ele é meu meio-irmão, mesmo pai, mães diferentes. Adivinha a mãe de quem o papai realmente ama? Rebeca falou que a mãe dele. Ela respondeu: — Isso mesmo. Perdi minha mãe quando bebê e fui criada por eles. Meu pai não gosta de mim, meu nascimento acabou com o casamento dele e ela me adotou por pena, obrigação. — Não que ela seja r**m, mas é complicado, eu acho que eles só me criaram por obrigação. O Noah tem tudo, pode tudo, é amado incondicionalmente desde sempre. Às vezes eu odeio ele e até a mim mesma! Rebeca percebeu que ela era mais problemática do que parecia. Ficaram quietas. Foram para Jumirim, a cidade da Rebeca, pararam na Arena Underground. Aisha chegou lá dizendo que queria correr. Rebeca pediu para ela não ir. Ela falou que ia sozinha e que, se ganhasse, o dinheiro era de Rebeca, para ajudá-la a realizar seu sonho. Rebeca respondeu, apreensiva: — Não, deixa pra lá. Eu tô com um mau pressentimento, não vai. Por favor. Aisha falou, rindo: — Quase todos os dias eu já acordo assim. Se for me importar com essas coisas, não vivo. Vai, pode descer e me espera que eu já volto! — Não vai acontecer nada. Rebeca falou que então ia ficar com ela. Mesmo com medo, foi. No começo, fechou os olhos. Aisha falou, rindo: — Vai se molhar toda? De medo? Abre o olho, Rebeca, e vê se aprende. Foi uma das melhores coisas que Rebeca já viveu: a euforia, o êxtase de estar na frente. Aisha ganhou a corrida. Quando voltaram para o local de partida pegar o dinheiro, chamaram-na para correr de novo. Ela perguntou se Rebeca queria arriscar perder tudo. Rebeca falou que era melhor deixar para a próxima. Aisha estava comemorando, ganhando parabéns de quem viu. Falou que ia beber e ir dormir na casa de Rebeca. As duas estavam rindo juntas, encostadas no capô do carro, quando Neto chegou muito bravo, puxando Rebeca pelo braço. Perguntou se ela estava ficando louca. Ela falou irritada para ele soltá-la. Ele respondeu, indignado: — Porque você saiu daquele jeito? Faz ideia de como eu fiquei preocupado? E o que você tava fazendo lá com ela? Tá ficando louca? — A Aisha já bateu o carro, mais vezes do que eu posso lembrar. Rebeca falou para ele ir embora e deixá-la. Ele continuou confrontando-a, segurando nela hostil, a intimidando. Aisha estava discutindo com Júlio ao lado, dizendo que era livre. Rebeca empurrou Neto e falou alterada: — Ah, você não sabe? Você nunca sabe de nada, é sempre muito fácil só ir deixando tudo acontecer, né? Aquela festa, Neto, e aquela garota, se jogando em cima de você! Ele respondeu, alterado, que não sabia da festa, que ela estava sendo imatura por ter saído daquela forma, deixando-o lá, e que ela estava louca. Rebeca falou o olhando profundamente nos olhos séria: — É, eu realmente sou imatura, uma boba. Sabe, eu confiei em você a minha vida toda, cresci vivendo na sua sombra, mas hoje não mais. — Isso, nós, não dá! Você disse que não ia me machucar, mas tá fazendo muito pior que o Felipe, eu vi tudo, suas conversas. Ele falou, afirmando, que então era tudo por ciúmes e que a Pâmela ou a Débora, não significaram nada. Rebeca respondeu, muito brava e decepcionada: — Tá vendo só? Você não entende. É sobre exatamente isso. Eu nem sei quantos anos eu tenho, caramba, nem tudo é só sobre você e sua vida incrível. — Nós tínhamos planos e prometemos muitas coisas um ao outro, só que não somos mais crianças e está nítido que você não é, nem quer ser mais o mesmo. Não quero mais nada com você, nem sua amizade! — Eu nem sabia da Débora. Por causa dela, eu sai da escola e você nem liga. Antes de ele responder, Noah encostou o carro bem perto deles, chegou derrapando feito um louco, desceu invocado, falou para Júlio sair de perto da Aisha e o avisou, que se gritasse com ela de novo, ia perder os dentes. Ele era alto forte, marrento, do tipo bad boy, que colocava medo nas pessoas. Aisha falou para Júlio: — É melhor você ir, não temos mais nada pra conversar, eu não quero mais ficar com você, cansei. Ele se afastou um pouco. Rebeca se afastou de Neto, que estava tentando conversar. Chegou a empurrá-lo o mandando parar. Noah encostou no carro de Aisha, super grosso, chamando a atenção dela e perguntando o que ela estava pensando, pra correr de novo. Vendo aquilo, Rebeca ficou incomodada, entrou no meio e falou para ele irritada: — Não trata ela assim, olha o seu tamanho, você deveria se envergonhar! Aisha falou para ele, provocando: — Não tem ninguém da família vendo, para de fingir que se importa, Noah. Deixa, Rebeca, eu já tô acostumada! — Ele late, mas não morde. Ele estava muito bravo. Falou, mandando que ela entrasse no carro e fosse pra casa, disse que ia junto. Ela ficou retrucando, afrontando. Ele disse que tinha ido levar a bebida para ela, se desculpar, fazer as pazes, mas que ela tinha que estar correndo. Ela falou para Rebeca, ignorando-o: — Vem, eu te levo embora. Você não quer ficar aí, né? Com o Neto? Super sem jeito pela discussão dos dois, Rebeca falou para ela: — Não precisa, eu me viro, mas você vai ficar bem? Sozinha? Noah entrou na conversa e falou para Rebeca: — Você realmente não sabe nada dela, né? Rebeca se aproximou de Aisha, que estava quase chorando. Aisha falou para ele calar a boca. Rebeca a abraçou. Ele falou sério: — Anda, vamos embora. Leva sua amiga e eu vou atrás, nem pense em fazer nada, Aisha! Ela falou para Rebeca: — Tá tudo bem. Vamos, vou te levar. Ou eu mesma vou dar uns socos no Neto.
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