Capítulo 18

1500 Palavras
Rebeca entrou no carro com ela. Aisha ficou calada o trajeto todo. Quando chegaram na frente do centro de reciclagem, ela deu o dinheiro da corrida e falou, sem olhar para Rebeca: — Você é uma pessoa incrível, mas não é bom que a gente continue andando juntas. Eu sou problema, só me meto em encrenca. — Agora, sem o i****a do Júlio, acho que não vamos mais nos encontrar. Se cuida, você é muito boba e o mundo não é gentil com meninas assim! Rebeca ficou confusa e falou que não era muito seletiva nas amizades, que não podia escolher, que só podia aceitar as que apareciam. Aisha falou, chateada: — Às vezes é melhor ficar sozinha. A gente se tromba qualquer dia, e nada de ir ficar com o Neto, tá. Ele vai te decepcionar, se continuar sendo boazinha. Elas se abraçaram. Deu para ver que Aisha não queria falar aquelas coisas. Rebeca não entendeu nada, mas notou que ela estava tentando se afastar. As coisas que Noah falou a magoaram. Ele estava bem perto, no carro dele, esperando. Rebeca desceu e foi para casa também chateada. Se deitou pensando nas coisas que viu no celular de Neto. No dia seguinte, já cedo, Neto foi chamá-la, disse que ia fazer churrasco, ela não atendeu. No final do dia ele voltou, ela saiu no quintal, foi andando para fora, longe de casa cabisbaixa, séria. Ele disse que queria se desculpar. Rebeca se manteve fria e calma. Falou que não ia adiantar ficar falando nada, nem pedindo desculpas. Ele chorou na frente dela e perguntou o que precisava fazer para ser perdoado, disse que não sabia, que ela gostava tanto dele, além da amizade. Ela respondeu, segurando-se para não chorar: — Não tem o que fazer, porque eu posso te perdoar um dia, tô magoada, mas vai passar. Só que o nosso laço nunca mais vai ser o mesmo, pois eu não confio mais em você. Não quero ser sua amiga ou ter qualquer coisinha com você, entende? — Você sabia que ia me magoar ou não tinha mentido. Ficando com elas. Tenho nojo de você. Ele logo mudou o jeito de falar e jogou na cara dela que ela não tinha atitude para nada, que havia parado no tempo e queria que ele ficasse junto, na pré-história, porque tudo a incomodava e ela nunca quis nada com ele, e perdeu a cabeça vendo ele ficar com outra pessoa, sendo que os dois não estavam nem se beijando direito ainda. Rebeca falou, levantando: — Uauuu, é isso aí. Continua! Você é igual a eles todos, na verdade você é pior, porque me conhece desde sempre e agora tá me comparando com elas. Eu queria entender por que foi me beijar e ficar daquele jeito comigo na piscina, já que tem várias meninas atrás de você, mais bonitas e experientes que eu. — Era um desafio? Uma aposta com o seu primo? Ia se sentir homem sendo meu primeiro? Porque você sabe que eu nunca estive com ninguém. Estavam no portão da casa dele. Ela não deixou que ele falasse mais nada. Saiu andando em direção à cidade, com ódio. Ficou com medo porque o tio dela não podia nem imaginar aquelas coisas. Andou até a Arena Underground, onde tinham as corridas. Queria ver a Aisha. Tinham alguns conhecidos, mas não eram amigos dela, eram de Neto, Júlio e Aisha. Ficou sentada em um mesa de cimento, só observando e pensando na vida. Estava com esperança de que Aisha fosse até lá. Chegou a perguntar por ela. Quando cansou de ficar sozinha, foi perguntar que horas eram, porque tinha esquecido o relógio em casa. Um dos meninos que estava perto falou alto olhando para atrás do carro: — Noah, ela tá procurando a Aisha. Ele havia acabado de chegar, se aproximou e perguntou sério a olhando nos olhos, o que ela queria com Aisha. Rebeca falou que nada, sustentando o olhar. Ele respondeu, brincando, que então não podia ajudar. Ela falou, afastando-se: — Eu não esperava nada muito diferente vindo de você mesmo! Ele foi atrás e perguntou se ela tinha ligado para Aisha. Rebeca falou, irritada: — Eu não tenho celular. Dá pra parar de andar atrás de mim? Por favor. Ele respondeu, surpreso, tirando o celular do bolso: — Toma, pode usar o meu! Rebeca balançou a cabeça que não. Ela m*l sabia mexer e ficou com vergonha. Parou de andar, olhando uma corrida. Ele ficou reparando em como ela estava diferente, sem maquiagem, olhar triste, perguntou se ela estava bem, se tinha acontecido alguma coisa. Ela falou, chateada: — Eu só queria conversar com ela, mas tá tudo bem, outro dia a gente se fala. Ele falou, mexendo no celular, que ia levá-la para vê-la. Rebeca ficou com receio, pensativa. Ele ligou várias vezes, mas Aisha não atendeu. O tempo todo mostrou o celular, as mensagens, as ligações. Falou com a mãe para saber se ela estava em casa e disse que podiam ir vê-la. Vendo que Rebeca estava com medo de ir sozinha, falou que não ia matá-la e sumir com ela, nem fazer nada de m*l. Mandou um áudio para Aisha dizendo que estava com Rebeca. Ela aceitou ir com ele. Quando estavam caminhando até o carro, Rebeca viu Neto parado, encostado longe, olhando para ela sério. Noah também viu e falou: — Acho que seu namorado quer falar com você. Ela falou que não eram mais amigos. Ele perguntou se ela queria dirigir, para se vingar dele. Rebeca respondeu: — Não sei, que efeito isso dá? Em um homem? Ele jogou as chaves para ela e respondeu, rindo: — Ele vai ficar muito bravo, se sentindo impotente e com certeza vai levar para o lado pessoal, a vingança. Talvez nunca mais fale com você, essas coisas. Homens são meio que territoriais! Entende? Rebeca falou, abrindo a porta no lado do motorista: — Entendo, tipo se achar o dono da mulher. Foram entrando. Quando ela virou a chave e o carro ligou, pisou no acelerador só para sentir, segurando a embreagem. Ficou toda arrepiada, encantada com o painel, o ronco, com tudo. Falou para ele: — Olha as regras, sempre coloque o cinto de segurança, independente de ser o motorista ou o passageiro. Ele disse que aquela regra era dele. Rebeca falou, irônica: — Olha só, ele usa a cabeça às vezes! Ele foi falando onde era o caminho e perguntou por que ela era daquele jeito, diferente. Rebeca falou que não tinha entendido a pergunta. Ele disse, curioso: — Você é um mistério, não conversa com ninguém, não tem celular e não gosta de beber. Parece tímida, reservada, mas só quando quer. Como se já não bastasse tudo isso, gosta da minha irmã e se preocupa com ela. Rebeca falou que as condições financeiras a fizeram crescer assim, mais no canto dela. Ele falou: — Mas você não me parece gananciosa, não se deslumbra com dinheiro, não. Você gosta da sua simplicidade! Eu já vi você trabalhando com o seu namorado. Ela falou, rindo: — E pra que vou me deslumbrar com algo que não posso ter? Ele concordou com ela. Disse que era difícil ver meninas novas como ela sendo tão cabeça, pé no chão. Perguntou por que estava brigada com o namorado. Rebeca falou que ele não era mais tão amigo e nem nada. Ele falou intrigado: — Rola algo, né, entre vocês? Ele me olha igual um Pitbull. Rebeca ficou quieta. Ele disse que ela não devia perder tempo com meninos, porque um homem mesmo nunca ia deixar uma mulher como ela passar e escapar. Ela sorriu, irônica, e falou: — Aham. Ele respondeu, rindo: — Não tô falando que sou eu, ahhhh, eu não tenho vocação pra essas coisas. Mas sou sincero, se isso vale de alguma coisa. Eu não minto pra mulher nenhuma, quem se envolve comigo já entra sabendo que eu não sou muito boa coisa. Às vezes o cara bonzinho é muito pior que o cara malvado! Rebeca concordou, mas disse que, no fundo, todos eram iguais. Ele perguntou se ela já tinha tido muitas experiências para falar com tanta convicção. Ela respondeu: — Não, mas todas que tive me machucaram. E você? Virou essa pessoa fria, sem sentimentos, porque uma mulher boazinha ficou malvada e te machucou? Ele começou a contar das decepções dele. Disse que não era muito diferente dela, por não confiar. Quando chegaram à casa dos pais dele, a mãe saiu para recebê-los muito atenciosa e falou, espantada: — Quem é ela, Noah? Veio dirigindo seu carro? Ele beijou e abraçou a mãe, falou deixando Rebeca envergonhada: — É uma amiga da Aisha, ela é de confiança, só por isso deixei. É linda, não é, mãe? Ela concordou e falou que Rebeca não parecia muito com as amigas que iam lá. Ele falou, entrando: — Eu já disse que a Aisha é problema, mas talvez essa seja uma boa influência! Vem, vamos acordar ela!
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