Capítulo 37

2091 Palavras
Ele disse que ela estava ficando louca, que era ingrata, falou para Tassiane conversar com ela. Tassiane pediu para ele ir embora. Revoltado, ele começou a criticá-la, dizendo que nunca nem foi amiga de Rebeca, que ela nem se formou na escola por causa dela. Felipe estava com raiva, querendo bater mais no Neto. Ele falou para os três, provocando Felipe: — Tá bravo porque não conseguiu, né? A Tassiane fica defendendo a Rebeca, mas todos nós aqui sabemos que era com ela que você queria ficar. — Na primeira oportunidade os dois ficam. Você acha que conhece a Rebeca, mas está enganada. Contou pra eles sobre ontem? Eu ainda fui i****a em te perdoar! — Você estava se jogando naquele cara. Rebeca falou que não tinha ficado com o Noah, ainda, mas que iria e faria de tudo, quantas vezes ele quisesse. A vontade do Neto era voar pra cima dela. Ele disse que ela só ia estar provando que era mesmo p**a e interesseira. Felipe não aguentou e partiu pra cima. Os dois foram saindo brigando, trocando socos. Foi difícil separar. Ele foi embora chutando tudo que encontrou. Super nervosa, chorando, Rebeca falou que o tio dela não ia deixar ela continuar morando lá. Felipe falou que ela não tinha feito nada errado, além de confiar em alguém que não merecia. Tassiane estava perto e falou que Rebeca não podia ficar lá sozinha. Os dois a ajudaram arrumar tudo. Rebeca jogou metade das coisas do quarto fora. Depois, Tassiane perguntou a sós se ela tinha se prevenido, usado camisinha. Envergonhada, disse que não. Tassiane perguntou quando tinha sido. Ela falou constrangida: — Ontem e hoje! Tassiane a abraçou e respondeu: — Vamos comprar uma pílula do dia seguinte pra você, funciona até 24 horas mais ou menos, pode ajudar. Tudo bem? Rebeca balançou a cabeça que sim. Já tinham arrumado a casa. Ela se trocou. Felipe estava com o carro do pai dele. Quando passaram na frente da casa do Neto, todos ainda estavam lá e a música alta. Tassiane falou irritada: — Espera aí, vou buscar uma coisa! Felipe falou para ela deixar quieto. Ela respondeu, entrando: — Nem pensar, é da Rebeca! Ele não é nem louco de vir falar alguma coisa pra mim. Ela voltou bem rápido, com um bolo decorado nas mãos, falou que era para Rebeca. Ela respondeu surpresa, triste: — Eu nunca mais vou comemorar aniversário nenhum, mas obrigada assim mesmo. Foram para a casa de Tassiane, passaram na farmácia. A mãe de Tassiane ficou fazendo perguntas. Olhou para Rebeca julgando, como se ela tivesse feito algo errado. Tassiane contou sem muitos detalhes o que aconteceu. Quando a mãe dela ficou sozinha com Rebeca na cozinha, falou: — Suponho que você vá querer dormir aqui hoje. Já que seu tio não está em casa! Rebeca respondeu desconcertada: — Não, eu já vou embora. A Tassiane quis me tirar de lá um pouco, mas não vou ficar! Ela insistiu para eu vir. A mulher respondeu irônica: — É, com certeza insistiu. Pode ficar, vai saber o que esse menino pode fazer com você sozinha! Eu sempre quis saber por que só esse homem cria você, ele não parece ser muito cuidadoso. Isso é preocupante! Incomodada, Rebeca falou que foi abandonada pela mãe e que ele, irmão do pai falecido, a criou. Falou que ia embora encontrar uma amiga. Mentiu para Tassiane. Foi difícil, mas ela acreditou. Já era de noite. Antes de ir para casa, foi até a Arena. Queria falar com Aisha e estava disposta até a aguentar as brincadeiras idiotas do Noah. O pessoal com quem ficava estava todo lá, incluindo o Júlio. Ela deu a volta para passar longe. Foi falar com os amigos do Noah. Disseram que ele estava na boate. Ela tinha saído sem celular. O rapaz das apostas perguntou se estava tudo bem. Era nítido que não. Rebeca estava abatida, pálida, com frio e olhos inchados e vermelhos. Falou que precisava ir embora. Ofereceram carona até a boate. Ela ficou com medo, de ir sozinha. Um deles falou, mexendo no celular: — Tô indo pra lá agora. Ele colocou no viva-voz a ligação e falou: — Noah, e aí, beleza? Aquela menina ruiva, tá te procurando aqui, falei que você tá na boate, mas ela não quer ir comigo, não sou tão legal quanto você. — Tá no viva voz. Ele respondeu sério: — E aí, a Rebeca? Traz ela! Rebeca balançou a cabeça que não. Ele tirou do viva-voz e falou: — Parece que sim. Não, tá sozinha. Não, tá bom. Não, beleza. Depois disse a ela: — Vou te levar e, como o Noah sabe que você não confia em qualquer um, pode ir dirigindo meu carro. Rebeca falou, olhando para o Júlio de longe: — Não, eu preciso ir embora. Obrigada por ligar lá! Se ele perguntar, só fala que eu preciso muito, falar com a Aisha. Ele insistiu, foi até legal com ela, mas ela achou melhor ir pra casa. De longe, viu o deboche do Júlio falando dela com uma menina. Ela correu até Rebeca quando estava indo embora. Quis conversar, saber se ela estava bem. Rebeca se segurou para não chorar. Todos estavam meio que sabendo o que tinha acontecido, achando que ela tinha traído Neto. Quando o Júlio se aproximou, se fazendo de bonzinho, ela não aguentou. Começaram a discutir. Rebeca falou várias coisas, atacando-o. Disse que ele tinha conseguido o que tanto queria: afastar o Neto dela. Ele a chamou de maluca interesseira. Disse que ela estava brava porque o golpe dela havia dado errado, já que Neto sabia quais eram as intenções dela. Todos viram que estavam brigando. Alguns colegas foram entrar no meio. A menina, o tempo todo, ficou do lado de Rebeca. Ela deu parabéns pra ele e deixou bem claro que não era para ele e o primo dele nunca mais olharem para ela ou falarem com ela, senão faria da vida dos dois um verdadeiro inferno e não ia ter dinheiro no mundo que pudesse ajudar os dois. Ele era bem afrontoso. Tratou-a muito m*l. Rebeca saiu de lá chorando, arrasada. Um casal a levou pra casa. Ela foi dormir trancada. Achou o celular jogado no quarto. Foi mexer. Pensou em ligar para o Noah, mas o número dele não estava mais lá. Soube na hora quem apagou: Neto. Ficou com mais raiva ainda. No outro dia cedo, o tio dela voltou da pescaria com o Célio. Quando levantou, ela já ouviu que ele estava em casa. Foi para a cozinha sem falar nada. Ele perguntou se ela tinha aproveitado o aniversário. Rebeca começou a inventar algumas coisas. Disse que foi muito legal, que teve festa e bolo. Ele perguntou sério se tinha acontecido alguma coisa, porque ela não estava com cara de quem tinha se divertido tanto. Ela falou que tinha brigado com o Neto, porque ele fazia coisas que ela não gostava com os novos amigos. Fez tudo de caso pensado. Falou algumas mentiras e disse que queria trabalhar em outro lugar. Ele ficou de pensar. Não gostou muito. Ficou com a pulga atrás da orelha com ela. Mais tarde, ela saiu lá fora, no galpão, e foi levar a garrafa de café para todos. Viu o Neto de longe. Serviu a todos, menos a ele. Célio perguntou brincando o que tinha acontecido. Muito bravo, Neto foi embora sem falar nada, largou o trabalho. Rebeca falou irônica, rindo: — Ele anda tão estressado, né? Credo! Célio disse que estava cada vez mais difícil conversar com o Neto. Pediu para ela dar uns bons conselhos ao amigo. Rebeca falou que ele não a ouvia mais, que agora só ouvia o Júlio. O tio dela perguntou se era por causa dele que brigaram, do Júlio. Ela falou que não e mudou de assunto. Notou que Neto parou de trabalhar. Ela também não estava indo mais. Dias depois, quando o tio viu o quarto dela, brigaram porque ele não era bobo. Sabia que tinha acontecido alguma coisa. Tentou muito conversar com ela. Disse que, se qualquer pessoa tivesse machucado ela, era pra falar e não ter medo. Rebeca negou o tempo todo. Insistiu dizendo que não era como eles, Neto e todo mundo da idade deles. Tudo aquilo gerou nela uma revolta muito grande. Era como se tivesse desligado algo dentro de si. Resolveu ir procurar trabalho na cidade, mesmo contra a vontade do tio. Todos os dias, quando acordava, já passava maquiagem nos olhos. Aquilo o deixava muito irritado. Nos primeiros dias brigou e mandou tirar. Ela só ignorou. Tassiane ficou de ajudá-la com o currículo. Foram juntas entregar em algumas lojas e lanchonetes. No outro dia, Rebeca levou dinheiro das economias e comprou roupas novas do jeito que o tio odiava. Antônio estava ficando desesperado, com as mudanças dela e sabia que aquilo, era influencia de se dom. Na sexta-feira, ela limpou a casa toda. Quando Antônio entrou, pareceu triste. Fez o jantar e falou que ia sair. Ele perguntou onde ela queria chegar daquele jeito, vestindo aquelas roupas vulgares, estranhas, se pintando já cedo. Ela falou irônica: — Sua preocupação não era em eu não ajudar as pessoas? Pode ter certeza que isso não vou fazer. Sabe o que é, tio? Eu cansei. — De mim, dessa vida. Esperei uma ligação no meu aniversário e minha madrinha não ligou. Cansei de deixar as pessoas decidindo a minha vida por mim! — Já posso tomar, minhas péssimas decisões. Ele começou a chamar a atenção dela, pedindo para parar. Disse que queria saber o que aconteceu para ela mudar tanto. Ela continuou respondendo m*l. Foi se arrumar para sair. Colocou um croped tipo sutiã de renda, shorts jeans curto escuro, tênis vans preto, passou um batom vermelho sangue. Já era para ele estar dormindo. Quando ela foi sair, a porta estava trancada e ele na sala. Antônio falou que ia ser do jeito difícil, que já não adiantava mais conversar com ela. Rebeca sentou no sofá e falou irônica: — Como se você tivesse alguma ideia de como é ser eu. — Você me criou aqui nesse lugar miserável, como se eu fosse especial. Mas não sou. Ele levantou, desligou a televisão e mandou ela ir dormir. Rebeca levantou e falou, querendo irritá-lo: — Sabe o que eu não paro de me perguntar? Por que você se dedica tanto a alguém que nem é sua filha? É algum tipo de amor doentio? Te incomoda eu estar crescendo? Podendo namorar, casar e ter filhos? Deixando você sozinho? — Se você fosse um homem bom, teria algum familiar perto. Deve ser r**m. Ele deu um tapa no rosto dela. Rebeca caiu sentada no sofá. Ficou assustada. Nunca tinha apanhado dele antes. Ele pegou as chaves, jogou no chão e foi para o quarto. Ela ficou parada, com a mão no rosto. Estava ardendo. Derramou algumas lágrimas de raiva. Saiu do mesmo jeito. Foi para a Arena andando. Neto tinha ido para a casa da avó com o Júlio, ela ouviu Célio falando. Chegando na Arena, foi ficar com o pessoal que conhecia. Ela estava de cabelo preso, em um coque frouxo. Nem tinha visto que o rosto ficou marcado. Uma menina falou com espanto: — Oi, lindinha, o que aconteceu com seu rosto? Quem fez isso? Rebeca foi olhar no espelho do carro e falou, soltando o cabelo: — Não é nada, meu tio brigou comigo. Ela perguntou preocupada: — Mas você tá bem? Rebeca falou que estava e que ia comprar água. A menina se ofereceu para ir junto. Ela falou que não precisava. Na verdade, só queria sair de perto deles. Foi andar um pouco. Parou para ver as corridas. Ficou mais de meia hora lá. O rapaz das apostas se aproximou e perguntou quais eram os palpites dela. Rebeca falou: — Não tenho dinheiro pra isso. Ele respondeu: — Não tô te dizendo pra apostar, eu confio no seu jogo. Dá seu palpite e, se eu ganhar, divido com você. Ela falou que não estava nem prestando atenção em quem ia correr e que ficava para a próxima. Saiu andando, afastando-se mais. Foi para uma área escura que durante o dia faziam piqueniques. Tinham poucas pessoas perto. Achou uma mesa vazia. Deitou nela olhando para o céu, com os pés no banco. Ficou imaginando como era bom ter dinheiro para comprar tudo: carro, joias, roupas, casas, tudo de bom. Tomou um susto quando ouviu bem perto: — Tá bêbada? Achei que você não bebia!
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