Rebeca falou que não poderia estar mais feliz. Comeu vários doces e começou a ficar um pouco alegre. Fizeram uma vaquinha de presente e lhe deram dinheiro para ir apostar. Quando ela estava indo, ganhou uma garrafa de Skol Beats, Neto pediu para tomar cuidado, disse que não era para ela ficar bebendo do copo de ninguém. Ela falou, rindo, já bem alegre:
— E eu vou ficar com sede? Não tem nada sem álcool aqui.
Ele disse que ia buscar. Foi com o Júlio a um bar na mesma rua. Rebeca foi fazer a aposta. Começou a conversar com o rapaz que cuidava disso. Falou que era seu aniversário e que o dinheiro tinha ganhado dos colegas. Ele lhe disse que ela podia dar a largada. Rebeca falou surpresa:
— É sério? Mas não gostei desses dois aí, não vou jogar meu dinheiro ao vento. Quem são os próximos?
Ele respondeu:
— Ahhh, você é esperta. Vem, pula a grade aqui, vai lá dar a largada!
— Depois, você aposta.
Ela falou que queria apostar em uma mulher. Ele a ajudou a pular. Ela foi para o meio da largada, lindíssima, com o cabelo ao vento. Conversou com os dois que iam correr, desejou sorte.
Quando foi pular para sair de lá, quase caiu, já estava um pouco bêbada. O rapaz das apostas a ajudou. Ela ouviu bem perto:
— Achei que você ia ficar lá pra me desejar boa sorte também.
Era o Noah. Rebeca respondeu, séria, arrumando a roupa:
— Talvez, se eu quisesse te ver ganhando, não é o caso.
Ele estava sério. Falou, contando um maço de dinheiro:
— Quem sabe um dia você ganhe de mim. Mas eu prefiro arrebentar meu carro no muro do que perder pra você.
Rebeca o ignorou e foi saindo andando. Ele perguntou se ela estava em condições de correr. Ela falou que não estava com vontade. Ele falou, contando dinheiro:
— Entendi. Ia te fazer uma proposta, sei que de dinheiro você gosta, ganhado de forma honesta, é claro.
Rebeca falou que não, vindo dele. O rapaz falou para ela:
— Desistiu de apostar? É aniversário dela hoje! Eu vou apostar em quem ela for, ela tá com cara de que vai ganhar.
Com deboche, Noah falou, encarando-a:
— É, eu tô sabendo. Por isso ela tá assim, achando que pode tudo. Seu namorado saiu e te deixou?
Rebeca falou séria:
— E quem é você pra me dizer o que posso ou não fazer? Sem dinheiro você é quem mesmo?
Ele deu risada, irônico. Falou que tinha ido lhe entregar uma coisa, um presente, que estava lá no carro dele, mas que não dava a mínima se ela fosse ficar com frescura. Também a ameaçou, dizendo que ela devia tomar cuidado com o que falava. Rebeca respondeu rindo debochada:
— Aiii, estou morrendo de medo. Obrigada, mas não quero nada!
Ele disse que não era dele, mas sim da Aisha. Ela já estava andando, parou e falou:
— Ela tá bem? Por que não fala mais comigo? Eu fiz alguma coisa pra ela?
Ele falou, saindo andando e passando por ela:
— Ela tá sim, vem comigo.
Ela falou que não ia a lugar nenhum com ele e que, se Aisha quisesse, iria ela mesma lhe dar seja lá o que fosse. Ele falou, sério:
— Ela disse que você não ia querer nada e eu falei que não seria surpresa nenhuma, não pra mim pelo menos. A Aisha não pode vir entregar, ela queria, mas eu não deixei.
— Ela não te abandonou porque você é uma má amiga, se é isso que tá pensando pode ficar tranquila. Tô indo embora. Se você quiser, é a última vez que eu tento, não tenho tempo pra ficar perdendo com vocês duas. Até na sua casa eu fui, mais de uma vez.
— Se eu tô sendo legal com você é só porque ela me pediu muito e, diferente do que ela fala por aí, eu me importo bastante com ela.
Rebeca foi andando atrás e perguntou quando ele tinha ido na casa dela. Ele respondeu:
— Ahhh, você não sabia? É lógico que não, seu namoradinho não te contou. Ele que me atendeu. Acho que tem ciúmes de você, não entendo por quê.
Rebeca parou de andar e falou que não ia ficar ouvindo tanta besteira. Ele disse que estava logo ali o carro. Foi andando, abriu e sentou para pegar algo no banco de trás. Ela ficou quieta, apreensiva, parada em pé ao lado. Ele falou, mexendo no celular:
— Que fique bem claro, nada disso é pra você. Quero agradar a minha irmã, beleza.
Entregou o celular. Estava ligando para Aisha. Apareceu a foto dela. Rebeca pegou o celular e colocou no ouvido. Ele estava ficou em pé perto dela, aproximou-se, deixando-a presa entre seu corpo e o carro. Falou bem perto, mexendo no cabelo dela, olhando a boca:
— E se continuar falando comigo daquele jeito que falou lá atrás, vou fazer você sentir dor, onde mais gosta. Seu namorado!
Aisha não atendeu. Rebeca ficou sem reação com ele tão perto, se sentiu intimidada, atraída, tudo foi desacelerando ao redor, ela estava sentindo o perfume dele, desde que começaram a conversar, o olhou nos olhos de perto, suas pupilas ficaram dilatadas em segundos. A boca tremeu, o ar faltou.
Parecia que ele ia beijá-la. Ela falou, encarando-o nos olhos:
— Se quiser fazer algo, faz contra mim. Acha que vai me intimidar assim? Não tenho medo nem de você, nem de ninguém.