Melissa narrando Tranquei a porta do meu quarto num gesto que mais parecia um ato de defesa do que de desespero. O trinco rangeu e o som foi um soco de alívio no meu peito. Encostei as costas na madeira fria e deixei o ar sair em um soluço longo, como se estivesse liberando pedaços de mim no corredor daquele silêncio pesado. Lá embaixo, as vozes ainda vivas rasgavam o ar — vozes de adultos que decidiam como se eu fosse mercadoria — e eu me encolhi contra a cama, as mãos inquietas amassando o lençol. A luz do abajur recortava a sombra dos móveis no chão. Cada objeto do meu quarto me parecia um aliado mudo: a velha escrivaninha com os cadernos rabiscados, o espelho que eu evitava olhar. Peguei um dos cadernos, folheei sem ver direito, e deixei-o cair de lado. Não havia palavras que bastas

