Lanchonete

1546 Palavras

Melissa narrando Ele abre a porta do carro para mim, e por um instante penso em correr. As pernas chegam a se contrair, prontas para disparar, mas o olhar dele me prende antes que eu consiga respirar fundo. Não é um olhar furioso, nem mesmo zangado. É calmo, como quem já sabe que o final será sempre o mesmo — e isso me apavora mais do que gritos ou ameaças. Entro. Não porque quero, mas porque sinto que qualquer resistência só vai tornar as coisas piores. O couro frio do banco arrepia minhas pernas, e antes que eu consiga esticar a mão para puxar o cinto de segurança, ele se inclina. O corpo dele invade o espaço, quente, cheiroso, o rosto perto demais do meu. Pega o cinto com uma lentidão provocadora, como se quisesse saborear cada segundo do meu desconforto, e o encaixa no fecho ao meu

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