Melissa narrando. Sento-me num banco da rodoviária com a mochila no colo, os olhos presos no relógio eletrônico que pisca: TRAJETO 00:30. Faltam pouco mais de trinta minutos para minha partida. Trinta minutos que parecem uma eternidade e, ao mesmo tempo, a menor fração de tempo do mundo. Torço os dedos até a pele formigar, como se o movimento pudesse estancar a ansiedade que não para de subir pelo corpo. Rezo baixinho para que ninguém lá em casa perceba minha falta antes do ônibus partir. Rezo para que as luzes da casa não revelem minha ausência, para que a minha cama pareça exatamente como deixei — com o travesseiro preso da forma habitual, o lençol esticado sem rugas. Rezo para que meus pais não olhem para a cadeira vazia na mesa e perguntem, não hoje. Compro uma garrafa de suco na

