Fábio Narrando Subi as escadas da casa da Jaqueline com o coração descompassado. Cada degrau parecia me aproximar mais daquilo que eu vinha adiando há tempo demais. Ela era minha paz e meu caos ao mesmo tempo. Bati de leve na porta, sem saber se eu estava pronto pra tudo que aquela visita significava. — Entra, tá aberta — a voz dela veio suave, e só de ouvir já me senti menos perdido. Abri devagar. Ela tava deitada na cama, com o cabelo ainda molhado, um shortinho de malha e uma camiseta fina, e aquele jeito dela de me olhar como se enxergasse até o que eu escondo de mim mesmo. Me sentei na cadeira ao lado da cama, tentando respirar fundo, mas o ar parecia preso no peito. — Preciso te contar uma coisa — falei, e finalmente encarei aqueles olhos que sempre me desarmam. — Fala — ela di

