Acaso ou destino

951 Palavras
Era noite, Raoni Bessa estava perdido entre o choro da criança que não parava de chorar em meio aos soluços, por um segundo se quer e no seu próprio casulo, criado na tentativa de se proteger de sentimentos que ele desconhecia. Sem saber o que o fazer. Colocou a criança de quase três anos no carro, sua mãe lhes contava uma história que quando ele era pequeno, era só colocar o carro em movimento que ele parava de chorar, quem sabe não serviria para Maya. Raoni não dirigiu muito e começou a chover forte, estava tão atordoado com o choro da pequena menina, que não observou o temporal que estava prestes a cair. Chegou a conclusão que a experiência de sua mãe sobre acalmar crianças em um carro em movimento, não serviu para Maya. Raoni andava devagar, não conseguia enxergar quase Nada a sua frente, mas viu o vulto e ouviu a pancada, sabia que era uma mulher por conta da sobra. O barulho fez com que Maya chorasse ainda Mais. __ Droga. Ele disse para si mesmo, se controlando para não esmurrar o volante do carro e assustar ainda mais Maya. Maya estava na cadeirinha de segurança, chorando como fazia nos últimos três Dias. Raoni desceu do carro, viu que a mulher não tinha se machucado muito, porque ela tentava se levantar e observava os próprios ferimentos. Estava coberta por uma capa com orelhinhas de gato. __ Está muito machucada? desculpe eu não a vi, eu... __ Eu quem entrei na frente, também não te vi, peço desculpas. Jasmine Dipp. A jovem mais bela que Raoni já tinha visto em sua vida, a voz dela era doce e o sorriso dela... Afinal quem na vida, em meio a um temporal, caída no chão e provavelmente machucada, sorriria e diria que foi culpada? Raoni pensou e piscou algumas vezes. __ Eu te ajudo. __ Ah, obrigada. Ela estendeu a mão para Raoni, mas parece que levaram um choque, ficaram assustados com a impressão que tiveram. __ Levo você no hospital. __ Não precisa, estou quase chegando em casa e... Ela se aproximou do carro, passou a mão no vidro embaraçado pelas gotas d'água que caíam da chuva, aproximando o rosto, mas não conseguiu ver nada, porque era um Insulfilm fumê escuro. __ Tem uma criança chorando no carro? ou estou ouvindo coisa? __ Deus, esqueci da menina. __ Que menina? Ele abriu a porta do carro. Maya chorava, tinha olhos inchados e rostinho vermelho. __ Ô, venha cá princesa. Jasmine não pediu autorização, deu a volta no carro, abrindo a outra porta e entrando. Jasmine arrancou a capa de chuva que usava, se livrando da mesma e só nesse momento Raoni percebeu os longos cabelos negros. Ela pegou Maya em seus braços, tinha mãos geladas, mas estava sequinha graças a capa que usará, não podia dizer o mesmo de Raoni, que estava encharcado. __ Papai... o Papai, quero o papai. Disse Maya. Tinha três dias que ela não verbalizava um único som a não ser chorar. __ O papai está aqui. Disse Jasmine, acolhendo a menina que estranhamente parou de chorar, mas ainda soluçava. Maya ficou nos braços de Jasmine, quietinha. __ A mãe dela... __ Xiiiii, ela está quase dormindo e você é um péssimo pai, vou contar pra sua esposa que deixou a menina sozinha no carro. Raoni entrou no carro todo molhado. __ Desligue o ar condicionado e ligue o aquecedor, está frio, e sua filha tem as mãos geladas. __ Você é mandona. __ E você um péssimo pai. __ Eu não sou... ___ Xiii, já disse, vai acordá-la. Ele não sentia frio Nunca, mas obedeceu e ligou o aquecedor. Eles ficaram calados e o carro parado, ele só encostou para evitar acidentes, a chuva se acalmava. __ Talvez a mãe dela não volte. Ele quebrou o silêncio. __ O que disse? __ A mãe de Maya, talvez não volte. __ Brigaram? __ Ouve um acidente e ainda não a encontraram. __ Ô Deus, me perdoe. __ Será se consegue dar a mamadeira pra ela? Ela não tem comido Nada. __ Ela deve está sentindo falta da mãe. __ Ou talvez do pai. __ Desculpe, eu não entendi... Você... __ Poderia tentar? Todas as tentativas foram em vão, ela esteve no soro para se acalmar e acredito que estava desidratada porque se negava até mesmo a beber água, mas... __ Vai ficar tudo bem, está com a mamadeira dela? __ Não, está em casa. __ Não vai me levar até sua casa, não sou tão i****a assim como deve está pensando, se bem que quem entraria no carro de um estranho? eu. Ela perguntou e ela mesma respondeu. __ Eu não te faria m*l, não sou assim. __ Nem te conheço. __ Eu entendo. __ Vou passar a localização para minha amiga e se qualquer coisa acontecer comigo, ela... __ Como quiser, mas preciso de ajuda. __ Senhor, me livre de todo m*l. Amém. Jasmine fez o sinal da cruz. Jasmine era boa demais pra negar ajuda a alguém e nem imaginava o quanto Raoni e Maya precisavam naquele momento. Ele deu partida no carro. Ainda no caminho, Jasmine percebeu que Maya tinha a fralda enxarcada de xixi. __ Deu banho nela hoje? __ Uma enfermeira deu, mas Maya não gostou muito dela e ela não aceitou comer. __ Ela está assustada. __ Eu sei, é compreensível devido o que passou. Quando chegaram na casa, Raoni percebeu o desconforto de Jasmine, assim que desceu do carro e viu tamanha ostentação e luxo. Ela deveria ter se sentindo fascinada por tanta ostentação naquele lugar, mas se sentiu incomodada, afinal era um mundo oposto do que vivia e convivia.
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