Pré-visualização gratuita Acaso ou destino
Era noite, Raoni Bessa estava perdido entre o choro da criança que não parava de chorar em meio aos soluços, por um segundo se quer e no seu próprio casulo, criado na tentativa de se proteger de sentimentos que ele desconhecia.
Sem saber o que o fazer.
Colocou a criança de quase três anos no carro, sua mãe lhes contava uma história que quando ele era pequeno, era só colocar o carro em movimento que ele parava de chorar, quem sabe não serviria para Maya.
Raoni não dirigiu muito e começou a chover forte, estava tão atordoado com o choro da pequena menina, que não observou o temporal que estava prestes a cair.
Chegou a conclusão que a experiência de sua mãe sobre acalmar crianças em um carro em movimento, não serviu para Maya.
Raoni andava devagar, não conseguia enxergar quase Nada a sua frente, mas viu o vulto e ouviu a pancada, sabia que era uma mulher por conta da sobra.
O barulho fez com que Maya chorasse ainda Mais.
__ Droga.
Ele disse para si mesmo, se controlando para não esmurrar o volante do carro e assustar ainda mais Maya.
Maya estava na cadeirinha de segurança, chorando como fazia nos últimos três Dias.
Raoni desceu do carro, viu que a mulher não tinha se machucado muito, porque ela tentava se levantar e observava os próprios ferimentos.
Estava coberta por uma capa com orelhinhas de gato.
__ Está muito machucada? desculpe eu não a vi, eu...
__ Eu quem entrei na frente, também não te vi, peço desculpas.
Jasmine Dipp.
A jovem mais bela que Raoni já tinha visto em sua vida, a voz dela era doce e o sorriso dela...
Afinal quem na vida, em meio a um temporal, caída no chão e provavelmente machucada, sorriria e diria que foi culpada? Raoni pensou e piscou algumas vezes.
__ Eu te ajudo.
__ Ah, obrigada.
Ela estendeu a mão para Raoni, mas parece que levaram um choque, ficaram assustados com a impressão que tiveram.
__ Levo você no hospital.
__ Não precisa, estou quase chegando em casa e...
Ela se aproximou do carro, passou a mão no vidro embaraçado pelas gotas d'água que caíam da chuva, aproximando o rosto, mas não conseguiu ver nada, porque era um Insulfilm fumê escuro.
__ Tem uma criança chorando no carro? ou estou ouvindo coisa?
__ Deus, esqueci da menina.
__ Que menina?
Ele abriu a porta do carro.
Maya chorava, tinha olhos inchados e rostinho vermelho.
__ Ô, venha cá princesa.
Jasmine não pediu autorização, deu a volta no carro, abrindo a outra porta e entrando.
Jasmine arrancou a capa de chuva que usava, se livrando da mesma e só nesse momento Raoni percebeu os longos cabelos negros.
Ela pegou Maya em seus braços, tinha mãos geladas, mas estava sequinha graças a capa que usará, não podia dizer o mesmo de Raoni, que estava encharcado.
__ Papai... o Papai, quero o papai.
Disse Maya.
Tinha três dias que ela não verbalizava um único som a não ser chorar.
__ O papai está aqui.
Disse Jasmine, acolhendo a menina que estranhamente parou de chorar, mas ainda soluçava.
Maya ficou nos braços de Jasmine, quietinha.
__ A mãe dela...
__ Xiiiii, ela está quase dormindo e você é um péssimo pai, vou contar pra sua esposa que deixou a menina sozinha no carro.
Raoni entrou no carro todo molhado.
__ Desligue o ar condicionado e ligue o aquecedor, está frio, e sua filha tem as mãos geladas.
__ Você é mandona.
__ E você um péssimo pai.
__ Eu não sou...
___ Xiii, já disse, vai acordá-la.
Ele não sentia frio Nunca, mas obedeceu e ligou o aquecedor.
Eles ficaram calados e o carro parado, ele só encostou para evitar acidentes, a chuva se acalmava.
__ Talvez a mãe dela não volte.
Ele quebrou o silêncio.
__ O que disse?
__ A mãe de Maya, talvez não volte.
__ Brigaram?
__ Ouve um acidente e ainda não a encontraram.
__ Ô Deus, me perdoe.
__ Será se consegue dar a mamadeira pra ela? Ela não tem comido Nada.
__ Ela deve está sentindo falta da mãe.
__ Ou talvez do pai.
__ Desculpe, eu não entendi... Você...
__ Poderia tentar? Todas as tentativas foram em vão, ela esteve no soro para se acalmar e acredito que estava desidratada porque se negava até mesmo a beber água, mas...
__ Vai ficar tudo bem, está com a mamadeira dela?
__ Não, está em casa.
__ Não vai me levar até sua casa, não sou tão i****a assim como deve está pensando, se bem que quem entraria no carro de um estranho? eu.
Ela perguntou e ela mesma respondeu.
__ Eu não te faria m*l, não sou assim.
__ Nem te conheço.
__ Eu entendo.
__ Vou passar a localização para minha amiga e se qualquer coisa acontecer comigo, ela...
__ Como quiser, mas preciso de ajuda.
__ Senhor, me livre de todo m*l. Amém.
Jasmine fez o sinal da cruz.
Jasmine era boa demais pra negar ajuda a alguém e nem imaginava o quanto Raoni e Maya precisavam naquele momento.
Ele deu partida no carro.
Ainda no caminho, Jasmine percebeu que Maya tinha a fralda enxarcada de xixi.
__ Deu banho nela hoje?
__ Uma enfermeira deu, mas Maya não gostou muito dela e ela não aceitou comer.
__ Ela está assustada.
__ Eu sei, é compreensível devido o que passou.
Quando chegaram na casa, Raoni percebeu o desconforto de Jasmine, assim que desceu do carro e viu tamanha ostentação e luxo.
Ela deveria ter se sentindo fascinada por tanta ostentação naquele lugar, mas se sentiu incomodada, afinal era um mundo oposto do que vivia e convivia.