Marie – Nós somos seus pais a partir de agora Serena, é nossa alegria e obrigação realizar todos os seus sonhos.
Serena – Muito obrigada. Tia, a sra poderia me dizer para onde os meninos foram? Eu gostaria de procurá-los um dia, manter contato.
- Sinto muito pequena, as adoções são todas confidenciais, no caso dos seus pais ainda mais. No caso dos meninos foi de forma tradicional mais ainda assim foi requisitado que ninguém soubesse. Muitos pais quando não querem que seus filhos adotivos sejam encontrados, dão preferência para orfanatos como os nossos, em cidades pequenas e esquecidos por todos.
Kurt – Quem são esses meninos? Irmãos dela?
- Não senhor, são melhores amigos, eles eram apenas um pouco mais velhos que ela, viviam sempre juntos, eles foram adotados a pouco mais de um ano.
Kurt – Entendi, não se preocupe, se eu conseguir vou encontrá-los para você esta bem?
Marie – Agora nós precisamos ir querida, há algo que você queira levar? Nós já temos tudo para você, leve apenas se tiver valor sentimental está bem?
Serena – Está bem, vou buscar.
Kurt – Vou pedir ao advogado, que é um grande amigo meu, transferir o dinheiro para a conta do orfanato como doação, também vira da conta dele as transferências mensais.
- Obrigada senhor, cuidem bem da menina, ela é muito especial.
Marie – Pode deixar que nós cuidaremos dela como uma princesa. E o principal, daremos muito amor e carinho a ela.
- Essa menina merece sem dúvidas.
Kurt – Teremos uma longa viagem pela frente, então temos que ir o mais rápido possível, será que ela já está pronta?
Serena – Estou sim, já estou aqui, obrigada por tudo tia, eu prometo que assim que eu puder eu virei visitar, cuide bem de todos aqui e não esqueça de mim tá bem?
- Ah minha menina, venha aqui me dar um abraço, vou sentir tanto a sua falta, mas estou tão feliz por você ter agora uma boa família para te cuidar e mimar.
Serena – Eu já era bem cuidada tia, mas também estou contente.
Marie – Vamos Serena, sua nova casa e nova visa te esperam. O que foi que você pegou?
Serena – Meu ursinho e meu colar.
- A menina não larga esse urso e esse colar por nada no mundo, foi os presentes dos amiguinhos dela antes de irem, eles três juntos sempre arrumavam confusão pelas redondezas, sempre tive tantas reclamações... Mas sempre foram boas crianças.
Marie – Ah sim, entendi querida, são lindos, e se te trazem boas recordações você deve levá-los sim.
Serena – Obrigada.
E lá vou eu para uma nova vida, novos amigos, novas recordações, e acima de tudo meus pais, meus primeiros pais. Estou feliz, mas com medo de que não gostem de mim, de que queiram me devolver, ou que eu não consiga me adaptar bem. Eles parecem ter muito dinheiro, eu não estou acostumada ao estilo de vida dessas pessoas, tomara que gostem de mim.
Marie – Você vai ter um quarto só para você, e vai poder decorar da maneira que você quiser, vamos comprar tudo novinho em folha.
Serena – Obrigada.
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E eu cresci, estou no auge dos meus 21 anos, estou fazendo minha faculdade de medicina, sou uma aluna exemplar, na faculdade me apelidaram de princesa de gelo, meu foco é muito grande para que eu me distraia com amigos ou relacionamentos.
Eu amo muito meus pais, eles cumpriram com todas as promessas que fizeram, eles ainda fazem as doações ao orfanato, e eu visito sempre que posso.
Eu me tornei uma bela mulher, corpo escultural graças às minha horinhas perdidas na academia, cabelos longos e negros, meus olhos azuis destacam-se no rosto, a beleza realmente foi uma boa herança dos meus pais biológicos, a única herança que eles me deixaram.
As vezes me olho no espelho e me pergunto com quem eu me pareço, se é meu pai ou minha mãe me encara de volta quando olho no espelho.
Chris – Serena? O que faz aqui a essa hora do dia? Normalmente você esta socada na biblioteca, sentada em algum canto com os óculos na cara e a cara em algum livro.
Serena – Ual, essa sim foi uma bela descrição de mim. Devo ser a pessoa mais chata desse lugar, o que é que te faz ainda me aturar?
Chris é o único bom amigo que eu tenho aqui no campus, mesmo sabendo que ele tem uma quedinha por mim, ele sempre foi muito respeitador, nada de cantada i****a, nada de olhar meus p****s antes de me olhar nos olhos, ele sabe que não estou aberta a relacionamento e aceita minha amizade, então é o único aqui que eu aturo. Ele é realmente um gato, não sou cega, todas as garotas daqui doariam um rim para apenas ter um encontro com ele... Bom, essa é até uma boa ideia, o mundo precisa de mais doadores e eu acredito que realmente teríamos filas... Chris é alegre, divertido, tem o sorriso fácil, é da cor de um delicioso chocolate ao leite, com olhos cor de mel, um corpo que faz qualquer homem querer colocar suas camisas de volta ao corpo. Um sorriso com aqueles dentes perfeitos e brancos como leite arranca 89% das calcinhas do campus.
Chris – Garota, você esta ainda mais branca do que de costume de tanto tempo que passa longe do sol, eu estava quase andando com um colar de alho no pescoço pra quando fosse encontrar você, esposa do Dracula.
Serena – Bem que eu gostaria de ser imortal, talvez eu não tivesse que assistir a minha vida passar pela janela enquanto eu estudo anatomia humana.
Chris – Serena é sério, eu sei que você quer dar se formar com êxito, sei que você ama a medicina mais que qualquer coisa no mundo, sei que você é muito dedicada, mas você precisa muito viver algo além disso, você vai morrer sem conhecer nada sobre a vida, é sério isso?
Serena – Qual é? Meus pais te pagaram para dizer isso? Eles usam quase sempre os mesmos argumentos para tentar me tirar da minha bolha de estudos.
Chris – Seus pais se preocupam com a sua felicidade, e eu também.
Serena – Então eles realmente te pagaram? Mas eu sou feliz Chris, por que vocês não conseguem aceitar que alguém é feliz do jeito que eu vivo?
Chris – É claro que não pagaram, eu estou dizendo por que acho que você deveria se divertir um pouco.
Nesse momento eu me levantei bruscamente.
Chris – Onde vai?
Serena – Atrás da minha diversão... Vou para a biblioteca.
Sai sorrindo vendo a cara de perplexidade do meu amigo.