A única coisa que meus pais e meu melhor e único amigo, é que eu tenho uma outra paixão, uma outra paixão louca e perigosa, algo que me instiga, me excita, que faz o meu sangue ferver...
Eu, a filha perfeita, a aluna exemplar, a amiga sem graça, sou apaixonada por corridas de rua...
Nas noites de corrida eu saio escondida de casa, para poder competir, tem algo ali atrás do volante, com toda a velocidade que me faz sentir viva.
Eu sei que é muito errado, sei que algum dia algo pode sair do meu controle, mas não co sigo deixar as pistas.
Meus pais nem sonham que eu dirijo algo além do meu carro 1.000% seguro.
Ninguém nunca viu meu rosto nas corridas, normalmente eu só participo de duas ou três e vou embora, ninguém nunca me vê chegar ou sair, sempre chego atrasada, e saio muito antes de acabar.
Todos nas pistas me conhecem como Nigth, ninguém nunca soube se sou homem ou mulher, sempre estou de macacão folgado e uso alterador de voz, não deixo nem muito masculina, nem feminina, quero mesmo que se confundam.
Meu carro fica guardado em uma das docas dos meus pais, eles tem tanta coisa que nunca sabem o que realmente tem.
Marcus – Eai Nigth, tudo na boa?
Serena – Tudo certo irmão, como estamos hoje?
Marcus – Muita gente quer correr com você como sempre, hoje vai correr 2 ou 3?
Serena – Só 2.
Marcus – Beleza. Bom, também tem aquela história do chefão, ele ainda quer falar com você Nigth, não é uma boa ideia irritar aquele cara. O Dom é perigoso, você não pode pelo menos ouvir o que é que ele tem a dizer?
Serena – Você sabe que eu não tenho tempo para isso, e ele sabe que não pode me banir das pistas porque ele vai sair perdendo dinheiro, eu dou lucro Marcus, ele só deve estar pensando em um jeito de ganhar mais, e eu não estou interessada.
Minha família já me dá tudo que eu preciso, tenho todo o dinheiro que quero, tudo que ganho nas corridas ficam com a minha equipe, e com as pessoas que vão observando a minha volta às docas para que ninguém me siga.
Marcus – Eu sei cara, só não acho uma boa ideia irritar o dono disso aqui, fora que pelo que eu ouvi dizer, esse não é o único negócio torto dele.
Serena – Vai ficar tudo bem, só diga que estou sem tempo para conversar, como sempre só tenho tempo para algumas corridas, não posso desperdiçar conversando algo que não vai dar em nada.
Marcus – Caso você reconsidere me avisa que eu falo com os homens dele. E também se ele tivesse um bom negócio para oferecer, nos ganharíamos mais.
Serena – O dinheiro das minhas corridas já tem sido mais que suficiente para vocês, estão precisando de mais?
Marcus – Sabe como é Nigth... Dinheiro é igual mulher, quanto mais se tem mais se quer.
Serena – Cadê o resto da equipe?
Marcus – Tiveram alguns contratempos na estrada, os carros chamam atenção de mais...
Serena - Eu não pago vocês para ficar no conforto de suas casas, já avisei um milhão de vezes para ter cuidado.
Marcus - Sabemos disso, vou preparar seu carro para a primeira corrida.
Serena - Quando a corrida acabar vamos fazer o esquema de outra pessoa levar meu carro e eu saio daqui no meio da multidão, tô com um mau pressentimento ultimamente, não quero dar sorte pro azar.
Marcus - Sim senhor chefinho.
Serena - Como tem tanta certeza que sou homem?
Marcus - Uma mulher não correria tão bem.
Serena - Machista.
Marcus - Realista, mas já que você não confirma o que é ou não, vou continuar tratando como se fosse um homem.
Serena - Me chama quando for a minha vez.
Marcus - Beleza.
O que diabos o Drogo quer comigo, isso não é uma boa coisa, deve querer propor alguma parceria, no mínimo, ou avisar sobre algo errado, droga, não consigo pensar no que possa estar errado para atrair a atenção do chefão.
Marcus - Aí cara, sua vez.
Esse é meu momento, o momento que me sinto livre de verdade, sem responsabilidades, sem ninguém esperar a perfeição de mim, sem o peso nas costas de ser a garotinha perfeita, com a vida perfeita.
As pistas me deixam leve, é uma sensação que não sei explicar, como se mesmo tão longe de onde eu vivo eu finalmente estivesse em casa.
E quando passo a linha de chegada a realidade de quem eu sou me acerta de novo. É tudo muito rápido.
E, mais uma vez, venci.
Marcus - Parabéns cara, mais uma. O resto da equipe já chegou.
Serena - Valeu. Só mais uma Marcus, não vou demorar, procure algo que valha a pena, pelo menos você vai parar de me encher o saco.
Marcus - Pode deixar...
Serena - Avisa sobre...
-- Se Maomé não vai a montanha... A montanha vem a Maomé.
Serena - Quem é você?
-- Eu sou Drogo.
Serena - E o que o grande chefão quer por aqui? Ouvi dizer que não se mistura muito com a plebe.
Esse cara é um promíscuo, vive lá na torrezinha dele observando as corridas cercado por mulheres. Amo as corridas, mas os homens que frequentam são uns trogloditas.
Drogo - É meio difícil conseguir falar com você, então eu vim.
Serena - Será que pode vir pra luz, é r**m conversar com alguém sem ver.
Drogo - Olha só quem diz, a pessoa que nunca mostrou o próprio rosto.
Ele está se aproximando, e eu não consigo acreditar na familiaridade que eu sinto quando ele vem para a luz, aqueles olhos azuis são muito familiares, não pode ser ele, eu sabia que o nome era igual, mas daí a ser a mesma pessoa...
Drogo - Bem, aqui estou eu senhor ou senhora Nigth. Podemos conversar um pouco?
Serena - Si...Sim...
Como ele se tornou essa pessoa? A última vez que o vi ele era só um menino, agora além de um homem feito é o chefe da noite por aqui. Drogo, é muita coincidência.
Drogo - Eu tenho uma proposta para você Nigth, algo que vai valer a pena para nós dois.