Maitê. A cena do Rael socando o Zé Macaco me chocou. Não era um soco qualquer. Era um soco de quem sabia o que estava fazendo, um soco que carregava a força e a raiva de anos de violência. O segundo soco foi ainda pior. Ele nem mesmo vacilou, nem mesmo ponderou ou tentou conversar. O sangue no rosto do Zé Macaco, o olho já inchado, o medo estampado em sua cara... Aquilo era a realidade nua e crua do morro. A verdade sobre Rael. Ele era a ordem aqui e pelo visto não se preocupava em colocar quem quer que fosse na “linha” Eu vi o brilho nos olhos dele quando ele se virou para mim. Não era o brilho que eu tinha visto segundos antes, quando ele quase me beijou. Era o brilho frio de um predador. Aquele era o Rael que todos temiam. O traficante. O Don. Me afastei da beirada da laje, senti

