Capítulo 33.

943 Palavras

Capítulo 33 JAMILE NARRANDO O cheiro do consultório ainda tava impregnado de pomada, álcool e suor quando eu fechei a porta atrás do paciente. Ele saiu agradecendo, como sempre. Com aquele olhar de quem acha que tudo tá bem. De quem não faz ideia do infernö que existe fora desse cubículo improvisado que chamam de postinho. Respirei fundo. Meu corpo já tava cansado antes mesmo do dia acabar. Não era cansaço físico. Era algo mais fundo. Mais escuro. Uma exaustão que vinha da alma . Arrumei a maca. Joguei fora as luvas. Lavei as mãos com cuidado demais, como se pudesse lavar também o medo grudado na pele . Aqui eu era mais técnica de enfermagem do que psicóloga, os moradores do morro, tinham preconceito com terapia e diziam que era para doido . E eu simplesmente aceitava, já que ex

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