Capítulo 31 CLARA NARRANDO Fazia meses. Meses demais. Tempo suficiente pra saudade virar desconfiança. Pra silêncio virar medo. Pra cada mensagem não respondida da Jamile virar um peso no meu peito que não me deixava respirar direito. Minha irmã nunca foi de sumir assim. Jamile sempre dava um jeito de mandar um áudio, uma figurinha idiotä, qualquer coisa. Mesmo quando tava cansada, mesmo quando a vida apertava. Agora nada. Nem visualização. Nem desculpa. Nem briga. Era como se ela estivesse fugindo. E eu conhecia Jamile o suficiente pra saber: quando ela foge, é porque tem coisa errada. Arrumei minha mala numa manhã qualquer, sem avisar ninguém da república que eu tava morando. Roupa jogada, documento enfiado na bolsa, celular carregado. Não pensei demais, porque se pensasse, eu n

