Capítulo 17.

815 Palavras

Capítulo 17 ANGELA NARRANDO Eu observo de longe. Sempre observei. Aprendi cedo que quem aparece demais vira alvo. E eu nunca fui mulher de me colocar onde a bala passa primeiro. Eu prefiro o escuro. Prefiro o silêncio. Prefiro o tempo trabalhando a meu favor enquanto os outros acreditam que tudo acabou. Não acabou. Nunca acaba de verdade. O morro pulsa como um organismo vivo. Respira. Geme. Sangra. E eu sinto esse lugar como se ainda fosse parte de mim, mesmo depois de tantos anos longe. Cada tiro que ecoa, cada fogos estourando no céu, cada grito atravessando a madrugada, tudo isso me chama. E ele está lá, no alto do morro. Meu filho. Russo. O nome corre pelas bocas com medo e respeito. Do jeito que eu sempre soube que correria. Do jeito que ele nasceu para ser. Um homem grande

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