Os meus pais tinham acabado de ir embora. A porta ainda estava balançando no batente quando senti o chão mudar de peso, como se a casa inteira soubesse que não dava mais para correr. Não dava mais para mentir para mim. Não dava mais para escondê-la da história que fiz e que destruiu quem eu nunca quis tocar. Sentei no sofá com a pasta sobre o colo. A mesma pasta que evitei abrir por anos. A mesma que escondia partes de mim que jurei nunca mais revisitar. A casa estava silenciosa. Silêncio de noite funda. Silêncio que encosta na pele. Quando Mariana entrou na sala, eu senti o cheiro dela antes de vê-la. Esse cheiro que me persegue até dormindo. Esse cheiro que me acalma e me destrói ao mesmo tempo. Ela sentou de frente para mim. O olhar dela… calmo. Cansado. E ainda assim tã

