Eu não senti o chão quando ele terminou de falar. A verdade não caiu sobre mim. Ela atravessou. Entrou pelas costelas, abriu espaço entre o coração e a garganta, estendeu raízes onde antes só existia medo e silêncio. Eu fiquei ali sentada, com a foto entre os dedos, sentindo meu próprio corpo tentar encontrar um lugar para existir. A imagem tremia na minha mão, não porque eu tremia, mas porque era como se o mundo inteiro tivesse começado a vibrar por dentro, pedindo que eu respirasse, que eu entendesse, que eu não fugisse. Ele estava diante de mim… despido. Absolutamente despido. Sem o terno, sem a postura, sem o domínio. Só ele. O menino que prometeu me amar com oito anos. O homem que me feriu sem perceber. O pai da criança que me chama de mãe. O responsável por parte das dore

