Eu sempre imaginei que o dia em que encarasse Carla de frente seria um dia de gritos, portas batendo, uma guerra de egos e venenos. Mas quando ela entrou na sala, com aquele sorriso que parecia vidro cortado, eu senti outra coisa. Não medo. Não raiva. Não ciúme. Senti uma calma que não era minha, mas se encaixou em mim como se fosse. Era como se cada queda que vivi tivesse me preparado para aquele momento, e eu estivesse diante da mulher que tentou destruir o pai da criança que eu protegia com o coração inteiro. Ela chegou como quem pisa num campo que acredita conhecer. Só não sabia que eu não era mais a Mariana que o passado feriu. Eu tinha a respiração firme. Eu tinha cicatrizes que já não sangravam. Eu tinha uma menina de três anos dormindo no quarto ao lado, e ninguém mexe com uma cria

