Às vezes eu penso que a vida tenta avisar a gente antes do corpo entender. Antes da mente compreender. Antes do medo dizer seu próprio nome. Naquela manhã, o ar estava pesado de um jeito estranho, como se algo tivesse atravessado a casa antes de mim. Eu ainda estava saindo do banho quando ouvi a voz de Lúcia chamando meu nome com um tom que nunca tinha usado antes, como se puxasse meu braço sem me tocar. Vesti a primeira roupa que encontrei e desci, com o coração batendo rápido demais para um dia comum. Não era um dia comum. Elias estava parado no meio da sala, de terno, mas com o olhar de guerra. Os seguranças atrás dele pareciam sombras, mas sombras alertas, tensas, prontas. E eu não sabia de nada, mas meu corpo sabia. Meu corpo sempre soube. Ele me olhou com um silêncio tão denso que

