Capítulo V

2243 Palavras
Kara se olhou no espelho sentindo seu coração bater mais rápido enquanto as lágrimas desciam, como poderia competir com Mayla pelo coração de Dom? Limpou o lápis que escorreu pelo canto de seus olhos, se perguntando se mudar o visual não resolveu isso, o que resolveria? A cena se repetia em sua cabeça sem parar, Mayla e Dom nadando no lago de sua casa tão, íntimos, ele a abraçando e sentindo o cheiro de seus cabelos, a olhando de forma tão intensa e única. Ela sabia que ele nunca a olharia assim, mas ela não podia desistir, de alguma forma Kara sente que mexe com Dominique. Entrou debaixo do chuveiro sentindo a água cair sobre seu corpo, enquanto as lágrimas caiam juntas. Estar em casa novamente era a melhor coisa que aconteceu, depois de seu tio ter encontrado o pai dela e o ter feito pelo menos deixar a casa para a ex-esposa e a filha, voltaram para casa. Ela agradeceu aos céus por isso. Sua dor não é somente não ter o amor de Dom, sua dor vem por seu pai ter outra família. Por seu pai ter trocado ela e sua mãe por uma segunda esposa que elas nem sabiam existirem, por filhos que ela nem sabia que ele tinha. Ele se separou de sua mãe, mas é como se tivesse se separado dela também, já que em nenhum momento a ligou ou fez algo para falar com ela. Já sua prima tinha tudo, pais extremamente amorosos e presentes que fariam qualquer coisa por ela, que a defendiam com unhas e dentes. Ela se sentia como se nem para ser a sombra de Mayla ela fosse boa o bastante. Por ela a prima poderia continuar vivendo sua vida conto de fadas, mas o que ela não deixaria era que ela ficasse com Dom. No fundo Kara sabia que os dois ainda não, assumiram algo sério por causa dela e pela consideração que ambos têm por ela, mas mesmo assim ela sentia que Dominique é manipulável e de algum jeito isso serviria para ajudá-la. Saiu do banho e colocou uma roupa qualquer, trocou a lente de contato pelos óculos de graus. Se olhou no espelho e ficou pensando sobre si, cabelos, cor de cobre, olhos verdes, pele branca, um pouco mais alta que a prima. Não era f**a, mas ainda assim parecia não ser vista e por qual motivo? Pensou em Mayla, cabelos cumpridos pretos, olhos castanhos, pele branca, estatura média e um corpo de dar inveja. Talvez seja isso, falte nela as pernas grossas, a b***a grande, o quadril fino e os s***s fartos da prima. Será que uma academia resolveria? Como Mayla conseguira aquela genética? Ela não se parecia com ninguém da família, sua tia Liliana alta, magra, cabelos castanhos e olhos tão azuis que pareciam bolinhas de gude, as curvas de seu corpo tão discreto e seu tio cabelos, cor de cobre olhos verde e alto. Sua mãe Sônia, parecia a cópia feminina de John e ainda assim Mayla não parecia com nenhum deles ou qualquer outro parente que ela já tenha conhecido. Deixou seu quarto com esses pensamentos na cabeça, quando chegou a sala encontrou sua mãe sentada no sofá bebendo um copo cheio de vodca. Suspirou frustrada com sua noite de sexta-feira, Mayla estava aos beijos com Dom e só Deus sabendo o que mais aconteceria, enquanto ela estava ali vendo a mãe beber e lamentar. — Seu pai é um i****a Kara, tinha tudo e ainda assim preferiu jogar fora. Kara ficou em silêncio e observou a mãe. Ela sempre fez tudo pelo marido, colocava os chinelos em seus pés, fazia o jantar diariamente no mesmo horário, sendo que todas as refeições eram escolhidas por ele. Sônia deixou até seu emprego para se dedicar ao marido, a filha e a sua casa. Ele foi um bom pai enquanto morou com elas, mesmo os dois sendo extremamente diferente. — Kara — a mãe já havia bebido mais da metade do líquido da garrafa — Se realmente gosta do Dominique tem que reagir, ser uma pessoa diferente. Você é muito parecida comigo e olha como estou? — Esse não precisa ser o seu final mãe. — Como recomeçar? Nem parece ter sentido isso. — Recomeçar seria fazer algo pela senhora, pelo menos uma vez. Pense em si. — Você não entende, seja esperta. O mundo é das Mayla’s e não de garotas como nós. Naquele momento Sônia Cooper não percebeu o que fez, mas ela desencadeou sentimentos que Kara guardava no seu íntimo e se ela tinha o apoio da mãe porque não mostrar para a primeira do que era feita? Um sentimento de insatisfação tomou o peito de Kara, todas as atitudes que nunca tomou e sempre quis tomar vieram a sua cabeça. Mesmo que Mayla sempre tenha sido boa para ela, a prima acabou virando seu alvo, um alvo para toda sua raiva. Abandonada pelo pai, com uma mãe que passa as noites afogando sua tristeza em vodca e com um amor que carregou sempre no peito e só agora conseguiu se declarar. De uma coisa Kara sabia, ela jamais deixaria Mayla ficar com Dominique, pelo menos uma vez na vida ela queria sair vitoriosa. **** No dia seguinte a parte da manhã e da tarde passaram lentamente e Kara passou cada minuto lendo. No início da noite ela recebeu uma mensagem de Mayla, a convidando para ir na lanchonete Food & Friends, aos sábados à noite tem karaokê e isso torna a lanchonete uma das mais famosas da cidade. Kara começou a se arrumar, colocou uma saia, jeans, uma regata vermelha, jaqueta de couro preta e botas de salto. Nos cabelos passou babyliss nas pontas, lápis nos olhos e um batom vermelho nos lábios. Teve que chamar um táxi, já que sua mãe foi com o carro para a casa de seu tio. Desde a separação seus tios faziam de tudo para levantar sua mãe e ela é grata por isso, já que tudo que ela diz parece não resolver. Quando chegou na lanchonete se sentiu insegura, nunca foi de usar as roupas que estava no momento. Respirou fundo e foi até a mesa onde se encontravam Mayla, Dominique, Camila e Mathew. — Oi! — Disse tímida. Mayla a recebeu com um grande sorriso, os cabelos negros caiam sobre os ombros desnudos, o vestido tomara que caia preto realçava suas curvas, nos lábios carregava um batom roxo e nos pés usava all star branco de couro. — Você está linda Kara — Mayla a abraçou de lado. Kara se questionou se a prima era realmente tão boa ou simplesmente fazia isso para enganar e manipular a todos. — Obrigada May, linda é você. Mathew, Camila e Dom vocês estão bem? — Estamos—responderam em uníssono. Camila olhava para Kara com um olhar de reprovação, às duas nunca se deram bem. Cami sempre pensou que Kara procura defeitos em Mayla para se sentir melhor, por não ter coragem de ter certas atitudes, coragem de viver sua vida. Tudo bem a pessoa gostar de ler, de ficar em casa, mas se tem vontade de fazer outras coisas não deve ter medo. — Mayla Cooper — Lane a responsável pelo karaokê a chamou. — Camila – May a olhou ameaçadoramente. A amiga sorriu e deu uma piscadela. — Você sempre gostou de cantar May, vai até lá e arrase. —Cami. — Nada de Cami, esse momento é seu. — Mostra como se faz May — Dom beijou a bochecha da garota, que acabou corando. Respirando fundo e caminhando em passos contados, Mayla sumiu no palco e pegou o microfone. — Boa noite a todos, meu nome é Mayla Cooper e hoje cantarei Fifth Harmony – Worth It. Ela começou a cantar se sentindo meio tímida, mas Camila, Dominique e Mathew se aproximaram do palco. Gritando e dançando os amigos tentaram fazer ela se soltar. Animada e entretida com a música sua voz começou a ganhar cada vez mais vida e quando se deram conta Mayla cantava e dançava ao mesmo tempo. As pessoas que estavam na lanchonete se animaram e cantavam o refrão junto. Letra: Give it to me, I'm worth it Baby, I'm worth it Uh huh I'm worth it Gimme, gimme, I'm worth it Give it to me, I'm worth it Baby I'm worth it Uh huh I'm worth it Gimme gimme I'm worth it I tell her bring it back like She left somethin? Bring it bring it back like she left somethin? In the club with the lights off What you actin' shy for? Come and show me that you're wit it wit it wit it wit it Stop playing now you know I'm wit it wit it wit it wit it wit it What you actin' shy for? Just gimme you, just gimme you Just gimme you, that's all I wanna do And if what they say is true If it's true, I won't get mad at you I may talk a lot of stuff Guaranteed, I can back it up I think I'mma call your bluff Hurry up, I'm walkin' out front Uh huh see me in the spot like 'Ooh I love your style Uh huh show me what you got Cuz I don't wanna waste my time Uh huh see me in the spot like 'Ooh I love your style? Uh huh show me what you got Now come and make it worth my while Give it to me, I'm worth it Baby I'm worth it Uh huh I'm worth it Gimme gimme I'm worth it Give it to me, I'm worth it Baby I'm worth it Uh huh I'm worth it Gimme gimme I'm worth it It's all on you, it's all on you It's all on you, so what you wanna do? And if you don't have a clue Not a clue, I'll tell you what to do Come harder just because I don't like it, like it too soft I like it a little rough Not too much, but maybe just enough Uh huh see me in the spot like 'Ooh I love your style Uh huh show me what you got Cuz I don't wanna waste my time Uh huh see me in the spot like 'Ooh I love your style Uh huh show me what you got Now come and make it worth my while Give it to me, I'm worth it Baby I'm worth it Uh huh I'm worth it Gimme gimme I'm worth it Give it to me, I'm worth it (know what I mean?) Baby I'm worth it (give me everything) Uh huh I'm worth it Gimme gimme I'm worth it Okay I I tell her bring it back like She left somethin? Bring it bring it back like she left somethin? In the club with the lights off What you actin' shy for? Come and show me that you're wit it wit it wit it wit it Stop playing now you know I'm wit it wit it wit it wit it wit it What you actin? shy for? Uh huh see me in the spot like 'Ooh I love your style Uh huh show me what you got Cuz I don't wanna waste my time Uh huh see me in the spot like 'Ooh I love your style? Uh huh show me what you got Now come and make it worth my while Give it to me, I'm worth it Baby I'm worth it Uh huh I'm worth it Gimme gimme I'm worth it Give it to me, I'm worth it (know what I mean?) Baby I'm worth it (give me everything) Uh huh I'm worth it Gimme gimme I'm worth it Give it to me, I'm worth it Quando a música terminou Mayla estava eufórica e sorridente, foi recebida com um abraço de Dominique e aplausos dos clientes do estabelecimento. — Foi incrível Malala — Mathew disse — Do que me chamou? — De May, por quê? — Nada — ela disfarçou com um sorriso. Teria sido projeção de sua mente ou Mathew realmente a chamou de Malala? A mesma forma que o homem que perturbava seus sonhos a chamava, isso significa algo? Os pesadelos voltariam? — Tá tudo bem? — Dom a olhou preocupado. — Está sim, é que só agora está caindo a ficha do que eu fiz. — Foi incrível, você leva jeito para ser cantora. Deveria pensar em investir. — Seu nível de puxa saco foi atualizado Dom — Mayla sorriu para o mesmo, que colocou a mecha que caia sobre seu rosto atrás da orelha. Kara se sentiu irritada, cansada e frustrada. O que ela queria? Mayla sempre conseguia ser o centro das atenções, era isso que ela sentia. Deixou a lanchonete e foi para o estacionamento, as lágrimas caiam sobre o seu rosto, ela se sentia tão confusa e não conseguia se entender ou expressar adequadamente os sentimentos. — Deve ser difícil. A moça de cabelos cor de cobre se virou e encontrou olhos castanhos escuros a encarando. — O que você disse? — perguntou receosa. — Deve ser difícil viver a sombra da sua prima, eu estava lá dentro e vi o jeito que ficou. — Como sabe que ela é minha prima? — Eu já morei aqui, há muito tempo. Conheço todo mundo, você e a Mayla cresceram. — Quem é você? — Pode me chamar de Joenny.
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