Ao chegar na casa de Camila, Mayla se sentiu mais confiante, a amiga prometeu que passariam a noite acordadas com os rapazes vendo filmes, comendo pipoca, bebendo refrigerante e comendo chocolate. Com certeza os pesadelos ficariam longe e por uma noite ela poderia ser uma garota normal, que fica na casa dos amigos e se diverte, sem ter nenhuma crise.
Assim que entrou Mathew a recebeu com um abraço apertado, a fazendo gargalhar e dar um longo beijo em sua testa. Camila olhou para situação se divertindo e correu os abraçar, Dom apenas observou a cena com um sorriso. Desde que sua mãe morreu, ele não conseguia ser mais tão aberto e afetivo, mas ter em sua frente três dos seus melhores amigos rindo e se divertindo trouxe uma grande nostalgia, se lembrou de quando iam na sua casa e sua mãe fazia biscoito para eles, uma lágrima solitária escorreu por sua face.
Mayla foi em sua direção e tocou seu rosto, fazendo-o olhar para ela. O rapaz levou a mão até os seus cabelos, colocando uma mecha atrás da orelha, uma mania que ele adquiriu com o tempo. Ele analisou o rosto dela, que sorriu para ele docemente, o coração de Dominique acelerou e ele soube que poderia passar o resto da vida a olhando, admirando o brilho único, da garota que mesmo tão jovem esteve com ele nos momentos mais difíceis de sua vida, como não querer compartilhar uma vida com ela? Ao mesmo tempo, as mudanças de Kara mexeram com ele, a ousadia, ela parecia tão diferente, tão convidativa, que se sentiu divido entre elas.
— Tão linda
— Dom
— Não faça isso com você mesma Mayla, você é linda e é a melhor parte da minha vida.
O que ela não entendia é se ela é a melhor parte da vida dele, por que ela nunca pareceu suficiente? Por que ele tem a necessidade de buscar outras bocas, outros corpos e outros amores? Foi nesse momento que ela reparou que Mathew e Camila os deixaram sozinhos.
— Não faça isso você Dominique, não me trate como a coisa mais importante se realmente não sou.
— Você sempre esteve comigo nos momentos mais importantes da minha vida.
— Isso não significa que tem que fazer isso.
— O que estou fazendo de tão errado?
— Me olhando assim, me tocando assim e depois me colocando apenas como sua amiga.
— Sabe que é bem mais que isso para mim.
— Então o que está acontecendo entre você e a Kara?
Dominique abaixou a cabeça e então foi como se uma facada atingisse o peito de Mayla, ela não queria ver, queria continuar cega, sabia que algo estava rolando entre eles conseguia muito bem fingir não se importar, mas estar diante dele e ele ter essa reação partiu seu coração. Mesmo que ela soubesse que a mudança de visual de Kara tem uma forte relação com Dom, ela não acreditou que ele ia se deixar envolver igual ele estava se mostrando envolvido.
— Eu e a Kara nos beijamos.
— Não tem motivo para me contar isso, somos amigos e se quiser ficar com ela como ficou com tantas outras é uma escolha sua.
— VAMOS PARAR DE FINGIR, PELO MENOS UMA VEZ NA SUA VIDA SEJA UMA GAROTA NORMAL E PERCA O CONTROLE — Dom gritou a assustando.
— O que quer que eu faça?
— Que diga que está irritada, que ainda quer ficar comigo, que se importa.
— Você é incoerente Dominique, eu estive ao seu lado nos momentos mais difíceis e eu te amei em todos eles, eu sempre te escolhi e quando você precisou me escolher, o que você fez? Me disse que não estava pronto e se envolveu com outras e mesmo assim eu sempre estive aqui e isso me magoa. É isso que queria ouvir? Sou humana e estou magoada. Então me diz logo o que tem para dizer, você e a Kara estão juntos? É isso?
Mayla sempre foi muito calma, boa, gentil e uma parte de Dom sempre desejou ver ela perdendo o equilíbrio, gritando e se mostrando de verdade, ele sentia que ela escondia algo, como se aprisionasse uma parte de si.
— Estou divido entre você e a Kara. Isso nunca aconteceu, não importa com quem eu ficasse sempre soube que voltaria para você. Ela está tão confiante, é como se eu visse ela pela primeira vez em muito tempo e um brilho incomum vem dela.
— E por qual motivo está me dizendo isso?
— Pois, no fundo, sei que sempre me esperou.
— Queria uma atitude minha, não é? Pois, estou te dando uma.
Mayla virou as costas para Dom e pegou sua bolsa que estava sobre o sofá. Ele puxou o braço dela a virando para si.
— Onde você vai?
— Se todo esse tempo você nunca quis ficar comigo e agora ainda tem dúvidas significa que não sou a pessoa certa para você, eu não vou mais ser segunda opção. Cansei, tenho problemas de mais.
— Que problemas? — ele a olhou com ironia e uma fúria a atingiu. Mayla foi em direção a Dom grudando no pescoço do mesmo, seus olhos brilharam e ele jurou ver eles mudando de cor, ele sentiu uma dor forte tomando conta de seu pescoço e não sabia de onde ela estava tirando toda aquela força — Está me machucando.
A voz dele saiu sufocada pelo ar que estava perdendo.
— Gente, o que está acontecendo aqui? — Camila perguntou assustada e só ao ouvir a voz da amiga Mayla soltou o rapaz — Achei que estavam se beijando e no final a May estava quase te matando.
— Não sei o que deu em mim, eu vou embora — a garota estava totalmente desnorteada e sem forças.
— Não — Camila tomou a frente com Matthew ao seu lado — Quem tem que ir embora é o Dominique, eu te conheço e sei que se fez algo do tipo foi que ele mereceu.
— Vim com o Mathew — Dom não conseguia encarar ninguém na sala.
— Vamos embora cara — Mathew analisou Mayla e beijou sua testa, fez um toque com Camila e saiu da casa com Dom ao seu lado.
Camila se aproximou de Mayla a abraçando e assim a garota pode deixar as lágrimas descerem soltas por seu rosto.
— Sei que pode não parecer agora, mas um dia minha amiga você terá o melhor amor que alguém pode imaginar.
— Só queria que ele amadurecesse.
— Isso só acontecerá quando ele te perder de vez.
****
Ao chegar em sua casa Dominique bateu a porta com força, foi o caminho inteiro ouvindo perguntas e mais perguntas de Mathew e não respondeu nenhuma. Ele não sabia o que aconteceu com ele, mas ele sentia que de algum jeito estava perdendo Mayla por isso quis tirar alguma reação dela, mas não foi a reação que ele esperou.
Depois que ela completou seus 15 anos se fechou mais e parece que um muro começou a crescer entre os dois, mas mesmo assim ela ainda esteva ali para ele. A questão é que ele não se sentia pronto para assumi-la ou ele simplesmente sabia que ela sempre estaria lá.
— Garoto, aqui não é casa da mãe Joana não — seu pai resmungou com um livro de contabilidade em mãos, utilizando seu roupão azul-escuro e os cabelos desgrenhados. — Não ia dormir na Camila?
— Ela me expulsou.
— Dominique o que aprontou?
— Por que tenho que ser eu o causador das brigas?
— Brigas? Eu não disse brigas.
Dom revirou os olhos e seu pai o olhou frustrado, desde a morte da esposa o senhor Bellini só tem recebido reclamações a respeito do filho, o mesmo está sempre arrumando confusões ou se envolvendo em algum escândalo com garotas ou até mesmo mulheres casadas.
— Eu ainda sou seu pai Dom e pode conversar comigo sobre seus problemas.
— A única coisa que o senhor se interessa é tentar vender a empresa que minha mãe se esforçou tanto para construir. A sua vida se resume a procurar compradores.
Jeffrey Bellini se sentiu cansado e incapaz, seu filho parecia nunca amadurecer e em todas as conversas o jovem só queria gritar. O pai sabia que isso era devido a Karine, sabia da ligação entre mãe e filho e como isso mexia com Dom. Agora ele está virando um homem, perto de terminar o ensino médio e de ir para faculdade. Quantas bolsas o futebol poderá trazer para ele. Jeffrey se sentia sozinho, queria poder contar para o filho que a pouco a pouco estavam falindo por ele insistir na empresa da esposa e não ter nenhum lucro, mas o garoto não conseguia ouvir e muito menos entender.
— Pelo menos uma vez Dominique, deixe essas diferenças de lado.
Os olhos do garoto se encheram de lágrimas e uma após uma foram caindo e suas pernas bambearam o fazendo cair no chão. O pai o olhou assustado e foi em sua direção o envolvendo num abraço. O que Jeffrey queria? Ele ainda é um garoto, um filho sem uma mãe.
— Estou aqui meu filho.
— Sou um i****a pai, descontei todas as minhas frustrações na Mayla.
Mayla Cooper, como a moça os ajudou, levou comida e esteve junto deles, nos piores momentos. Era um anjo e o senhor Bellini só queria que o filho percebesse isso, antes que fosse tarde e ela se cansasse das migalhas que recebia de Dom.
— Você a machucou? — o pai perguntou com receio.
— Claro que não, ela que grudou no meu pescoço.
Dom mostrou o pescoço avermelhado para o pai, que começou a rir alto. Em sua cabeça veio a imagem de Mayla, mesmo tendo estatura média ao lado de Dominique ainda parecia pequena. A imagem dela irritada ao ponto de partir para violência fez Jeffrey rir ainda mais, tão meiga e gentil, era a última pessoa que em sua cabeça poderia fazer isso com filho.
— Não tem graça pai.
— Domini — pai o chamou pelo apelido de infância — Mayla Cooper ia desmaiar você.
As palavras do pai o fizeram rir, nunca se imaginou numa situação dessa.
— Não sei de onde veio toda aquela força.
— O que você fez ou disse para ela?
— Que estou dividido entre ela e a Kara.
— Kara? — o pai o olhou confuso, gostava da garota, mas não pensava que ela combinava com o filho.
— Ela está diferente pai, animada, sorridente, falante, divertida e sexy.
— E a Mayla?
— A Mayla é a Mayla.
— Como assim?
— Perfeita, perfeita demais. A Kara parece mais real.
— Se você acredita que a Mayla é perfeita, não anda prestando atenção nela. Do quanto ela mudou e de como parece sempre preocupada ou triste, não é possível que não veja.
— E tem outra coisa.
— O que?
— Sei que se eu assumir todos meus sentimentos por ela, acabaríamos ficando igual você e minha mãe.
— E seria tão r**m ficar como eu e sua mãe?
— Eu não suportaria a perder pai, não suportaria perder a única mulher que restou na minha vida.
— Se continuar sendo esse i****a, não precisará se preocupar com isso.
Jeffrey estendeu a mão para o filho que a pegou pensativo.
****
Mayla acordou no meio da noite assustada, mas dessa fez foi porque os pesadelos não a atingiram. O homem dos olhos azuis não veio até ela a chamando, assustando-a e de uma forma estranha uma preocupação se instalou em seu peito, uma angústia se fez presente nela, será que ela finalmente estava livre dos pesadelos? Isso deveria assustá-la ou confortá-la?
Se levantou e saiu da casa se sentando nos degraus enquanto o vento frio batia em seus cabelos, olhou a para a lua admirando sua beleza e pensando no que Dom disse, ela sentia diariamente que faltava algo nela. Mas o quê? Essa perguntava rondava sua cabeça e permanecia sem resposta.
De repente ela percebeu luzes de faróis batendo em seu rosto e olhou vendo Dom vir em sua direção, ela se levantou indo até ele.
— Dominique? Você está ficando maluco?
— Talvez eu esteja, mas eu não iria conseguir dormir depois de tudo que eu te disse e de como fui um b****a e sei que você também não conseguiria dormir, pois, não somos de deixar coisas m*l resolvidas entre nós. Somos amigos, somos melhores amigos. Então me perdoa Mayla.
A garota respirou fundo e encarou aquele homenzarrão a sua frente.
— Me perdoa Dom - essas palavras pareciam tirar um peso de si.
Dominique colocou uma mecha do cabelo de Mayla atrás da orelha.
— Essa é uma mania que já não me imagino ficar sem fazer.
Ele se aproximou mais dela, fazendo não ter mais nenhum espaço entre eles. Seus olhos queimavam em desejo por ela, suas mãos passaram pela lateral do corpo dela, envolvendo sua cintura. Delicadamente ele beijou cada parte de seu rosto, a fazendo fechar os olhos, o frio parecia ter sumido, dando lugar ao calor que emanava de um corpo para o outro. Então ela abriu seus olhos, olhando profundamente nos olhos dele e como se estivesse esperado muito tempo para fazer aquilo, Dominique tomou os lábios de Mayla com urgência e ela retribuiu entregando tudo de si naquele beijo, seus braços foram parar no pescoço do rapaz, eles se beijavam tão intensamente como se pudesse virar um só.
Quando ficaram sem ar se separaram e ele passou as mãos pelos cabelos dela e a olhou como se quisesse gravar aquele momento para sempre em sua memória. Ele sentiu medo, pois sabia que ele não era o que ela precisava naquele momento e mesmo assim não conseguia se afastar por completo. E se quando ele estivesse pronto outro chegasse? E se esse outro a fizesse sorrir mais do que um dia ele conseguiu? E se esse outro homem a fizesse tão feliz que todos os e se que ele tem a oferecer virassem certezas e sua vida não tivesse mais espaço para ele? Ao olhar para ela entendia que aquela menina mulher merecia o melhor amor que alguém poderia oferecer.
— Sou todo errado, estou tão perdido e não sei se posso afogar você na tempestade que sou.
— Estou tão perdida que não sei se posso te destruir no furacão que habita em mim. Por isso vamos deixar acontecer, se for para ser vamos nos encontrar. Apenas se reencontre primeiro Dominique.
— Você sempre sabe o que me dizer.
Mayla abraçou Dom de lado e ele aproveitou para inalar o cheiro do seu cabelo. Andaram abraçados até a entrada da casa e se sentaram nos degraus abraçados.
— Te trouxe uma coisa?
— O quê?
Dom tirou do bolso vários saquinhos com loureiro, canela, cravo, gerânio e jasmim.
— Ainda faz aqueles perfumes naturais incríveis?
— Faço, muito obrigada — ela pegou da mão dele analisando — Aprendi com a sua mãe.
— Sim, a filha que ela nunca teve.
— Sinto tanta falta dela.
— O aniversário da morte dela está chegando
— Olha para mim Dom — Mayla selou os lábios dos dois — Estou aqui com você independente da sua escolha.
— O que quer dizer com isso?
— Não poderá evitar para sempre escolher, sabemos que a Kara está determinada e não desistirá fácil. Então terá de escolher alguém ou escolher ficar sozinho. Só não espere que a vida das pessoas pare até você se decidir.
— Acredita que de algum jeito nutro algum sentimento pela Kara?
— Quem tem que responder isso é você e não eu.
Dom sempre soube que quando precisava de umas dicas de estudo, falar sobre filmes, animes, mangas, séries ou vídeo games Kara sempre esteve lá e esse lado dela sempre impressionou Dom. Ela não reagia bem sobre pressão e preferia viver em casa, vivendo sua vida através dos livros e ele queria ver mesmo o mundo real. Ainda assim, uma parte dele sabia que poderia ver ela lendo por horas.
— Não se preocupe na hora certa saberá o que fazer — Era como se Mayla lesse seu pensamento sem ao menos olhar para ele e então o rapaz a abraçou com força com medo do que o futuro traria para ele.
****
Os dias foram se passando e os pesadelos não voltaram, Mayla estava cada vez mais confiante que sua vida estava entrando nos eixos e que seu pai tinha razão sobre os pesadelos serem só uma fase. Camila e ela estavam cada vez mais amigas, nem parecia que o tempo que ficaram longe existiu e Kara estava cada vez mais preocupada em ter a atenção de Dom para ela. Mathew e Camila começaram a se aproximar cada vez mais também.
Numa noite todos se reuniram no campo de futebol americano da escola o time da casa White Wolves jogará contra Cheetahs. As líderes de torcidas das escolas estavam fazendo as apresentações iniciais. Quando os jogadores entraram em campo já sentia a rivalidade crescente entre eles, Dominique Bellini e Stephen Quaid nunca se deram bem e todas as oportunidades que tinham de brigar eles aproveitavam.
Os olhos de Stephen foram direto para Mayla, o rapaz nunca se importou de mostrar seu interesse por ela. Correu em sua direção com um sorriso, os cabelos negros bem cortados, a pele morena parecia reluzir e os olhos castanhos a olhavam com expectativa.
— Alguém já te disse como fica linda com o uniforme da torcida? — o sorriso torto nos lábios faria qualquer garota perder o folego, Mayla sabia que ele queria provocar Dom.
— Obrigada Stephen.
— Estava aqui pensando, quando vai me dar seu número?
— Não me use para provocar o Dom.
— Essa não é minha intenção.
— Até parece — Mayla saiu, mas ele segurou seu braço.
— O que está acontecendo aqui?
— Estamos apenas conversando Bellini, ou agora é proibido?
— Fica longe da May
— Você não é nada dela cara, não é namorado muito menos o dono. Você não sabe a pessoa que está perdendo, mas eu vejo e posso dar todo o valor para ela.
— Ela não será mais uma, na sua listinha de conquista Quaid.
— Eu não sou você — No passado a rivalidade de Dom e Stephen chegou no auge quando Betânia e Dom começaram a ficar, com ela ainda sendo namorada de Stephen.
— Quando fiquei com Betânia, não sabia que namoravam.
— Não toca nesse assunto.
— Se eu soubesse eu nunca teria ficado com ela Stephen.
— Você é um mentiroso.
Num momento de raiva Stephen da, um soco no rosto de Dominique, que revida, os dois caem no chão trocando socos. É preciso que os outros jogadores do time intervenham.
— Bellini e Quaid, estão expulsos desse jogo.
Dom começar a sair do campo indignado, seu pai tenta falar com ele, porém acaba ignorando o mesmo. Mayla vai em sua direção preocupada e o segue até o estacionamento.
— Dom — sua voz sai baixa e suave.
Ele se vira para ela com o rosto machucado.
— Eu fiz m***a May, esse ano é um dos mais importantes para mim. Os olheiros vão começar a vir aos jogos e eu sempre acabo envolvido em alguma confusão, sou muito burro.
— Calma, vai conseguir passar por isso.
Ela se aproxima mais dele e o cheiro de sangue invade seu nariz e influenciada pela sensação de excitação que estava sentindo, beija Dom. Sua língua toca os lábios cortados dele e o gosto de sangue só a deixa mais inquieta, a fazendo aprofundar o beijo. Seus dentes vão de encontro com os lábios dele mordendo e sentindo o rosto de sangue tomar seu ser e novamente os caninos doem como se quisessem se alongar.
— Caramba! May, vamos com calma. Está doendo tudo.
A olhando daquele ângulo Dom nunca a viu tão bonita como naquele momento e mais uma vez seus olhos pareceram mudar de cor ou seria apenas impressão dele?
— Me desculpe — ela disfarçou, mas uma fome crescente nascia nela — Ainda guarda o quite de primeiros socorros no porta malas?
— Sim.
Ela pegou o quite e limpou o rosto dele em silêncio, pensando apenas no gosto do sangue dele e como as veias de seu pescoço pareciam atrativas, mas, ao mesmo tempo, se punia por pensar assim.
— Não acredito que estraguei tudo hoje, bem no aniversário da morte da minha mãe.
— Dom.
— O prêmio de i****a do ano é meu. Tá afim de ir a um lugar comigo?
— Para onde?
— Entra aí vai. Acho que vai gostar.
Entraram no carro e Dom dirigiu até sua casa, desceram do carro e Mayla o seguiu. Ele a levou até o lago e se sentaram numas pedras.
— Lembra como esse lago marcou nossa infância? Era o lugar favorito da minha mãe, você e ela colhendo ervas para os perfumes e eu, Mathew, Kara e Camila brincando.
— Eu me lembro como se fosse ontem.
— Infelizmente já se passou anos e os anos que se seguiram foram muito difíceis, médicos e mais médicos. Todos aqueles tratamentos que me davam um pouco de esperança, mas, na verdade, só faziam minha mãe definhar um pouco mais naquela cama.
Os dois ficaram em silêncio, apenas se lembrando de como a mãe dele se transformou de uma pessoa doce para uma mulher agressiva.
— Quer saber Dom, a tia Karine jamais iria gostar que essa data fosse assim, nós, triste de mais para fazer qualquer coisa. Sua mãe era uma mulher feliz e tenho certeza que é assim que ela gostaria de ver a gente, então eu te desafio a entrar naquele lago comigo.
— Está maluca? A água deve estar um gelo.
— Se não quiser entrar não tem problema, apenas direi a todos que Dominique Bellini é um medroso.
Mayla começa a retirar seu uniforme da torcida ficando apenas com uma lingerie preta, Dom a olha admirado e abre um sorriso retirando suas roupas.
Os dois entram na água de mãos dadas, sentindo seus corpos se arrepiarem por água estar muito fria.
Logo começam a jogar água um no outro e o silêncio foi substituído por risadas, logo os dois estão abraçados no meio do lago enquanto se olham com sorrisos nos lábios.
— Você é inacreditável Mayla Cooper.
Dom a beija juntando mais seus corpos, aproveitando aquele momento os dois sobre a luz da lua, num lago e vivendo um momento deles.
Foi isso que ele pensou, mas o que não percebeu foi que Kara também estava ali olhando cada movimento dos dois sentindo uma raiva que dominava seu ser.