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Celine acompanhou Maximus sem falar nada, apenas apreciando a decoração e a vista que as paredes de vidro da casa lhe permitia ver. Ele estava em silêncio e já havia tirado o blazer e deixado sobre o sofá, em uma sala que tinha no corredor entre as suítes. Enquanto se dirigia até o quarto que ela ficaria, ele ergueu as mangas da camisa, dando fim à sua curiosidade, revelando as tatuagens que cobria todo seu antebraço.
— A Flora disse que cuidava de tudo aqui, quando ela falou isso, ela não estava se referindo a todos os afazeres da casa, não é? — Celine perguntou, quebrando o silêncio e aquele clima estranho que se estabeleceu entre os dois.
— Não, ela só dá as ordens mesmo, ela não tem mais idade para fazer isso e nem daria conta de cuidar de tudo, tem mais pessoas encarregadas de cuidar de tudo isso aqui do que você imagina. — Respondeu, caminhando ao lado dela.
— E você mora sozinho aqui? — Perguntou, tentando manter uma conversa mais calma com o homem que estava abrindo sua casa e sua privacidade para ela, uma estranha.
— Sim, eu moro sozinho aqui. — Respondeu. — Chegamos, esse é o seu quarto por um mês. — Abriu a porta, permitindo que ela passasse.
Celine sorriu, era uma baita de uma suíte, um quarto para ninguém pôr defeitos e aquela cama parecia tão confortável, que ela até sentiu o cansaço da viagem bater em seu corpo. A suíte tinha um cheiro de lavanda, um aroma bastante agradável, cheirinho de limpeza. Ela deixou sua bolsa sob uma escrivaninha, que era bastante espaçosa e caminhou pelo lugar.
— Você não mentiu quando disse que eu iria ficar confortavelmente bem. — o encarou. Maximus estava de braços cruzados, encostado no batente da porta, observando a locomoção dela pelo quarto. — Mas eu tenho uma dúvida desde que fui informada que ficaria na sua casa. — Se aproximou, ficando com mais ou menos um metro de distância dele.
— Qual dúvida? — Os olhos de Celine percorreram o corpo dele, inclusive o peitoral marcado na camisa preta, onde o tecido estava esticado, evidenciando os músculos daquela região, ela também tentou decifrar as tatuagens que conseguia ver, mas estava um pouco difícil.
— Por que eu tive que ficar aqui e não na casa dos seus pais? — Perguntou com curiosidade.
Maximus respirou fundo, enquanto pensava se deveria dizer o porquê dela ter que ficar na sua casa.
— Wade, você sabe a resposta para a minha pergunta? — Perguntou impaciente, após uns dois minutos de silêncio.
— Se não for pedir muito, gostaria que me chamasse de Maximus, por favor. — Pediu, chateado por ela tê-lo chamado pelo nome que ele não gostava.
— Esse nome é muito longo, prefiro Wade, também acho mais bonito. — Disse, sabendo que aquilo o irritava.
Ele bufou, fazendo-a rir sem que o mesmo percebesse.
— Então, você tem uma resposta para a minha pergunta ou não? — Quis saber.
— Você não ia gostar de ter que conviver com os meus irmãos, eles não iriam te deixar em paz. — Respondeu, deixando-a mais confusa.
— Não consigo entender, por que eles fariam isso? São crianças? — Ele arqueou uma sobrancelha e balançou uma cabeça.
— Mentalmente eu os considero umas crianças de três anos que não medem as consequências dos seus atos, mas são adultos, o Alessandro tem 38 anos e a Paola 36, mas não agem como adultos. — Ela ficou surpresa.
— Nossos pais são tão amigos, mas não sabemos nada sobre as famílias de ambos. — Clarice pareceu chateada por não saber de detalhes tão simples.
— Não apenas isso, mas fico surpreso dos dois nunca ter promovido alguns encontros em família, se isso tivesse acontecido, talvez não estivéssemos discutido por uma mesa mais cedo. — Lembrou do ocorrido que acabou gerando algumas discussões entre eles.
Celine estava pronta para responder, mas no momento o segurança chegou com as malas dela.
— Onde posso deixar as malas, senhor? — Maximus foi surpreendido pelo homem, dando espaço para ele passar. Mas Celine respondeu mais rápido.
— Ah, pode deixar elas aqui mesmo. — Celine indicou um lugar no cantinho. — Obrigada! — Agradeceu gentilmente ao homem.
— Não há de quê, senhorita. Com licença. — Voltou a deixar o casal sozinhos.
— Os armários do closet estão desocupados, pode usá-los para colocar suas coisas. Agora vou deixá-la sozinha, pode ficar à vontade. — Disse, dando-lhe as costas, pronto para sair do quarto.
— Wade! — Ela o chamou, fazendo-o parar bruscamente. Ele fechou os olhos e respirou fundo para não começar uma discussão.
— Oi. — Disse, virando-se para encará-la.
— Obrigada! Posso não ter deixado claro no começo, mas estou grata por me receber na sua casa, sei que não é fácil para ninguém hospedar uma completa estranha em sua casa e ter que dividir de certa forma sua i********e com ela. — Ele não esperava que ela fosse lhe dizer aquilo, após ter sido tão m*l educada e grosseira com ele.
— Disponha e mais uma vez, fique a vontade. — Ela assentiu e o mesmo saiu, fechando a porta do quarto, permitindo que ela se sentisse mais confortável.
Celine tirou os tênis que usava junto com as meias e caminhou pelo quarto, sentindo a maciez do tapete sob os seus pés. As cortinas da janela que funcionavam como uma porta dava acesso à uma área externa, a sacada, onde podia-se ver uma linda paisagem arborizada.
— O nascer do sol aqui deve ser belíssimo. — Disse olhando através do vidro. Em seguida jogou-se na cama. — Com certeza hoje eu vou ter uma ótima noite de sono, que cama confortável, é melhor que a daquele hotel. — Disse, encarando o teto. Seus pensamentos automaticamente foram para o dono daquilo tudo. — Será que eu fui muito rude com ele? Por que eu fui agir daquela forma? A Karine pode está certa, as vezes eu extrapolo os meus limites. — bufou irritada com ela mesma.
Celine levantou-se e foi até a sua bolsa, onde pegou o seu celular e ligou para sua irmã, voltando a deitar-se na cama. Depois de chamar três vezes, o rosto de Karine apareceu na tela do seu aparelho telefone.
— Duas ligações sua em um único, você bateu o recorde. — Brincou, encarando a irmã através do aparelho.
— Não diga bobagens! Nossos pais já chegaram? — Perguntou, ansiosa.
— Sim e devem estar na sala, estou no meu quarto revendo alguns projetos. Você quer falar com eles? — Perguntou.
— Sim, mas não agora. Antes eu quero falar com você. — Ela sentiu que precisava dividir a informação de que Maximus era o mesmo homem do café com alguém ou iria enlouquecer.
— O que aconteceu dessa vez? Você está bem agitada, o que não é tão incomum tratando-se de você. — Respondeu.
— Sabe o cara do café que eu te falei mais cedo? — Karine arregalou os olhos, ficando preocupada.
— Não me diga que ele te encontrou? Eu sabia que esse homem ia atrás de você, sua maluca. Você está bem? — Perguntou, ficando ansiosa.
— Não se preocupe, eu estou bem e ele não veio atrás de mim, ele é o filho do senhor Alan, o melhor amigo do nosso pai. — Revelou, deixando a irmã bastante surpresa.
— Você não pode estar falando sério, Celine? Você não seria tão azarada desse jeito? — Perguntou, incrédula.
— Não, eu não estou brincando e sim, eu sou muito azarada. Agora eu estou aqui na casa dele, após fingir não conhecê-lo na presença do senhor Alan, depois ainda discutimos no carro dele e ele me cobrou os 25 euros do café, continuamos discutindo no meio do trânsito, a discussão continuou mesmo depois dele parar o carro, então fiquei furiosa, joguei o dinheiro em cima dele e sai do seu carro pronta para pegar minhas malas, parar um táxi e ir para um hotel. Então, ele após pedir várias vezes para eu voltar para o carro, me jogou nas costas, como se eu fosse um saco de batatas e me fez entrar no seu carro e agora estou aqui, em um dos melhores e mais confortáveis quartos de sua mansão. — Disse de uma vez, deixando sua irmã atônita.
— Celine, em que mundo você vive? Como pode agir dessa forma com as pessoas? Você não tem noção do perigo ou não se preocupa nada com o que as pessoas podem sentir com as suas ações? — Karine disse, chateada.
— Se fosse com você, você faria o mesmo. — Bufou irritada.
— Não, eu não faria o mesmo. Até porque eu não iria discutir com um estranho por causa de uma droga de uma mesa. Às vezes eu acho que você é apenas uma criança, sabia? Porque agir como você age, só se você tiver a mentalidade e a idade de uma criança de cinco anos. — Falou, deixando Celine ainda mais chateada.
— Você não vai tentar me entender, não é? — Perguntou.
— Não tem o que entender, Celine. Você que arrumou briga primeiro, foi você que discutiu com um homem por causa de uma mesa em um café, onde ele tinha chegado primeiro e estava no seu direito de recusar a dividir o seu espaço com uma estranha. Mas como você está bem instalada, em um dos melhores quartos da casa dele, significa que ele não é tão grosseiro como você imaginou. — Celine negou.
— Não é isso que você está pensando, ele fez isso por causa dos nossos pais, ele aparenta ser um filho super obediente e não gosta de contrariar o pai. Mas não é da vontade dele que eu esteja aqui. — Revelou.
— Mas está, mesmo você sendo grossa e m*l educada com ele, o homem está sendo gentil em aturar você, mesmo com a desculpa que está fazendo isso pelos nossos pais. — Disse.
— Você está mesmo do lado dele, não é? — Perguntou.
— Conheço você e sei o quanto você pode ser chata e teimosa. Mas me fala, como ele é pessoalmente? É bonitão? — ficou curiosa.
Celine não gostou da reação de Karine e não queria prolongar aquela conversa.
— Daqui um mês você descobre como ele é e tira suas próprias conclusões, não vou falar sobre ele, também não sei se ele é bonito, não é o tipo de homem que faz o seu tipo se é o que quer saber. Desculpe incomodar você novamente, tchau. — encerrou a ligação, deixando o celular de lado. — Então eu sou chata e teimosa? Não sei porquê ainda ligo pra ela? — Levantou-se rapidamente, sentindo que precisava de um banho rápido.
No quarto ao lado, Maximus se encontrava no seu, enquanto se livrava das suas peças de roupas, ele lembrava de todas as grosserias que Celine havia lhe dito desde que se encontraram naquele café. Ela era teimosa e às vezes agia como criança. Ele sabia que não seria nada fácil a convivência com ela, principalmente trabalhar ao seu lado.
Assim como Celine, ele foi para o banho, precisava sentir a água gelada em seu corpo e deixar que todo aquele aborrecimento fosse embora pelo ralo, junto com a água, mas estava difícil, já que a imagem da morena não saia de sua memória.
— Só posso estar louco. Onde eu estava com a cabeça quando concordei em trazer uma estranha para minha casa e principalmente essa estranha? — Falou, passando as mãos entre os fios de cabelos, os bagunçando.
Não adiantava quantos minutos ele ficasse embaixo do chuveiro, nada ia mudar, já que a responsável pelos seus problemas estava bem ali, no quarto ao lado. Ele saiu do banho com uma toalha em volta da cintura e outra secando os cabelos, quando seu telefone tocou e o nome de Josh apareceu na tela.
— Fala, Josh. — Disse ele, colocando o celular em viva voz, levando-o para o closet.
— Procurei você na sua sala, mas já tinha ido embora. Então, como é a sua nova colega de trabalho? — Perguntou, ansioso e curioso.
— Você me ligou apenas para saber sobre ela? — Perguntou, pegando uma boxer.
— Claro, você estava tão nervoso por causa disso e da mulher que cruzou seu caminho hoje no café. — Enquanto o ouvia, Maximus já tinha se vestido.
— É, acho que estou numa maré de azar muito grande. A tal mulher se chama Celine, meu pai colocou a mesa dela na minha sala e além de dividir a sala com ela, eu também estou hospedando ela na minha casa por um mês e para fechar o pacote, ela e a mulher do café são a mesma pessoa. — Revelou, ouvindo a risada estridente do amigo do outro lado da linha.
— Você só pode estar de brincadeira, não é? — Perguntou, tentando controlar sua risada.
— Quantas vezes eu brinquei com algo desse tipo? — Perguntou, evidentemente zangado.
— Isso é muita coincidência, quem diria que a mulher que conseguiu te deixar tão nervoso, é exatamente a mesma que você vai trabalhar junto. Mas não entendi o porquê dela estar na sua casa. — Disse.
— Pedido do senhor Alan, ela é filha do melhor amigo dele e como ele não queria que ela tivesse que conviver com meus amigáveis irmãos, ele pediu para que eu a trouxesse para a minha casa. — Respondeu.
— Mas me fala como ela é? É bonita? Quando eu perguntei a você mais cedo não me respondeu. — Maximus não estava com nenhuma intenção de responder aquela pergunta.
— Quando você a conhecer saberá se é ou não bonita. Não serei eu que irei matar essa sua curiosidade. — Maximus ouviu ele respirar fundo.
— Nossa, você não pode sequer matar a minha curiosidade? Não pode me dizer o que achou da tal mulher? — Perguntou.
— Não, não posso e você deveria pensar na sua esposa grávida e na sua filha que está chegando e não na sua futura colega de trabalho. Agora eu preciso desligar, vou almoçar e dessa vez terei que dividir a mesa com ela. — Disse, lembrando-se de mais cedo.
— Tudo bem, não está mais aqui quem perguntou. Pelo jeito ainda está irritado, então não vou mais te perturbar, até amanhã. — Disse, em seguida encerrou a ligação, sem esperar que Maximus o respondesse.
Maximus terminou de se vestir e bateu na porta do quarto de Celine, que abriu imediatamente. Ela tinha tomado banho e seus cabelos ainda estavam úmidos, ela usava apenas um short de alfaiataria preto e uma regatinha branca soltinha, ele a observou por alguns segundos, logo quebrando o silêncio.
— Você disse que não tinha almoçado, então a Flora fez algo para nós comermos, vamos? — A chamou.
— Você vai dividir a sua mesa comigo? — Alfinetou o grandão.
— Vou, pelo menos pelos próximos trinta dias. — Respondeu, fazendo-a rir. — Vem. — Disse, saindo, logo sendo seguido por ela.
Celine pôde ver que ele também tinha tatuagens nas pernas, já que o mesmo estava usando uma bermuda e uma camiseta polo, assim constando que basicamente todo o seu corpo era coberto por figuras que ela não compreendia o que eram e muito menos sabia o significado delas, mas que o deixava ainda mais atraente.