Pré-visualização gratuita Prólogo
Recém chegada em Madrid e matando a saudade da sua cidade natal, Celine entra no único café próximo ao hotel que estava hospedada e o que mais lhe chamou atenção, já que foi o que mais lhe trouxe uma sensação de acolhimento e pertencimento, como se já tivesse entrado naquele lugar várias e várias vezes. O aroma do café e a luz do sol criavam uma atmosfera reconfortante, e ela se sentia parte da vida vibrante de Madrid. O aroma do café recém-preparado pairava no ar, convidando-a a ficar, mesmo já estando lotado e sem nenhuma mesa disponível. Sua atração pelo lugar era inexplicável e tudo que ela queria naquele momento era provar o café com leite e croissants que estava desejando desde que acordou.
O balcão de mármore exibia doces tentadores, desde croissants dourados até bolos caseiros. As xícaras de porcelana branca estavam alinhadas, esperando para serem preenchidas com café forte, quente e aromático. O barista, com seu avental marrom e o nome do café bordado em branco, sorria para Celine enquanto preparava seu pedido, ele sabia que ela não era cliente, ele conhecia todos os rostos que passavam por ali durante a manhã e ela nunca esteve no café. Enquanto esperava, ela observava os madrilenhos ao seu redor: estudantes com laptops, idosos lendo jornais, casais compartilhando segredos e um homem em especial, que chamou sua atenção.
O homem em questão não era do tipo que se passava despercebido, seu tamanho e seus músculos, que se destacava no terno de tecido nobre, a fazia lembrar de personagens de filmes, o terno monocromático preto e o corte de cabelo undercut com o topo impecável e todos os fios bem alinhados em seus devidos lugares não tinha como não chamar a atenção das pessoas, além disso, as tatuagens em suas mãos e pescoço, que em contraste com a sua pele clara trazia um ar sexy para o homem, foi o maior detalhe que chamou a atenção de Celine. Os olhos dele castanho escuro eram carregados de mistério. Ela se perdeu no tempo, enquanto observava o desconhecido, que aos olhos dela era extremamente lindo e atraente.
— Ao lado dele eu devo parecer uma joaninha. — Pensou em voz alta.
— Perdão, o que a senhorita disse? — Perguntou o barista, entregando o pedido dela.
— Ah, não foi nada, só estava pensando alto mesmo. — Ela olhou em volta. — Não tem nenhuma mesa disponível? — o rapaz também olhou para o salão do café.
— Infelizmente não tem, esse horário é sempre muito lotado. A senhorita sabe, horário que alguns estudantes estão indo para a escola, pessoas indo para o trabalho, somos o único café aqui e por isso somos tão requisitados. Mas se quiser pode usar o balcão, não é tão confortável quanto às mesas, mas ainda pode desfrutar do seu café sem preocupações. — Celine sorriu, o rapaz era bastante gentil.
— Isso é bom para o faturamento, também significa que vocês tem um bom atendimento. — Sorriu. Os olhos dela voltaram para o homem que tomava o seu café de forma tranquila, que agora mexia no seu celular. — Vou ver se consigo dividir a mesa com alguém. — Pegou o seu pedido e saiu em direção ao homem que tinha tanto chamado sua atenção.
Ela se aproximou e respirou fundo, sentindo o perfume amadeirado dele invadir suas narinas. Ela parou em frente a mesa dele e tomou coragem para falar com ele.
— Com licença, bom dia! — Disse, tendo a atenção do homem, que ergueu apenas o seu olhar, mas nada lhe respondeu. — Desculpe-me incomodar, mas todas as mesas estão ocupadas e só você está sozinho, posso dividir a mesa com você? — O homem era sério e não esboçou nenhuma reação, sequer respondeu ao seu cumprimento.
— Não, não pode. — Disse seco, o que a deixou incomodada.
— Por que não? Eu prometo ficar quieta. — Disse, tentando persuadir o grandão.
— Porque eu cheguei primeiro e não quero dividir mesa com ninguém, agora saia. — Celine respirou fundo, tentando manter a calma.
— Não seja tão egoísta, eu não vou incomodar você. Só quero tomar meu café. Cheguei há poucas horas na cidade e não conheço quase nada, só quero poder comer alguma coisa em paz, eu juro que não vou trocar uma palavra com você. — Ele largou o celular em cima da mesa e a encarou com raiva.
— Você é surda ou se faz de i****a? Qual é a sua dificuldade em entender que eu não quero e não vou dividir mesa com ninguém? — A voz dele soou rouca, mas baixa para não chamar atenção dos outros clientes.
— Eu ouvi muito bem o que disse. Além disso, você é um arrogante, egoísta, sem empatia. — Retrucou.
O homem ajeitou o seu terno e voltou a respirar fundo, esperando não chamar a atenção dos clientes do café.
— Não sou egoísta, sou um cliente do café e como consumidor tenho o direito à uma mesa e também tenho o direto de me recusar a dividir a mesa com uma estranha, além disso eu não lhe devo satisfação. Procure outro lugar para fazer a sua refeição. — Celine atingiu o seu nível de paciência.
— Você é um i****a, grosso, arrogante, i*****l de merda. — Os olhos dele escureceram ainda mais, os ossos da sua mandíbula se moveram, enquanto ele trincava os dentes, mostrando sua força em se manter calmo. O homem que parecia ser um empresário bem sucedido, olhou para os lados, odiando ter se tornado o centro das atenções para alguns clientes do café.
— Você gosta de chamar atenção, uma barraqueira m*l educada, que não aceita um não de uma pessoa que está no seu direito. Não vou dividir a mesa com uma deselegante como você, olhe ao seu redor, se queria chamar a atenção dessas pessoas, parabéns, conseguiu o que queria. — Xingou, irritado.
Celine afastou o cabelo do rosto e suspirou.
— O único m*l educado e deselegante aqui é você. Está em uma mesa sozinho, tomando apenas a droga de um café e se recusa a dividir com alguém que foi extremamente educada com você. Seu indelicado, não tem empatia pelo próximo não, seu babaca e******o? — Ele fechou os punhos com força, mantendo o seu controle para não ser mais rude com ela, até os nós dos seus dedos ficarem brancos.
— Escuta aqui garota, você veio até mim e está enchendo a minha paciência. Sabia que tem a opção de tomar o seu café lá no balcão? Então volta pra lá e me deixa em paz, se não quiser conhecer a minha versão de indelicado. — Retrucou, voltando sua atenção para o seu celular.
— Existe outra versão pior do que essa? — Perguntou furiosa.
— Sim e acredite, você não vai gostar de conhecê-lo. — Respondeu seco.
— i****a, narcisista de merda! — Murmurou, saindo pisando duro em seguida voltando para o balcão.
Celine estava furiosa, mas ainda continuava faminta e precisava tomar aquele café, mas não o faria ali. Sua vontade era esmagar o pescoço daquele homem com suas próprias mãos.
— Você pode embalar pra viagem? Além disso, eu vou querer mais cinco croissants e cinco tortinhas, duas de limão e três de morango. — Pediu ao barista.
— Posso sim, só peço que aguarde dois minutinhos. — Com agilidade o rapaz que já tinha muita experiência separou o pedido dela.
— Quanto ficou tudo? — Perguntou, enquanto observava de canto de olho o homem com quem tinha discutido.
— Tudo ficou 25 euros, senhorita. — Respondeu com gentileza.
— Ótimo. Sabe aquele grandão naquela mesa ali? — Apontou para o homem e o jovem barista assentiu. — Então, ele não pôde dividir a mesa comigo porque estava resolvendo umas coisas de trabalho, então em forma de desculpas, pediu para pagar a minha conta, você pode colocar junto com a dele, está bem? — Perguntou sorrindo.
— Eu tenho que perguntar a ele. — Disse.
— Não, não precisa, você viu quando a gente estava conversando, não viu? — Perguntou com um sorriso encantador, o que deixou o jovem um pouco desconcertado. Ele confirmou com a cabeça que sim. — Então, não há pra que incomodá-lo, além disso, eu estou com bastante pressa. — Disse Celine, pegando suas coisas e saindo em seguida.
Antes de sair do café ela deu uma última olhada em direção ao homem, que estava entretido no celular, mas ele percebeu a presença dela, quando a mesma passou próximo a janela que ele estava sentado. Alguns minutos depois o homem levantou-se e caminhou até o balcão.
— A minha conta, por favor. — Pediu sério.
— Aqui está, senhor Maximus. — Ele olhou o valor e tinha outro valor abaixo do que ele tinha consumido.
— O que é este valor aqui? — Perguntou confuso.
— Ah, é a conta daquela moça que queria dividir a mesa com o senhor. — Revelou o barista.
— Espera, ela deixou a conta dela para que eu pagasse? — Perguntou surpreso.
O rapaz franziu o cenho.
— Sim. Ela disse que o senhor pagaria a conta dela em forma de desculpas por não poder dividir a mesa com ela. O senhor esqueceu? — Maximus respirou fundo, xingando a mulher mentalmente.
— Claro, eu acabei esquecendo. Me desculpe! — Mentiu, ele nunca se ofereceu para pagar a conta de tal desconhecida, mas não deixaria que o barista tivesse um prejuízo ou fosse repreendido pelo seu chefe.
Após pagar a conta, ele saiu do café e entrou no seu carro, que estava estacionado em frente ao café, dando partida e em seguida dirigiu até a empresa.
— Ihhhh, que bicho te mordeu? — o moreno perguntou acompanhando Maximus até a sua sala.
— Hoje eu não estou para brincadeiras, Josh. — Disse Maximus para o amigo.
— Quer falar o que te deixou assim? — Insistiu.
— Você não devia estar trabalhando? — Perguntou o mais alto.
— Não seja grosso e me fale o que aconteceu para que chegasse assim na empresa. Claro que você não é a pessoa mais extrovertida que eu conheço, mas eu sei quando algo te perturba. — Disse o amigo.
— Uma m*l educada, impertinente, indelicada e deselegante me encheu o saco hoje no café, me xingou e ainda deixou a conta dela pra que eu pagasse. — Respondeu.
— E pelo menos ela era bonita? — Perguntou com curiosidade.
— Não sei, e mesmo se fosse, isso não muda a falta de educação dela. Uma mulherzinha que gosta de chamar a atenção das pessoas e ainda critica os outros pelos seus próprios atos. — Respondeu demonstrando sua indignação.
— Mas estou curioso para saber o valor da conta da moça? — Josh perguntou rindo.
— 25 euros. — a risada dele deixou Maximus ainda mais irritado.
— Do que está rindo? — Perguntou surpreso.
— Você está zangado por causa de uma conta de 25 euros? — Perguntou se recuperando da risada. — Isso não é nada para você, Max, pelo amor de Deus. — Josh disse.
— Você é meu amigo mesmo? Acha que estou bravo por causa disso? Eu não me importo de ter que pagar a conta dela, mas fiquei zangado pela audácia dela, pela arrogância. — Explicou.
— Já pensou que ela pode ser alguém que não tinha condições de comprar o café da manhã dela e esse foi o meio de conseguir? Ela poderia estar envergonhada de pedir ajuda, talvez seja uma mulher que precisa, sem condições financeiras, existem muitas pessoas assim no mundo, você sabia? — Perguntou como se o amigo não soubesse das pessoas carentes que existem no mundo.
Maximus negou, balançando a cabeça.
— Não era. Ela estava bem vestida, cabelo e unhas bem cuidadas, um bom perfume e usava jóias e quando falo jóias, digo jóias de verdade mesmo e não bijouterias. — Explicou.
— E você observou tudo isso? — Josh perguntou.
— Ela ficou por quase quatro minutos tomando o meu precioso tempo, eu observei o comportamento dela e como se vestia, isso não passaria despercebido por mim. — Disse.
— Ela mexeu com você e quando digo que mexeu não é pela irritação que lhe causou, mas sim pela pessoa que ela é. Você não chegaria aqui no trabalho dessa forma se ela estivesse apenas sendo m*l educada com você. Desde quando o poderoso Maximus se importa com pessoas que são m*l educadas com ele? Principalmente quando não se trata de negócios. Você é do tipo de pessoa que simplesmente ignora os outros seres humanos que não lhe agregam em alguma coisa. — Maximus sentou-se relaxado, respirando fundo.
— Não quero mais falar desse assunto, acho melhor você ir para a sua sala, pois até onde eu sei, você tem um projeto em andamento. — Disse Maximus, tentando fugir daquela conversa com o amigo.
— Já entendi, você não quer conversar mais sobre essa mulher que está mexendo com você e está tentando descontar sua frustração em mim. — Levantou as mãos em forma de rendição.
— Acho que essa história não é relevante. Mas também tenho muitos trabalhos, além disso chegará ainda hoje uma nova engenheira e adivinha quem vai trabalhar com ela segundo as ordens do senhor Alan Gutierrez? — perguntou Maximus.
— Ele se aposentou, mas continua mandando em tudo, inclusive em você. — Riu.
— E eu seria louco se não fizesse o que o meu pai pede. Você sabe, se por acaso eu deixar essa empresa, aqueles dois carnívoros levam ela a falência em menos de 24 horas. — Revelou.
— Boa sorte no treinamento da novata.
— Bom, pelo menos isso eu não terei que fazer, ela não é novata, já tem alguns anos de profissão, ela é mais uma ótima contratação que o meu pai fez, além disso, é filha de um amigo dele, daquele tipo de amigo muito, muito fiel, e que estão fechando uma sociedade. — Respondeu.
— No caso, ao invés de treiná-la, você vai trabalhar com ela. — Maximus assentiu.
— Então boa sorte, meu amigo, desejo que ela seja pelo menos mais educada que a mulher misteriosa que você conheceu hoje. — Josh brincou, deixando-o irritado.
— Vai se ferrar, Josh. Sai da minha sala, antes que eu te demita por justa causa. — Ameaçou o amigo que não se assustou com suas ameaças.
— Tudo bem, não está mais aqui quem falou, estou voltando para os meus projetos. Bom dia para você. — Riu, mas Maximus manteve sua postura séria, ele nunca ria.
O empresário com toda a sua postura séria voltou para a sua mesa e suspirou com raiva, o encontro de mais cedo com a mulher de cabelos ondulados tinha mexido com ele e com seu humor que nunca estava bom e ela só tinha deixado-o pior.