Trabalhar juntos!

2176 Palavras
[...] Maximus estava perdido em pensamentos, o que não era comum com o homem de porte atlético e de personalidade super forte, ainda mais quando ele estava na empresa. Mas existia alguém por trás daquela distração do empresário rígido que sempre estava com uma pilha de documentos ou grandes projetos à sua frente. Alan, pai de Maximus adentrou a sala e o filho sequer notou a presença dele ali, o que deixou o mais velho curioso, nada e nem ninguém conseguia roubar a atenção de seu filho daquela forma, bom era o que ele pensava até aquele momento. — Maximus? — O chamou, mas ele não lhe deu atenção. — Maximus, está me ouvindo? — O homem continuou olhando pro nada. — Maximus Wade! — Alan bateu na mesa com as duas mãos, chamando a atenção do grandão. — Pai? — saiu dos seus pensamentos e encarou o grisalho. — o senhor me assustou. — Disse, ajeitando seu terno. — Enquanto eu me sinto bastante surpreso com o que meus olhos estão vendo. — Disse Alan com um sorriso divertido nos lábios. — O que quer dizer com isso? — Perguntou, voltando a sua postura séria. — Você estava tão distraído que nem me viu entrar e isso não acontece com você. Você não ficava distraído assim nem quando era criança, sempre foi muito esperto, atencioso. Eu diria até que tem mulher envolvida nessa distração. — Alan disse, arrancando uma carranca de indignação de Maximus. — Ah, pai. Não tem ninguém, só estava pensando nos próximos projetos que tenho que supervisionar e além disso tem a chegada dessa nova engenheira, não sei por qual motivo o senhor resolveu contratar essa mulher e muito menos o porquê de colocá-la para trabalhar justo comigo. O senhor sabe que eu gosto de trabalhar sozinho. — Respondeu, ficando zangado. — É exatamente por causa dela que eu estou aqui. E o motivo de eu ter contratado ela, é por causa da profissional excelente que ela é e pela amizade que tenho com o Manuel, o pai da Celine. — Disse. — Ah, então o nome dela é Celine? — Perguntou. — Sim, Celine Muñoz, filha do Manuel e da Ruth. Você viu o contrato, não olhou o nome da moça? — Maximus deu de ombros. — Era uma contratação feita pelo senhor, não prestei atenção, não era e não é importante para mim, até o senhor dizer que terei que trabalhar com ela. Por que eu? — Alan riu. — Porque você é a pessoa que mais confio aqui e o mais qualificado para trabalhar com uma profissional como a Celine, você têm o mesmo grau de formação e de talento, serão uma ótima dupla. — Disse Alan, vendo o filho respirar fundo. — Além disso, a forma como vocês conseguirem desenvolver esse trabalho, servirá para que o Manuel e eu fechemos a parceria entre as empresas. — revelou. — Eu espero que ela seja tudo isso mesmo que o senhor está dizendo, não quero trabalhar com alguém que só atrasa o meu trabalho. — Alan negou. — Desde quando eu me enganei com um profissional? Você é o meu filho mais novo e está aqui porque é mais capacitado que o Alessandro, ele já teria levado a nossa empresa a falência. — Maximus assentiu. — Nisso eu concordo com o senhor. Meus irmãos são completamente diferentes de mim, eles acham que a empresa é uma mina de dinheiro e que sem trabalhar o dinheiro nunca vai acabar. — Alan sorriu. — Mesmo não tendo o meu sangue, você se parece mais comigo do que os que têm, os seus irmãos. — Maximus negou. — Não pai, caráter não tem nada a ver com sangue, o Alessandro e a Paola são pessoas diferentes porque escolheram ser assim. Eu sei que eles foram educados com os mesmos princípios que eu, mas mesmo assim quiseram seguir outro caminho e me odiar por ter seguido os seus passos e conselhos e por ter assumido o cargo mais importante da empresa, o seu lugar. — Disse. — Seus irmãos não te odeiam, Maximus. — Alan não queria enxergar o óbvio. Ele não aceitava que os filhos tivessem tantas desavenças entre si. — Não, eles só odeiam o fato de vocês terem adotado o remelento que foi deixado na porta da casa de vocês e não ter me deixado em um orfanato e depois deixar todos os negócios da família em minhas mãos. — Respondeu com frieza. — Isso não é ódio, é ciúmes. Você cresceu e se tornou tudo que eu desejei que meus filhos fossem, apesar de eu querer que vocês fossem bem sucedidos, que fossem profissionais capacitados e que já fossem casados e que os três já tivessem me dado netos, mas enfim, você foi o único que de fato levou a sério tudo que eu e a Rebeca ensinamos, menos o conceito de família, parece até que quer ser sozinho pelo resto da vida. — Reclamou. — Esse é o meu objetivo. — Alan bufou, irritado. Ele não gostava de saber que o seu filho não queria casar, ter uma família. — A Paola e o Alessandro acreditam que o meu dinheiro não terá fim, mesmo eles não trabalhando em nada para manter a fortuna da família. — Respondeu. — Eles nunca terão gosto pelo trabalho, eles não são assim, viverão sempre colados no senhor e na mãe, mas não farão isso comigo que trabalho desde os meus dezoito anos. — Disse. — É exatamente por isso que eu tenho outro assunto para tratar com você. — Disse Alan. — Eu espero que não seja nada relacionado a eu ter que ensinar aqueles dois a trabalhar aqui na empresa. — o mais velho negou. — Não, não é isso. Mas envolve você, os seus dois irmãos e a Celine. — Disse, deixando o filho confuso. — Pai, será que pode ir direto ao assunto? Não consigo imaginar nada que envolva os meus irmãos e a nova funcionária da empresa. — Apoiou os cotovelos sobre sua mesa. — Pois bem. A Celine não conhece ninguém na cidade e os pais dela junto com a irmã, estarão se mudando para Madrid só no próximo mês quando a reforma da casa deles ficar pronta, ela veio antes que eles para assumir o novo projeto. — E onde nós entramos nessa história? — Perguntou Maximus, intrigado. — Bom, o Manuel pediu que a filha dele ficasse na minha casa, já que ficar um mês em um hotel até a casa ficar pronta não seria algo muito confortável e ele não ficaria tranquilo sabendo que ela está sozinha em um hotel, por mais seguro que seja o hotel que ela fique hospedada. Porém levar a moça para conviver esses trinta dias com os seus irmãos, seria loucura, eles iriam tornar a vida dela um verdadeiro inferno, então eu disse a ele que você ficará muito feliz em hospedar a Celine em sua casa. — Maximus ficou bastante surpreso com aquela pequena informação. — O senhor fez o que, pai? — Perguntou sem acreditar no que tinha ouvido. — Exatamente o que você ouviu. — Maximus levantou-se irritado. — Pai, o senhor não deveria ter feito isso sem falar comigo antes. Nem tenho a chance de recusar isso ou serei grosseiro com o seu melhor amigo, não é? — O pai dele assentiu. — Se eu falasse com você é claro que não iria aceitar, além disso, se você não aceitasse eu teria que levar ela lá pra casa e a coitada teria que ser submetida a conviver com as insinuações e piadas de seus irmãos. Você os conhece, sabe como são e não quero perder uma profissional como a Celine, tampouco perder a parceria com o Manuel. — O mais jovem negou. — O senhor deveria mandar os dois trabalhar e serem responsáveis por suas próprias vidas e deixar a sua casa. Pai, o Alessandro daqui a pouco faz quarenta anos e a Paola trinta e seis, eles precisam de um choque de realidade. Precisam entender que não terão o senhor e a mãe para sempre. — Disse. — Mas voltando ao assunto dessa tal de Celine, ela aceitou essas condições aí, de passar trinta dias na casa de um homem solteiro? — Alan riu. — Ela também é uma mulher solteira e está de acordo. — enfatizou a palavra solteira. — O Manuel falou muito bem de você e de certa forma eu conheço o filho que tenho, sei que saberá respeitá-la e será um ótimo anfitrião, além disso, a sua casa é uma mansão, tem conforto de sobra pra ela. — Maximus respirou fundo. — Às vezes eu acho que o senhor me odeia, me coloca em cada situação embaraçosa, pai. E todas são um beco sem saída. — Alan riu. — É exatamente ao contrário, é por amar demais você que confio os negócios e as pessoas mais importantes para mim com você, em suas mãos. — A expressão nervosa de Maximus suavizou. — Pai, essa mulher é tão importante assim para você? — Perguntou. — É sim. O Manuel, pai da Celine já me ajudou muito no passado, eu devo a minha vida a ele, então, consequentemente essa jovem também é muito importante para mim. Por isso estou colocando ela em sua casa, sei que com você ela estará em segurança e será muito bem tratada e na sua casa ela se sentirá como se estivesse em casa. — ele assentiu. — E quando ela chega? — Perguntou. — Já chegou, ela chegou nesta madrugada, mas como não queria atrapalhar a gente, decidiu ir para um hotel, mas já entrei em contato com o Manuel. Daqui a pouco o meu motorista vai buscá-la no hotel e nos encontramos aqui e você a leva para sua casa. — Informou. — E como o senhor não sabia que ela ia chegar nessa madrugada? — Perguntou Maximus. — Ela pediu ao pai que não revelasse a hora que ela ia chegar, como ela já sabia que ia ser durante a madrugada, ela não quis nos incomodar. Então o Manuel só informou que ela já estava aqui hoje pela manhã. — Disse. — Bom, pelo menos ela pensa no bem-estar dos outros. Mas o senhor me colocou numa situação nada boa, eu não gosto de estranhos na minha casa, invadindo a minha privacidade, além do mais, uma mulher. — Bufou irritado. — Ah, Maximus, vocês vão trabalhar juntos, passarão todo o dia na empresa, logo serão bons amigos. — Respondeu. — E como vão trabalhar nos mesmos projetos, pedi para que trouxessem uma mesa e uma cadeira bem confortável para ela, a Celine irá ficar na sua sala. — Respondeu. — Na… na… na minha sala? — Gaguejou sem acreditar no que o seu pai estava lhe falando. — Sim, como vão trabalhar juntos, é justo que fiquem na mesma sala. — Deu de ombros. — Pai, estou sendo castigado por algo que fiz e não sei? Se for isso, eu peço que me diga logo. — O grisalho riu. — Não seja dramático, Maximus, isso não combina com você. Trabalhar ao lado de uma mulher não é tão r**m assim. — Pai, o senhor a colocou dentro da minha casa sem falar comigo e agora a colocou na minha sala, e quer que eu fique feliz? Eu serei forçado a conviver com ela vinte e quatro horas por dia. — Disse. — Bom, só serão vinte e quatro horas se vocês dormirem juntos, mas eu não pedi para você dormir com ela. Isso pode até acontecer, mas aí já não será uma decisão minha, mas de vocês. — Maximus ficou com a face vermelha de raiva. — Pai, o senhor está se ouvindo? Já parou pra pensar em quantas bobagens está falando? — Perguntou irritado. — Ei, olha como fala comigo, você pode até ser maior que eu, mas ainda sou o seu pai. Eu só falei isso na brincadeira, não precisa ficar tão irritado assim, além disso, vocês dois são solteiros, não teria nenhum problema se ficassem juntos. Seria até bom, você está precisando se apaixonar novamente, esquecer o passado. — Maximus voltou a se sentar. — Desculpa, não deveria ter alterado o tom da minha voz com o senhor. Mas eu não estou à procura de um relacionamento, não vai ter nada entre eu e essa mulher, que fique bem claro. Vou ligar pra casa e pedir para a Flora preparar um quarto para receber essa hóspede que eu nunca vi sequer uma foto. — Pegou o celular, que estava ao lado e digitou o número de sua casa. Alan relaxou sua postura, ficando mais à vontade na cadeira, esperando que o filho fizesse aquela ligação. No fundo ele sabia que os dois poderiam até se estranhar no começo, já que o seu filho tinha um gênio forte e Manuel já tinha deixado claro que Celine não ficava calada quando era confrontada. Mas com a convivência os dois poderiam se dar muito bem.
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