Cap. 8

1083 Palavras
As semanas se passaram com uma rapidez inigualável, desde então Bash já não era visto nas redondezas. Constatei que talvez já tivesse ido para o treinamento, meu coração ainda doía diante da falta que ele me fazia e eu tinha certeza absoluta que nunca pararia de doer. Ele sempre seria o meu primeiro amor, o grande amor da minha vida. Lembro-me de uma vez em que papai havia me dito que o primeiro amor a gente nunca esquece, uma explicação para o amor eterno que sentia por minha mãe e talvez comigo fosse assim, talvez eu nunca mais fosse capaz de amar alguém e o amasse pelo resto da minha vida. Eu e Maya cantarolávamos enquanto arrumávamos a cozinha, Stef estava brincando no andar de cima e papai estava com a gente. Não era comum que isso ocorresse. Mas graças às visitas que as sorteadas receberiam hoje lhe fora dado folga como uma precaução, por sermos menores de idade os pais das candidatas precisavam estar presente antes de nos levarem. Era necessário assinar uma papelada e coisa do tipo. — Tenho certeza que você será sorteada, eu sonhei Loren. - Maya se gabou, ela tinha uma mania insuportável de sonhar com coisas que de fato aconteciam. Revirei os olhos. — Foque nas vasilhas May. Papai estava sentado no sofá com os pés sob uma mesinha enquanto esfoliava um jornal qualquer quando ouvimos a campainha. Meu coração acelerou. Ele correu a porta para abrir. Mas não era ninguém relacionado a seleção. Era Bash. Céus, era Bash. Senti meu sangue gelar, o pano que eu tinha em mãos caiu no chão. O peguei com rapidez antes que alguém notasse. — Bom dia senhor Caster. Como vão as coisas? — Vão bem meu jovem, e com você? Anda sumido. Bash coçou a cabeça. — Estou participando de um treinamento para fazer parte da guarda real, senhor. — Oh, que interessante. Mas diga-me ao que devo a honra? - A curiosidade de papai falou mais alto e nem o deixou estender a conversa, agradeci por isso. Também queria saber o motivo da visita. — Gostaria de dar uma palavrinha com a sua filha, senhorita Loren. Se não for incômodo. Meu pai ajeitou os óculos para observá-lo, a interrogação em seu rosto estava nítida. Me recompus e após um aceno de cabeça ao meu pai passei a sua frente e fechei a porta atrás de mim. — Pensei que já tivesse ido. - Sussurrei. Ele lançou os braços em volta da minha cintura. Senti quando suas lágrimas entraram em contato com o meu ombro. E tudo que consegui pensar foi, o quanto havia sentido saudade daquele abraço. — Eu ... Eu fui Lores. - Ele balançou a cabeça como se quisesse organizar seus pensamentos. — Me perdoe pelo que fiz, por favor. Eu te amo tanto e não queria tê-la magoada, mas você tem que entender que era necessário. Você merece uma vida melhor Loren, uma vida que eu não posso dá-la. Emoldurei seu rosto com as mãos e naquele momento comecei a pensar no que inventaria para não ir ao castelo caso fosse sorteada. — Eu te perdoou Bash, não tenha dúvidas quanto a isso. Eu ... Eu não vou para o palácio mesmo que seja sorteada, ficarei com você. Uma lágrima solitária rolou em meu rosto junto a um sorriso que durou poucos segundos. A expressão de Bash foi mudando, ele tirou minhas mãos de seu rosto enquanto balançava a cabeça. As lágrimas não paravam, nem as minhas e nem as dele. — Por favor, não. Eu vim apenas deseja-la boa sorte, eu não poderia te privar de uma chance como essa. Entenda, por favor. Mas também não poderia correr o risco de não vê-la mais por um bom tempo, caso seja sorteada. — Chance? - Me excedi. Ele havia ido até a minha porta desejar que eu fosse sorteada? — Saia já daqui Sebastian, e nunca mais volte. - Solucei. — Loren eu... — Já. - O interrompi enquanto mantinha as mãos erguidas mostrando o caminho. — Quando eu subir de classe e tiver certeza que poderei dá-la uma vida de rainha virei até você e se ainda me quiser, será minha esposa. Ele deu de ombros ainda entre lágrimas. Tentei me recompor para entrar em casa, mas parecia ser impossível, elas não paravam de descer. Decidi enfrentar de uma vez por todas esse segredo que tanto me assombrava, caso fosse eleita e ficasse fora por um tempo não queria que papai soubesse de outra forma. Quando entrei ele me olhava apreensivo. — O que houve? Mais uma vez elas vieram, impiedosas, as lágrimas desciam como uma avalanche. Me lancei nos braços dele e Maya logo se juntou a nós, ela acariciava meu braço enquanto prometia que tudo ficaria bem. Expliquei toda a história e pedi mil perdões por tê-lo escondido isso por tanto tempo. — Oh ... Eu também namorei anos com sua mãe escondido. Como sabe, seus avós eram rebeldes, lutavam pela causa do povo e queriam que sua mãe se casasse com um igual, mas aquela mulher forte e destemida escolheu um homem simples como como eu. - Ele riu. - Se Sebastian fosse sua escolha eu a aceitaria minha filha. Se for o futuro rei eu também aceitarei. Ou qualquer um outro que a faça feliz. — Viu Lores? Disse que não tinha o que temer. - Maya abriu um sorriso acolhedor. Depois de terminarmos a arrumação nos juntamos a papai. Estávamos todos, inclusive Stef sentados na sala ouvindo o velho radinho quando mais uma vez a campainha foi tocada. Senti meu coração pular no peito novamente, e se fosse Bash de novo? E se ele tivesse mudado de ideia e enfim tivesse visto que o melhor era nós dois juntos? Mais uma vez papai foi quem abriu, mas não era Bash, lá estava uma senhora de cabelo perfeitamente alinhado, não havia um fio sequer fora do lugar. Ela usava um vestido magnífico, provavelmente nunca havia visto parecido em lugar nenhum a minha vida inteira. — Senhor Caster? Ela deu um passo à frente revelando uma quantidade gigantesca de guardas atrás de si. — Sim, sou eu. — Sou Laura, tutora do palácio. Com muita honra venho dizer que sua filha foi sorteada. Senti o ar faltar em meus pulmões, eu havia sido sorteada e o que eu menos queria aconteceria, eu seria levada para longe da minha família. Maya soltou um breve grunhido enquanto Stef dava alguns pulinhos disfarçados.                                           •
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