Assim que sai da cabine dei de frente com a senhora Steve e seus três filhos. Sebastian me olhava incomodado e suas irmãs sem duvidas estavam ali para a inscrição. Fiz um cumprimento com a cabeça.
— Olá. - Sussurrei de maneira geral.
Minhas irmãs se aproximaram em passos largos. Maya encarava Bash com um olhar tão mortal que por ora senti medo de que ela pulasse em seu pescoço.
— Senhorita Caster. - Ela me abraçou amigavelmente. — Também veio fazer a inscrição, vejo que mudou de ideia.
— Sim ... Bom, não custa tentar, não é?
— Se minhas belezuras não conseguirem saiba que torço por você.
— Oh ... Obrigada senhora Steve.- Eu sorri amigável.
As gêmeas estavam eufóricas e após me desejarem sorte seguiram novamente para a fila. Os olhos de Sebastian permaneciam presos a mim e era nítido quanto sentimento havia ali, então porquê diabos ele havia terminado comigo? Senti vontade de chorar, mas obriguei o choro a se prender na minha garganta. Forcei um sorriso para ele e sua família e dei de ombros. Apertei o braço de Maya na tentativa falha de amenizar a dor que estava dentro do meu peito.
— Ele é um b****a, não dê atenção, por favor.- Ela sussurrou.
— De quem estão falando? .- A voz fina de Stef apareceu em um gritinho.
— Do senhor que a entrevistou. - Maya mentiu.
Suspirei aliviada, não conseguiria pensar em nenhuma outra desculpa.
Ao chegarmos em casa Maya e eu preparamos o almoço enquanto Stef arrumava os mínimos detalhes da mesa.
— Estou ansiosa pelo resultado. - Maya quebrou o silêncio.
Sorri forçado - Eu não - pensei.
— Não serei sorteada, se é que existe um sorteio. Achei estranho demais que tirem foto da candidata.
— Oras, o príncipe deve querer ver as 25 caras que estarão infiltradas em seu castelo.
Revirei os olhos.
— É, talvez seja isso.
Abri a palma da mão e com o auxílio de uma colher de p*u pinguei um pouco da sopa que havíamos feito. Lambi os lábios, Maya me observava atenta para saber o veredito.
— Simplesmente esplêndido. - Eu disse sorrindo.
— Não tenho dúvidas graças ao cheiro, mas sinto em dizê-las, apressem-se, meu estômago ronca. - Stef passeou a mão pela barriga nos fazendo cair em uma gargalhada profunda.
Maya com sua mania de sempre nos fez orar e agradecer a comida antes de começarmos a refeição. Uma das coisas que sempre havia admirado em minha irmã era isso, mesmo diante da escassez que vivíamos ela cria tão fortemente em um Deus, almejava um dia me tornar como ela. Não que eu fosse descrente, ateu ou coisa do tipo, nada disso, apenas não tinha a fervorosa fé de minha irmã.
Nós almoçamos juntas enquanto tagarelávamos, não me lembrava a última vez que isso havia ocorrido, geralmente nesse horário era para eu estar na floricultura, mas estar ali, ao lado delas, rindo e brincando era mágico. Era tudo o que eu precisava para me ajudar com o meu coração partido.
Maya e Stef ficaram por conta da cozinha após eu inventar uma dor de cabeça e subir para o quarto. Eu sabia que estava sendo forte demais e aguentando muito para quem tinha visto a vida desmoronar do dia para a noite. Precisava de um tempo para digerir tudo, o término com Bash, a falta de emprego e a crise que com certeza logo viria. Sem contar que agora ainda tinha mais uma coisa para me preocupar, a probabilidade de ser aceita para a seleção. Senti meu estômago queimar diante desse pensamento, não estava preparada caso acontecesse e nem nunca estaria. Não me imaginava passando dias, semanas, meses ou anos longe da minha família. Mesmo que só três eventos desse em cem tivesse se estendido por anos isso me assustava extremamente. Como poderia viver sem as risadas gostosas de Stef pela casa? Sem os cuidados de Maya ou o carinho de meu pai? Não, eu não poderia viver tanto tempo sem eles.
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