Agradeci por ele ter me poupado de tantas perguntas, tomei um banho rápido e fui para o quarto. Maya estava lá, olhando para algum lugar distinto.
— Terra chamando Maya. - Estalei o dedo na frente do seu rosto. Ela abriu um sorriso.
— Diga a essa tal terra que Maya não está. - Gargalhou.
Me sentei a sua frente e coloquei os pés para cima cruzando as pernas uma na outra.
— O que a faz tão feliz minha irmã?
— Acho que me casarei.
Me espantei, a pouco Maya sequer tinha um pretendente.
— Como? Com quem? - Apesar do m*l dia uma animação surgiu em minha voz. Ela voltou o olhar para mim, havia um brilho esplêndido em seus olhos.
— Um fazendeiro, Lores, ele é incrível. Não quis dizer nada antes pois não tinha certeza, mas sempre o encontro quando vou fazer a feira e ... Ele é incrível. - Ela suspirou.
Apertei sua mão e abri um largo sorriso.
— Fico feliz por você. Você merece tanto, Maya, tanto.
— Ele tem uma condição um pouco melhor que a nossa, quem sabe não pode nos ajudar também.
Ela estava feliz e esperançosa, e aquilo foi o suficiente para me fazer feliz ao menos pelo resto daquela noite.
— Talvez, não é?! - Eu disse sorridente.
— E então ... Você não terá tantos problemas em casar-se com Sebastian.
Maya era a única pessoa que sabia em partes do nosso relacionamento, mas ainda não sabia do fim dele. Abaixei o olhar e deitei a cabeça em seu colo.
— Ele terminou comigo. - Sussurrei.
— O que? Como? Não é possível. - Ela deu um pulo para me encarar. — Vocês são basicamente um casal perfeito e o amor de vocês ... Perdão.
Ela se calou quando percebeu estar falando demais, mais do que devia.
— Ele foi aceito pela guarda real, e disse que eu devo me inscrever na maldita seleção.
Bufei.
— Talvez deva. Agora mais do que nunca. Notícias das candidatas sempre saem no jornal junto a fotos, ele se arrependerá amargamente por tê-la perdido.
Eu sorri desanimada.
— E tem mais ... O senhor Maxuel teve que dispensar meus serviços. O dia definitivamente foi terrível.
Ela levou a mão até a boca e a cobrou.
— Oh não ... Papai ficará arrasado. - Ela disse claramente sem pensar no efeito de suas palavras. — Bom, mas ele entenderá, não me entenda m*l, eu só ...
Eu a interrompi.
— Eu sei que ele não gosta de dizer o quão m*l se sente por não poder nos proporcionar uma vida melhor. Eu já o contei.
Maya sentou-se à minha frente novamente e acariciou minha mão.
— Talvez devesse mesmo pensar na seleção. Não por causa de Sebastian, retiro o que disse, mas pelo dinheiro que nos é dado. Digo, talvez e provavelmente você nem seja sorteada, mas tem o valor simbólico dado apenas pela inscrição.
Assenti com a cabeça. Pela primeira vez me inscrever para a seleção era uma hipótese para mim. O olhar triste de meu pai foi o suficiente para me convencer disso. Beijei a testa de Maya e me levantei. Stef estava brincando de boneca no canto do quarto, me juntei a ela.
— Acha que a mamãe gostaria de mim?
Sua pergunta repentina me assustou, Stef não era muito de falar, era tímida e uma pergunta como essa não era de seu feitio.
— Oras, ela a amaria, tanto quanto eu a amo. Senão mais. - Acariciei seu rosto e vi seus olhos castanhos presos a mim, eles possuíam um brilho diferente e eu faria tudo que pudesse para que aquele brilho permanecesse ali.
— Quero ser como você Lores. Quero trabalhar e estudar, quero nos proporcionar uma vida melhor.
Abri um sorriso automaticamente ao perceber que Stef me via como uma referência em sua vida, mesmo que May fosse a mais velha, sua referência era eu.
— Tenho certeza que fará ainda melhor que eu, mas ainda é jovem demais para pensar nisso, sim? Vamos nos deitar.
Maya dormia com um sorriso no rosto. Aconcheguei Stef em sua cama e beijei sua testa depois de cobri-la.
— Eu te amo Lores. Obrigada por ser uma irmã tão boa.
Senti meus olhos se umedecerem, talvez estivesse sensível graças ao dia terrível que havia tido.
— Eu te amo. - Sussurrei
E em seguida me deitei. Revirei de um lado paro o outro enquanto tentava achar uma solução, mesmo que a solução estivesse diante dos meus olhos. Eu precisava me inscrever para a seleção.
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