CAPÍTULO 2

1773 Palavras
Eu já estava pronta para sair com Jonas e Bruna. Sei que ela é cismada comigo, mas eu não tenho nada a esconder. Até queria ser amiga dela. Facilitaria a vida do meu amigo. Jonas e eu nos conhecemos ainda no ensino médio. E desde então somos amigos. Era normal sempre sairmos juntos para cinema, comer algo, mas isso mudou quando ele se apaixonou por Bruna. Ela não gosta muito da nossa amizade. Mesmo ela indo ao meu casamento com ele. Quero dizer, aquela farsa de casamento, ela não se convenceu que Jonas e eu seremos sempre amigos. Desci e já estava pronta para sair quando Eloisa apareceu. — Onde você pensa que vai vestida desse jeito? Ela fala apontando para meu vestido que vai até o meio das coxas. — Vou sair para dançar, Sogrinha. — Desse jeito? — Sim. Fui... — Sophie. Ela me segura assim que abro a porta. — Me solta, Eloisa. Ficou louca? Indaguei com raiva dela me segurar. — Você está traindo meu filho? Dou um sorrisinho. — Eloisa, eu sou somente casada com seu filho no papel. Eu não tenho porque ter respeito por ele. Se ele tivesse respeito por mim, ele estaria aqui. Então, me poupe do seu discurso de freira, porque eu não sou. Agora boa noite! — Eu vou ligar ele. — Ok. Avisa para ele que eu já dei entrada no divórcio. Saio deixando ela para trás. Eu não sou prisioneira dele. Não vou abrir mão de curtir a minha vida por causa dele ou qualquer pessoa. Me encontro com Jonas e Bruna já boate. Ela não está com cara de bons amigos. Suspiro. — Pensei que o seu marido também viria Sophie. Bruna diz com raiva. Nenhum deles sabem o que passo na minha casa e na minha vida. Eu não tenho coragem de contar para Jonas, que é meu amigo, sobre meu casamento fajuto. — Ele não pôde vir. Está viajando. Minto. Mas você está incomodada por eu está aqui sozinha? — Pergunta i****a. Ela diz e eu me levanto. — Eu vou embora, Bruna. Só quero que você saiba uma coisa. Jonas não passa de um amigo para mim. Nunca teria nada com ele, porque o vejo como irmão. Lamento que você não vê dessa forma. E outra eu respeito o relacionamento de vocês. — Aqui as bebidas. Jonas aparece. — Desculpe Jonas, eu tenho que ir. Nana me ligou falando que a minha sogra não está passando bem. Minto. — Que pena. Mas vai lá, se precisar de algo me liga. — Tudo bem. Obrigada! Saio da boate e suspiro triste. Entro dentro do meu carro e vou sentido ao porto da Austria. Paro e carro e um sentimento de vazio me toma. Eu começo a chorar. Chorar muito. Às vezes eu só queria que minha vida fosse diferente. Olho para aliança em meu dedo, e tiro a mesma. Abro a janela e jogo fora. Eu não quero mais isso. Abaixo a cabeça no volante e continuo chorando. Não sei quanto tempo fico ali chorando. Só sei que meu peito dói. Um vazio imenso atingi meu coração. Do nada me assusto com a batida na janela do meu carro. Olho e um homem está parado olhando. Medo me toma. Eu arranco o carro e vou embora assustada. Chego em casa e vou direto para meu quarto. Me jogo na cama chorando. Porque eu sou assim? Porque me sinto tão triste desse forma? E eu não digo que isso vem de agora, mas vem de sempre. Desde que me entendo por gente, eu sempre fui triste. Nunca fui uma criança Alegre e depois do que aconteceu, eu me fechei. Meus pais não eram os melhores pais do mundo. Achavam que me dando tudo, brinquedos, roupas, bonecas, eu estaria bem. Que não precisaria de mais nada. Porém, eu queria o amor deles, queria que eles ficassem comigo. E não foi assim. Quando ambos morreram, eu fiquei m*l, talvez pensasse que ambos vivos poderiam me dar o amor deles, mesmo que tardio. Talvez eu estivesse me enganando, porque tenho certeza que eles me tiveram por puro luxo da sociedade. Seus amigos já tinham dois a três filhos. E somente meus pais que não tinham nenhum. E quando eles tomaram a decisão de me terem, eles já estavam acima da idade, e não tinha qualquer paciência para cuidar de uma criança. E é por isso que eu sofri o que sofri. Porque vivia sozinha. Eles estavam em festas e eventos com seus amigos, e eu estava em casa sendo cuidada por uma estranha. Já havia se passado duas semanas. A minha carta de divórcio já estava em minhas mãos, para ser entregue ao meu invisível marido. Eu já tinha feito as minhas malas. A maioria já estava dentro do meu carro. Olhei para esse quarto a última vez. Suspirei. A minha vida começa agora. Nada mais importa. Pego a última mala e desço. Vejo Eloisa andando de um lado ao outro. Ela me olha e desce seu olhar para minha mala. — Você não pode ir embora. — Posso e vou. Nada me prende aqui. — Eu não vou ficar aqui sozinha. Sorrio. — Pois volte para casa do seu filho, ou sei lá o que você vai fazer. Nana aparece triste. — Você vai mesmo? — Sim. Não quero isso mais. Aqui. Estendo para ela a carta do divórcio. Entregue para ele. — Como? Dou de ombros. — Não sei Nana. Ela deve saber onde ele está. Aponto para Eloisa. — Eu vou sentir sua falta. Ela me abraça forte. — Eu também vou sentir sua falta. Mas qualquer coisa que você precisar me liga. — Você também. Se precisar de mim, a qualquer hora, me ligue. Você é como se fosse uma filha para mim. — Obrigada pelo carinho! Falo emotiva. Agora deixa eu ir. Até mais. Nós duas estamos chorando. Nesses meses eu aprendi a amá-la muito. E vejo que ela também. — Para onde você vai? Eloisa questiona parecendo perturbada. Ela estava andando de um lado ao outro nervosa. — Eu sou dona de vinte prédios residências aqui na Austria, com certeza irei para um deles. — Alex não vai gostar. Faço uma careta e dou de ombros. — Não posso fazer nada por ele. Avisa a ele que estamos no século vinte um e não mais no século quinze. Eu não sou obrigada a ficar aqui esperando ele se importar comigo. Eu só me casei para cumprir a palavra dos meus pais diante da sua família, mas seu filho está nem aí para isso. Então, eu também não tenho obrigação de me importar. Adeus. Falo e olho mais uma vez para Nana que está chorando. Até mais para você. Digo mandando um beijo para ela. Pego meu carro que está cheia de malas. Alguns segurança também estavam me ajudando em outro carro. Vou embora feliz, aliviada. Espero seguir minha vida como eu quero, e não como meus pais queriam. Eu escolhi o apto no centro da Áustria. Aqui fica perto de tudo e até mesmo para ir para faculdade. Eu já havia contratado uma pessoa para arrumar tudo no apto para mim. Queria ter trago Nana, mas sei que Eloisa precisa dela mais do que eu. Agora era tentar viver. Amélia já tinha organizado tudo para mim. Ela fez até um macarrão com queijo para nós duas. Eu estava bem com a minha decisão. Queria mesmo tentar viver para mim. Fazer as minhas coisas. Pensar em mim. Dois dias depois eu resolvi ir a praia. Estava caminhando, pensando em uma forma de reaver a empresa do meu pai. Eu quero cuidar dela. Eu quero trabalhar lá. Mas eu não sei se estou disposta a enfrentar Tio Ulisses. Ainda mais sabendo o que ele pode fazer comigo. — Oi... Um cara aparece no meu lado correndo. Me assusto com ele. — Oi... Falo com receio. — Eu te trouxe isso. Ele fala abrindo sua mão e mostrando uma aliança. Franzo a testa. Você que estava no porto de carro e jogou essa aliança fora a semanas atrás. Fico olhando para ele e depois para a aliança. — Eu não quero ela mais. Pego da mão dele e jogo no mar. Obrigada! Saio andando e ele vem para meu lado. — Me desculpe. Meu nome é Brian. Posso te fazer companhia? — Sem segundas intenções? Ele levanta as mãos para o alto. — Já vi que você deve está passando por um processo de divórcio, então quero só uma amizade. Assinto. — Ok. Respondo tendo a certeza que não vamos mais nos ver. Fomos caminhando. — Então, o que você faz? Primeiro, qual seu nome? — Sophie. E eu só estudo engenharia civil. — Nossa, muito legal. Eu sou limpador de barcos. Nada comparado ao seu nível. — Para. Não gosto de pessoas que se menosprezem. Não tem necessidade disso. Cada um tem o que busca. E se você quer melhorar, busque seu sonho. Ele me olha. — Você é diferente. Gosto disso. Sorrio dele. Aquele dia no barco, eu vi seu carro parado e eu fui te perguntar se você estava perdida. Quando bate na sua janela, eu vi que se assustou. Me perdoe por isso. — Você não teve culpa. Não tem porque pedir perdão. Eu não estava nos meus melhores dias. — Entendo. Continuamos conversando sobre nossas vidas. Ele era um cara legal e divertido. Combinamos de caminhar todos os dias a tarde. Brian me disse que trabalha todos os dias até nove da noite, mas ele sempre tira uma folga para caminhar. Durante uma três semanas inteira nós dois nos encontramos para caminhar, tomamos sorvetes, ele até me levar em um dos barcos que ele limpa. Ajudei o mesmo a limpar um dos barcos. Estava gostando da companhia dele. Uma amizade sempre era bom. Hoje era sexta feira. Nós dois combinamos de sair para comer alguma coisa na praia. Ele acabou vindo para meu apto comigo, para eu me trocar, já estava na faculdade desde cedo. Tive que pegar algumas aulas extras. Abro a minha porta sorrindo das palhaçadas dele. — Você não tem jeito. Digo sorrindo e dando espaço para ele passar. Fecho a porta. — Sophie, tem um homem sentado no sofá. Vou até ele e entro com medo. Olho para o estranho que me olha sério. Meu coração está a mil. — Chame a polícia. Digo voltando para porta. Não vamos ficar aqui com um estranho. — Quero ver você explicar para a polícia que seu marido está no nosso apto. A voz potente me faz travar.
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