Capítulo 4

1312 Palavras
— Poderia, por gentileza, dizer os nomes das senhoritas? — perguntou um segurança, segurando um tablet. ​— Ashley Ramirez e sua acompanhante, Scarlett Wilson. — Ashley ditou os nossos nomes e, prontamente, o homem começou a procurá-los na tela do aparelho. ​— A senhorita Ramirez está como representante da empresa Ballard? — indagou ele. ​— Sim — Ashley respondeu. Embora tentasse disfarçar, notei a careta discreta que fez ao ouvir o nome do lugar onde trabalhava. ​— Podem entrar — disse o segurança, após marcar a validação no tablet. — Tenham uma boa festa. ​— Obrigada — Ashley agradeceu, já me puxando para dentro do salão privado. ​— Obrigada — consegui emendar rapidamente, antes que ele saísse do meu campo de visão. ​— Eu tenho certeza de que o babaca do Ballard fez questão de registrar que sou funcionária dele e que estou aqui para representá-lo — Ashley resmungou assim que alcançamos um canto mais reservado e ela soltou meu braço. — Mesmo longe, esse homem faz questão de sair por cima. ​— Ballard é um tremendo i****a — concordei, porque é isso que melhores amigas fazem: se ela está com raiva do chefe, eu também estou. — Mas não deixe que ele estrague a sua noite. Você está aqui e ele não. Meu conselho? Levante a cabeça, respire fundo e tente se divertir. Afinal, quantas vezes teremos a oportunidade de passar o Ano-Novo em um hotel como este? ​— Esta pode ser a nossa primeira e última vez aqui — ela respondeu. Em seguida, respirou fundo e estufou o peito. — Você está certa, vamos nos divertir. Aquele careca barrigudo não vai estragar mais uma noite minha. ​— É assim que se fala! — Fechei o punho direito em um gesto discreto de incentivo. — Vamos aproveitar. ​— Nós vamos. — Ashley aproveitou a aproximação de um garçom para pegar duas taças de champanhe. Entregou uma para mim e, assim que o funcionário se afastou, ergueu o cristal. — À nossa noite! ​— À nossa noite! — Brindei com ela, levando o líquido borbulhante aos lábios para dar um gole. ​— Mas a nossa diversão vai ter que esperar um pouquinho — ela ponderou lentamente, baixando a taça. ​— Por que esperar? — perguntei, olhando-a com desconfiança. ​— Por mais que eu queira surtar e chutar o balde, eu ainda preciso deste emprego. — Ela me deu um sorriso apologético. — Preciso conversar com algumas pessoas para sondar o que estão achando do hotel até agora. Mas prometo ser rápida, você nem vai notar a minha ausência. ​— Você não precisa ir muito longe para descobrir isso, olhe para mim. — Usei a mão que segurava a bolsa para apontar para o meu próprio peito. — Quem melhor do que uma estudante de Design de Interiores para te dar um feedback completo sobre o lugar? ​— Eu sei que você poderia me ajudar, e eu adoraria, mas preciso de outro tipo de opinião. — Ela pareceu lutar para encontrar as palavras certas. ​— Do tipo... de pessoas ricas? — arqueei a sobrancelha. ​— Não. Do tipo de gente falsa, que diz qualquer coisa só para fazer média — esclareceu prontamente. — E você não é assim. Você é sincera. Como sua melhor amiga, preciso reforçar: sincera até demais. ​— Cresci em uma família cujo lema é "fale a verdade, não importa o quanto doa". — Dei de ombros. — Portanto, a honestidade está no meu sangue. ​— Eu sei, e como sei... — Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios, provavelmente resgatando a memória das confusões em que nos metemos por causa da minha língua afiada. — Vou lá falar com o pessoal, mas juro que serei rápida. Num piscar de olhos estarei de volta. ​— Tudo bem, vai lá. — Apesar do desânimo de ficar sozinha no meio daquela elite esnobe, eu precisava apoiá-la. O trabalho dela dependia disso. ​— Já volto — disse ela, afastando-se de costas. — Por favor, tente não ofender ninguém! ​— Vou fazer o meu melhor — prometi. ​Assim que ela sumiu de vista, passei os olhos pelo salão e foi inevitável soltar um suspiro de desdém. Deixei o meu canto e comecei a caminhar pelo espaço com a intenção de explorá-lo, mas a conclusão a que cheguei foi imediata: tudo ali era incrivelmente... cafona. — Alguém já lhe disse que os seus olhos costumam revelar tudo o que a sua boca tenta calar? — Uma voz masculina, grave e perigosamente perto, ecoou atrás de mim. Um arrepio involuntário subiu pela minha espinha. Comecei a me virar, mas as palavras sumiram da minha mente assim que o encarei. O homem à minha frente parecia esculpido à mão. Tinha um olhar escuro, focado, que parecia ler meus pensamentos mais profundos. — Na verdade... — forcei minha voz a sair firme, sustentando o olhar. — Sim. Já me disseram. Ele deu um passo à frente, diminuindo a distância entre nós de um jeito que me fez prender a respiração por um milésimo de segundo. Com uma postura impecavelmente segura, ele deslizou as mãos para os bolsos da calça de alfaiataria, inclinando levemente a cabeça. Um sorriso de canto brincava em seus lábios. — Então, agora que tenho a chance, gostaria de ouvir diretamente da sua boca... — Ele baixou o tom de voz, tornando-o quase um segredo entre nós. — O que tanto a desagrada por aqui? Engoli em seco, mas não recuei. Mantive os olhos fixos nos dele, recusando-me a demonstrar que a presença dele me abalava. — O ambiente em si não é r**m — respondi, dando de ombros e forçando um olhar casual pelo salão, antes de voltar a focar naquele rosto perfeito. — Mas a decoração... é terrivelmente cafona. — Cafona? — Ele repetiu a palavra como se estivesse saboreando o absurdo dela, arqueando uma sobrancelha bem desenhada. — Sim. Toda essa ambientação me lembra uma festa de casamento. E um casamento saturado — expliquei, dando um passo lateral lento, não para fugir, mas para orbitar ao redor dele. Fiz um gesto sutil com o indicador, convidando-o a observar o redor. — Ninguém mais usa essa combinação de vermelho, dourado e branco. Estamos em um hotel à beira-mar, a energia deveria ser outra. Cadê a criatividade? Levaram meses construindo toda essa estrutura impecável para, no final, entregarem um conceito visual tão... preguiçoso. Em vez de parecer ofendido, o homem deu um passo curto na minha direção, invadindo meu espaço pessoal de forma sutil, mas deliberada. O perfume dele — algo que misturava madeira e brisa marinha — me envolveu completamente. O sorriso dele se alargou, mas os olhos permaneciam intensos, fixos nos meus lábios antes de subirem para os meus olhos. — Você é corajosa, além de ter uma língua afiada — ele murmurou, e o brilho divertido no seu olhar agora tinha uma pitada de desafio. — Qual é o seu nome? — Que falta de educação a minha... — Dei um sorriso audacioso, sentindo meu coração acelerar um pouco mais rápido. — Estou aqui destruindo o conceito do lugar e sequer me apresentei. Estendi a mão na direção dele. — Sou Scarlett Wilson. Ele não hesitou. Envolveu minha mão na dele. A pele dele era quente, e o aperto, firme e demorado. Ele não soltou de imediato; em vez disso, o polegar dele roçou levemente as costas da minha mão antes de falar. — Um prazer absoluto, Scarlett. Eu sou Dante Keen... o dono do hotel. O chão pareceu sumir por um segundo sob os meus pés, mas o aperto da mão dele me manteve firme no lugar. Dante abriu um sorriso fascinado, como se estivesse diante do seu maior e mais interessante problema da noite.
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