O Peso da Escolha

1159 Palavras
Os olhos de Caio ainda ardiam com o brilho da luz que envolvera a misteriosa mulher. Ele piscou repetidamente, tentando afastar o desconforto, mas nada parecia claro. Nem seus pensamentos, nem o futuro. Olhou ao redor, esperando ver nos rostos de seus amigos algum traço de compreensão, mas encontrou a mesma confusão refletida nos olhos de cada um. “Guardiões? Salvar um reino? Só pode ser piada…” Tomás quebrou o silêncio com um riso seco, tentando esconder o pânico. “Eu não sei vocês, mas não assinei pra isso. Como é que a gente sai daqui?” Caio ficou em silêncio por um momento, mas algo dentro dele o impediu de concordar. Ele também estava com medo, mas havia uma sensação crescente de que aquele era o caminho que deveria seguir, por mais absurdo que fosse. Como se Aelmor o estivesse chamando de uma forma que ele não conseguia ignorar. “E se ela estiver certa?” disse Isadora, sua voz suave, mas determinada. “E se a gente realmente tiver um papel a desempenhar aqui? Não podemos simplesmente... ignorar isso.” Letícia, mais séria do que nunca, cruzou os braços e suspirou. “Ela está certa. Esse lugar não nos trouxe aqui à toa. Eu já vi o suficiente para saber que o que vimos... é real. E se essa ameaça que ela mencionou for tão grave quanto parece, pode não haver como voltar para casa até lidarmos com isso.” Tomás bufou. “Ótimo, Letícia, mais mistério. Você parece saber de tudo, então, como exatamente vamos derrotar uma tal de ‘Nirath’? E o que é isso, afinal? Algum tipo de monstro?” Letícia hesitou por um momento. “Nirath é mais do que um monstro. Segundo as histórias que ouvi, é uma entidade que representa a escuridão pura. Ela foi selada há muitos séculos pelos antigos guardiões de Aelmor, mas se as profecias estiverem certas, seu selo está enfraquecendo.” Caio sentiu um arrepio correr por sua espinha ao ouvir as palavras de Letícia. Ele não sabia nada sobre profecias ou entidades, mas algo sobre tudo aquilo parecia real demais para ser ignorado. “Se ela for liberada... o que acontece?” Letícia olhou diretamente para ele, os olhos sérios. “Se Nirath acordar completamente, Aelmor será consumida pela escuridão, e todo o equilíbrio entre os mundos será destruído. Isso inclui o nosso.” Isadora se aproximou de Caio, os olhos brilhando com uma determinação que ele raramente via nela. “Caio, a gente tem que fazer alguma coisa. Não dá pra simplesmente deixar isso acontecer.” Ele olhou para ela, o coração acelerado. Não era apenas a ideia de salvar Aelmor que o fazia sentir aquele turbilhão de emoções, mas também a presença de Isadora ao seu lado, pronta para enfrentar o desconhecido com ele. Talvez fosse o momento de deixar o medo de lado, como ele sempre quis, e fazer algo maior do que qualquer um deles jamais imaginou. Antes que pudesse responder, um som distante interrompeu seus pensamentos. O vento parecia ter mudado, agora carregando algo mais denso, mais pesado. E então, ao longe, viram uma sombra se mover pelas árvores. “Estamos sendo seguidos”, Letícia disse calmamente, olhando em direção ao movimento. “Se preparem.” “Seguidos? Por quem?” Tomás perguntou, nervoso, olhando em volta como se esperasse que algo saltasse das sombras. Antes que qualquer resposta pudesse ser dada, a sombra tomou forma. Do meio das árvores, surgiram três figuras encapuzadas, movendo-se de forma silenciosa, como se fossem parte da floresta. Suas vestes eram negras e longas, e seus olhos, quando finalmente ficaram visíveis, brilhavam em um vermelho intenso. “O que... o que são esses?” Isadora deu um passo para trás, seus olhos arregalados de medo. “Servos de Nirath”, Letícia murmurou, já tirando algo de sua mochila – uma lâmina pequena e afiada, como se estivesse preparada para aquilo. “Eles sentem a presença de poder. Vieram atrás de nós.” Caio olhou para Letícia, incrédulo. “Você sabia que isso ia acontecer?” Ela balançou a cabeça. “Não, mas eu sabia que, em algum momento, eles apareceriam. Nirath deve ter sentido o despertar do espelho. Agora não há como voltar atrás.” Os servos avançaram, seus movimentos ágeis demais para algo tão coberto e sombrio. Em poucos segundos, estavam em volta deles, bloqueando qualquer rota de fuga. “Caio!” Tomás gritou, enquanto tentava se proteger com um galho de árvore. Sem pensar, Caio pegou o primeiro objeto que encontrou – uma pedra – e arremessou contra um dos servos. A pedra atravessou o ar com velocidade, mas o servo desviou facilmente. O pânico cresceu dentro dele. Como eles poderiam lutar contra aquilo? Foi então que aconteceu algo inesperado. Quando o servo se aproximou mais de Caio, ele sentiu uma onda de calor se espalhar pelo corpo. De repente, sua mão direita começou a brilhar com uma luz dourada, intensa. Ele olhou para baixo, assustado, mas antes que pudesse entender, um jato de energia saiu de sua mão, atingindo o servo diretamente no peito. A criatura soltou um grito estridente e se dissipou no ar, como fumaça sendo levada pelo vento. “Como você fez isso?” Tomás exclamou, seus olhos arregalados. “Eu... eu não sei!” Caio respondeu, a respiração acelerada, olhando para a própria mão como se ela pertencesse a outra pessoa. “Isso é o poder de que a mulher falou”, Letícia disse, com um leve sorriso no rosto. “Ele está despertando.” Os outros dois servos, percebendo que não seriam páreo para aquele g***o, recuaram rapidamente, desaparecendo nas sombras da floresta. Quando o silêncio finalmente voltou, Caio ainda estava ofegante, processando o que havia acontecido. Ele não entendia como havia feito aquilo, mas uma coisa era certa: algo dentro dele estava mudando. E, por mais assustador que fosse, ele sentia que era o começo de algo maior. “Isso foi... incrível”, Isadora disse suavemente, olhando para ele com admiração. “Você nos salvou.” Caio sentiu suas bochechas corarem, mas balançou a cabeça. “Não sei como fiz isso... foi instinto.” Letícia deu um passo à frente, com o olhar sério. “Agora, vocês entendem. O poder está dentro de vocês, esperando para ser despertado. Mas isso foi só o começo. Mais desafios virão, e precisamos estar prontos.” Tomás, ainda incrédulo, suspirou. “Bom, se é assim... acho que estamos nessa juntos. Mas a próxima vez, espero que alguém me avise antes de explodir uma coisa com a mão.” Caio riu, ainda um pouco atordoado com tudo, mas algo dentro dele havia mudado. Ele finalmente entendia o que estava em jogo, e, apesar de tudo, sentia-se pronto para enfrentar o que viesse. Afinal, ele não estava sozinho. Com seus amigos ao lado e um poder que começava a despertar, a jornada em Aelmor estava apenas começando.
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